Publicado 30/09/2025 08:06

Técnicas de IA tornam possível ler como os camundongos "pensam" em seus rostos

As expressões faciais refletem os cálculos complexos e paralelos que ocorrem no cérebro.
CAROLE MARCHESE

MADRID 30 set. (EUROPA PRESS) -

Usando técnicas de aprendizado de máquina, uma equipe da Fundação Champalimaud em Portugal demonstrou que os movimentos faciais dos ratos refletem seus pensamentos ocultos.

Publicada na revista Nature Nueorscience, essa descoberta pode oferecer uma visão sem precedentes do funcionamento do cérebro, mas também aponta para a necessidade de considerar a proteção da privacidade mental, de acordo com os autores.

É fácil ler as emoções no rosto das pessoas: cada uma tem sua própria marca clara e inconfundível. Mas e quanto aos pensamentos? A nova pesquisa mostra que as estratégias de resolução de problemas dos ratos podem ser decifradas a partir de movimentos faciais sutis.

De acordo com os autores, isso mostra que o conteúdo da mente pode ser lido em gravações de vídeo, o que poderia oferecer novas e poderosas ferramentas de pesquisa e diagnóstico. "Para nossa surpresa, descobrimos que podemos obter tantas informações sobre o que o camundongo estava 'pensando' quanto poderíamos ao registrar a atividade de dezenas de neurônios", disse o autor Zachary Mainen, pesquisador principal da Fundação Champalimaud em Portugal.

"Ter acesso tão fácil ao conteúdo oculto da mente pode ser um impulso importante para a pesquisa do cérebro. No entanto, isso também destaca a necessidade de começar a pensar em regulamentações para proteger nossa privacidade mental.

EM QUE PENSAM OS CAMUNDONGOS?

Em um estudo publicado em 2023, a equipe deu aos ratos um quebra-cabeça no qual eles tinham que descobrir qual dos dois bebedouros fornecia uma recompensa açucarada. Como a disponibilidade da recompensa variava de um bebedouro para outro, os camundongos tiveram que desenvolver estratégias para decidir qual bebedouro escolher.

"Sabíamos que os camundongos podem resolver essa tarefa usando estratégias diferentes e conseguimos identificar qual delas eles usavam com base em seu comportamento", explicou Fanny Cazettes, primeira autora e atual pesquisadora principal do Centre National de la Recherche Scientifique e da Universidade de Aix-Marseille. Esperávamos que os neurônios no cérebro dos camundongos refletissem apenas a estratégia que estavam usando, mas, na verdade, todas as estratégias estavam presentes simultaneamente, independentemente de qual delas o camundongo estivesse usando no momento.

Essa descoberta deu à equipe uma oportunidade única de vincular a atividade cerebral aos movimentos faciais. Eles se perguntaram: "Será que todas as estratégias presentes simultaneamente no cérebro também podem ser detectadas no rosto?

O ESPELHO DA MENTE

A equipe registrou os movimentos faciais dos animais juntamente com a atividade dos neurônios em seus cérebros e analisou esses dados usando algoritmos de aprendizado de máquina. Os resultados foram surpreendentes: os movimentos faciais eram tão informativos quanto as populações de neurônios.

O coautor Davide Reato, atualmente pesquisador associado da Universidade de Aix-Marseille e Mines Saint-Etienne, observou que, embora esses resultados fossem notavelmente robustos, a semelhança entre os camundongos era ainda mais impressionante. "Padrões faciais semelhantes representaram as mesmas estratégias em diferentes camundongos. Isso sugere que o espelhamento de padrões de pensamento específicos no nível do movimento facial pode ser estereotipado, assim como as emoções."

De acordo com os autores, esse estudo abre uma maneira de estudar o cérebro de forma não invasiva, o que poderia nos ajudar a entender melhor seu papel na saúde e na doença. Entretanto, dada a onipresença das gravações de vídeo em nossa sociedade, eles também destacam a necessidade de considerar como proteger a privacidade mental das pessoas.

"Nosso estudo mostra que os vídeos não são apenas registros de comportamento, mas também podem fornecer informações detalhadas sobre a atividade cerebral. Embora isso seja empolgante do ponto de vista científico, também levanta questões sobre a necessidade de proteger nossa privacidade", concluiu o autor Alfonso Renart, pesquisador principal da Fundação Champalimaud.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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