MADRID 27 fev. (EUROPA PRESS) -
O chefe da seção de Medicina Interna-Transplante de Fígado do Hospital Universitário Vall d'Hebron de Barcelona, Lluís Castells, destacou que a técnica de "split", que consiste em dividir o fígado de um doador em duas partes totalmente funcionais, "quase eliminou" as listas de espera de crianças para transplante de fígado na Espanha.
"Graças a essa técnica, em termos de transplantes de fígado em crianças, podemos dizer que as listas de espera praticamente desapareceram e, portanto, a taxa de mortalidade na lista", enfatizou o especialista em uma declaração à Europa Press no contexto do Dia Mundial dos Transplantes de Órgãos e Tecidos, que está sendo comemorado em 27 de fevereiro.
Conforme explicou Castells, essa técnica pode ser realizada por meio de doação após morte encefálica, na qual o doador morre devido à cessação completa da atividade cerebral, ou por meio de doação em assistolia controlada, quando a morte foi diagnosticada por critérios respiratórios e circulatórios.
"Com essa divisão, uma parte pode ser obtida para uma pessoa adulta e uma parte menor pode ser usada para uma criança. A implementação desse tipo de programa facilitou o transplante de dois pacientes com um fígado, e isso beneficiou as crianças que estão esperando pelo órgão", acrescentou.
Castells também lembrou que um total de 1.344 transplantes de fígado foram realizados na Espanha em 2024, o que representa 6% a mais do que no ano anterior. Por esse motivo, ele comemorou a boa situação em que o país se encontra em termos de transplantes de fígado em todas as faixas etárias, algo que, em sua opinião, também permitiu que a taxa de mortalidade de pacientes adultos na lista de espera fosse muito baixa.
"Como acontece com todos os órgãos, nos transplantes de fígado temos uma taxa de doação muito alta, e isso se deve a muitos fatores, mas acima de tudo à generosidade dos doadores e das famílias", disse Castells, que também aplaudiu a legislação atual, bem como "a boa prática de todo o sistema de saúde".
A IMPORTÂNCIA DOS MEDICAMENTOS ANTIVIRAIS NA LUTA CONTRA A HEPATITE C
Castells também lembrou que o surgimento, há cerca de dez anos, de medicamentos antivirais para curar a hepatite C provocou "uma mudança radical no tratamento desses pacientes". "Antes, a infecção crônica pelo vírus da hepatite C era a principal indicação para o transplante. Hoje em dia, essa medicação mudou a história, pois poucos pacientes são transplantados por causa desse vírus", acrescentou.
O especialista também destacou a implementação de máquinas de preservação para melhorar a qualidade dos doadores. "Há pequenos avanços constantes que melhoram os resultados do transplante, o que impõe novos desafios, pois a idade limite para o transplante também vem aumentando", disse.
"O transplante de fígado era inicialmente realizado em pacientes com até 60 anos de idade. Com o passar do tempo, a idade foi aumentada para 65 anos e, agora, para 70 e até 70 a 75 anos. Esse tipo de paciente é selecionado com muito cuidado para tentar minimizar o risco, especialmente de complicações cardiovasculares", explicou Castells, que acrescentou que "isso tem aumentado da mesma forma que a expectativa de vida dos pacientes na população em geral".
Por fim, o especialista destacou que um dos maiores desafios que enfrentam é melhorar a sobrevida dos pacientes transplantados. "Também devemos tentar melhorar a tolerância ao transplante para minimizar a necessidade de medicamentos imunossupressores", acrescentou Castells, que se mostrou otimista em relação a esses desafios, pois garantiu que o progresso nesse tipo de transplante é "contínuo".
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