MADRID 20 fev. (EUROPA PRESS) -
As tartarugas marinhas esto retornando aos seus locais habituais de nidificao mais cedo a cada ano para compensar o aumento das temperaturas.
Essa é a descoberta de pesquisadores que monitoram a desova de tartarugas cabeudas e verdes no Chipre, descrita em dois artigos publicados nas revistas Endangered Species Research e Proceedings of the Royal Society B.
Nas tartarugas marinhas, a temperatura determina o sexo biológico dos filhotes, com mais fmeas nascendo quando está mais quente e menos filhotes bem-sucedidos quando está muito quente.
As tartarugas também apresentam "filopatria natal", o que significa que elas retornam para fazer seus ninhos na área onde nasceram.
Uma equipe de pesquisa da Universidade de Exeter e da Turtle Protection Society prev, com base em trs décadas de dados, que até o ano de 2100 quase no haverá novos filhotes de tartaruga cabeuda, a menos que as tartarugas neutralizem as temperaturas mais quentes antecipando a temporada de nidificao.
Depois de colocar registradores de temperatura nos ninhos noite, quando as fmeas esto botando ovos, e recuperá-los assim que o ninho eclode, os pesquisadores calcularam que as tartarugas precisam fazer o ninho 0,5 dia por ano mais cedo para manter a proporo atual de sexos e 0,7 dia por ano mais cedo para evitar falhas na ecloso dos ovos.
Mas os dados mostraram que as tartarugas cabeudas já esto fazendo seus ninhos mais cedo no ano, com as fmeas que retornam adiantando o início do ninho em 0,78 dias por ano desde 1993.
Isso significa que, pelo menos por enquanto, as tartarugas esto fazendo o suficiente para garantir que seus ovos continuem a eclodir mais cedo em temperaturas mais ideais.
A professora Annette Broderick disse em um comunicado: "Essa é uma boa notícia, pois mostramos que essas tartarugas esto respondendo s temperaturas mais altas causadas pela mudana climática, mudando para meses mais frios para fazer o ninho.
"No entanto, no há garantia de que elas continuaro a fazer isso; isso depende em grande parte do aumento da temperatura e também do que elas esto comendo. Se o momento da produo mudar em termos da origem de seus alimentos, eles podero comear a se tornar ecologicamente desconectados entre o local onde se alimentam e onde se reproduzem."
A equipe de pesquisa também publicou um estudo usando 31 anos de dados sobre mais de 600 tartarugas verdes que fazem ninhos na mesma praia no norte do Chipre para ver o que influencia o momento em que elas comeam a desovar a cada ano e como podemos explicar o progresso que vimos nas últimas trs décadas.
A equipe de pesquisa descobriu que as tartarugas individuais estavam ajustando o momento da desova de acordo com a temperatura do mar, colocando ovos 6,47 dias mais cedo para cada aumento de 1C na temperatura do oceano. Eles calcularam que a temperatura explicava cerca de 30% do avano, e que as fmeas mais experientes e as que colocavam mais ninhos também faziam o ninho mais cedo.
A autora principal, Mollie Rickwood, do Centro de Ecologia e Conservao da Universidade de Exeter, disse: "Para saber se o progresso que estamos vendo agora continuará no futuro, é fundamental entender os efeitos combinados das mudanas, por exemplo, na estrutura etária da populao e como as tartarugas respondem individualmente s mudanas ambientais.
A Dra. Damla Beton, da Society for the Protection of Turtles (SPOT), acrescentou: "Embora nossas tartarugas paream estar lidando com o atual aumento das temperaturas, no está claro por quanto tempo elas conseguiro fazer isso antes que as condies em Chipre no sejam mais adequadas, mas é possível que locais mais frios no Mediterrneo fiquem disponíveis para que elas faam seus ninhos.
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