MADRID 31 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma múmia congelada com mais de 2.000 anos de idade preservou intrincadas tatuagens que correspondem à cultura Pazyryk da Sibéria e que servem como equivalentes às tatuagens modernas.
Uma equipe internacional de arqueólogos utilizou técnicas de imagem digital de alta resolução para examiná-las e esclarecer, pela primeira vez, o trabalho artesanal individual da tatuagem pré-histórica da Sibéria. As descobertas foram publicadas na Antiquity.
A tatuagem era muito difundida nos tempos pré-históricos, mas a falta de tatuagens sobreviventes dificulta a pesquisa. As chamadas "múmias de gelo" das montanhas Altai são uma exceção, pois suas câmaras de sepultamento profundas, revestidas de permafrost, às vezes preservam a pele (e, portanto, as tatuagens) dos sepultados.
"As tatuagens da cultura Pazyryk - pastores da Idade do Ferro das Montanhas Altai - há muito intrigam os arqueólogos por causa de seus elaborados desenhos figurativos", diz o autor principal, Dr. Gino Caspari, do Instituto Max Planck de Geoantropologia e da Universidade de Berna.
Apesar disso, os estudos detalhados das tatuagens são escassos, pois as imagens de alta resolução não estavam disponíveis anteriormente. Portanto, a maioria dos estudos foi baseada em desenhos esquemáticos iniciais das tatuagens.
"Estudos anteriores se concentraram principalmente nas dimensões estilísticas e simbólicas dessas tatuagens, com dados derivados principalmente de reconstruções desenhadas à mão", explica o Dr. Caspari. "Essas interpretações não tinham clareza sobre as técnicas e ferramentas usadas e se concentravam menos nos indivíduos e mais no contexto social geral.
Para oferecer um método mais preciso para explorar as tatuagens antigas, os arqueólogos realizaram uma varredura tridimensional de uma múmia Pazyryk tatuada usando uma fotografia digital de infravermelho próximo recentemente disponível com resolução submilimétrica.
Trabalhando com tatuadores modernos, eles examinaram as tatuagens com mais detalhes do que nunca, identificando as ferramentas e técnicas individuais usadas para produzi-las. Seus resultados foram publicados na revista Antiquity.
Os pesquisadores descobriram que as tatuagens no antebraço direito eram mais detalhadas e técnicas do que as do esquerdo. Isso sugere que diferentes tatuadores, ou o mesmo tatuador durante diferentes estágios de desenvolvimento, contribuíram para a arte.
ARTESANATO ESPECIALIZADO
É importante ressaltar que isso indica que a tatuagem não era simplesmente uma forma de decoração para a cultura Pazyryk, mas um ofício especializado que exigia treinamento formal e habilidade técnica.
"O estudo oferece uma nova maneira de reconhecer a autonomia pessoal nas práticas pré-históricas de modificação corporal", diz o Dr. Caspari. "A tatuagem surge não apenas como uma decoração simbólica, mas como um ofício especializado que exige habilidade técnica, sensibilidade estética e treinamento formal ou aprendizado.
Ao identificar pela primeira vez as mãos individuais por trás das tatuagens antigas, os pesquisadores mostram que os tatuadores pré-históricos da Sibéria não eram diferentes dos praticantes modernos de hoje.
"Isso me fez sentir que estávamos muito mais perto de ver as pessoas por trás da arte, como elas trabalhavam, aprendiam e cometiam erros", conclui o Dr. Caspari. "As imagens ganharam vida.
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