MADRID 6 abr. (EUROPA PRESS) -
O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode causar, além da falta de atenção, uma dificuldade “global” para regular o tempo, a motivação, as emoções e o comportamento em adultos, segundo o chefe do novo Serviço de Psiquiatria do Olympia Quirónsalud, Pedro García-Parajuá.
Entre 15% e 25% das crianças diagnosticadas com TDAH mantêm o quadro completo na idade adulta, enquanto até 60% continuam apresentando “sintomas residuais” que afetam significativamente sua vida cotidiana. Entre eles, encontram-se a procrastinação constante, a dificuldade em iniciar tarefas ou a sensação persistente de não ter alcançado o “próprio potencial”.
“Muitos pacientes descrevem uma vida marcada por altos e baixos: momentos de grande produtividade seguidos de bloqueios importantes. Isso não se deve à falta de capacidade, mas a problemas de autorregulação”, explicou o especialista.
Também são sintomas frequentes a baixa tolerância à frustração, reações emocionais intensas e uma inquietação interna constante, além de “uma hiperatividade física visível”.
Segundo García-Parajuá, o TDAH em adultos costuma se manifestar em três grandes áreas: desorganização, impulsividade e inquietação interna. Essas dificuldades podem se traduzir em esquecimentos frequentes, problemas para planejar ou uma sensação de “caos mental”.
Além disso, é mais provável que essas pessoas tomem decisões precipitadas tanto no trabalho quanto na vida pessoal devido às “dificuldades na inibição comportamental e na gestão do tempo e das emoções”. Essa situação pode resultar em conflitos no relacionamento, instabilidade profissional, estresse crônico ou sensação de incompreensão.
TDAH E A RELAÇÃO COM A ANSIEDADE
Da mesma forma, o psiquiatra expôs que, em muitas ocasiões, a ansiedade surge como consequência de anos de desorganização e esforço excessivo decorrentes de um TDAH não diagnosticado. “Em muitos casos, a ansiedade não é o problema principal, mas sim a reação de viver constantemente com a sensação de estar atrasado em relação às obrigações”, afirmou.
Nesse sentido, identificar “corretamente” a origem do transtorno permite “uma abordagem mais eficaz”, já que também é possível reduzir a ansiedade associada. Em adultos com TDAH, é mais comum encontrar baixa autoestima, sentimentos de incompetência e dificuldades nas relações pessoais, além de haver uma maior prevalência de transtornos de ansiedade, depressão ou comportamentos aditivos. Por isso, diferenciar o TDAH de outros transtornos, como a ansiedade ou a depressão, é “fundamental”.
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade tem início precoce e um curso “persistente” ao longo da vida. O tratamento geralmente combina medicação (que melhora a atenção e a autorregulação) com psicoterapia, especialmente terapia cognitivo-comportamental (que ensina a lidar com o dia a dia).
“Nunca é tarde para compreender o que está acontecendo. Para muitos pacientes, o diagnóstico representa um alívio: deixa de ser uma questão de esforço e passa a ser entendido como uma condição com base neurobiológica”, concluiu Pedro García-Parajuá.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático