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MADRID 23 mar. (EUROPA PRESS) -
A associação sem fins lucrativos “Teléfono de la Esperanza” lançou a campanha “Escuchamos a quienes cuidan” (Ouvimos quem cuida), uma iniciativa que visa chamar a atenção para o impacto emocional do cuidado, pois por trás dessa realidade pouco visível existem muitas situações de ansiedade, tristeza ou sensação de sobrecarga.
“Muitos cuidadores demoram muito para pedir ajuda porque se sentem culpados por pensar em seu próprio bem-estar”, explicou a responsável pela Área de Orientação da organização, Isabel González, que acrescentou que, “no entanto, falar sobre esse esgotamento não significa deixar de cuidar; pelo contrário, é fundamental para evitar que o desgaste emocional se torne crônico”.
Assim, por ocasião da comemoração, nesta sexta-feira, 27 de março, do Dia da Escuta, o “Teléfono de la Esperanza” destacou que essa situação afeta tanto aqueles que acompanham familiares ou pessoas próximas quanto aqueles que desempenham profissionalmente tarefas de atendimento e apoio. Na Espanha, o cuidado continua tendo um rosto marcadamente feminino.
A tal ponto que, segundo dados do Instituto de Idosos e Serviços Sociais (IMSERSO), 87% dos cuidadores não profissionais são mulheres. Essa desigualdade também se reproduz no âmbito laboral, já que oito em cada dez profissionais do sistema de cuidados são mulheres.
Nesse contexto, foi lançada esta iniciativa, pois ouvir quem cuida é uma forma de prevenção. O cuidado atravessa idades, gêneros e laços, e nem sempre se encaixa em um único modelo familiar ou profissional; por isso, alertou-se que, quando esse desgaste não encontra espaço para ser compartilhado, aumenta o risco de isolamento e esgotamento emocional.
CULPA POR PRECISAR DE DESCANSO
Aprofundando o assunto, esta entidade indicou que cuidar por um período prolongado pode ter um impacto profundo no bem-estar emocional. A sensação de não conseguir dar conta de tudo, a culpa por precisar de descanso e o medo de falhar com a pessoa cuidada são experiências frequentemente descritas nesse tipo de situação.
Nesse sentido, a entidade afirmou que, quando essa pressão se prolonga no tempo, sem espaços para expressar o cansaço ou compartilhar a preocupação, podem surgir estados de ansiedade, tristeza ou frustração. De fato, esse tipo de mal-estar surge com frequência nas conversas com pessoas que buscam ajuda; e é que, durante o último ano, este serviço atendeu 15.469 chamadas relacionadas à ansiedade e 14.346 relacionadas a estados depressivos.
Por tudo isso, foi ressaltada a necessidade de reconhecer o impacto que o cuidado pode ter sobre quem o exerce e de abrir espaços onde essas pessoas possam se sentir ouvidas. Assim, oferece atendimento emocional gratuito e confidencial por meio de seus diversos canais de ajuda, onde é possível encontrar orientação e acompanhamento em momentos de dificuldade.
No entanto, o “Teléfono de la Esperanza” destacou que também estão disponíveis oficinas e espaços de encontro voltados para a promoção da saúde emocional ao longo de todo o ano.
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