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MADRID 22 jun. (EUROPA PRESS) -
A startup tecnológica Sweanty, uma spin-off do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), desenvolveu uma ferramenta baseada no adesivo de análise de suor “SweaTracker”, que mede de forma não invasiva a resposta fisiológica individual ao calor e ao esforço, para gerar protocolos de hidratação personalizados a partir dos dados coletados.
Essa solução é voltada para o uso no ambiente de trabalho, com o objetivo de avaliar não apenas as condições ambientais de exposição ao calor, mas também as necessidades reais de cada trabalhador, e oferecer recomendações personalizadas. Segundo a empresa, mais de 20 empresas já a implementaram para este verão.
A Sweanty defende que a prevenção do estresse térmico deve evoluir de protocolos gerais, como pausas, sombra, recomendações para beber água ou adaptação de horários, para modelos mais proativos, personalizados e mensuráveis, em um contexto em que o calor extremo chega mais cedo, se intensifica e afeta mais aspectos da vida cotidiana.
Conforme alertado, o desafio é especialmente relevante para o ambiente de trabalho, levando em conta que os acidentes nessa área aumentam 17,4% durante as ondas de calor, segundo dados do Instituto Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (INSST). Esse órgão alerta para os riscos de insolação, exaustão e fadiga decorrentes das altas temperaturas, que também podem reduzir a destreza manual e afetar a concentração, a memória de curto prazo, a coordenação motora ou a percepção visual.
O estresse térmico não depende apenas da temperatura externa e da umidade, mas também é influenciado pela intensidade da atividade física, pelo uso de equipamentos de proteção individual e pelas características fisiológicas de cada pessoa. Por isso, dois trabalhadores expostos ao mesmo ambiente podem apresentar níveis de risco e necessidades de hidratação muito diferentes
“Dois trabalhadores no mesmo turno, com a mesma temperatura ambiente e o mesmo equipamento de proteção, podem perder quantidades muito diferentes de água e sódio”, destacou o chefe de Crescimento da Sweanty, Joan Molins. “Essa diferença é fundamental. Se não a medirmos e não oferecermos uma solução, a prevenção continuará sendo genérica. E o calor já não permite respostas genéricas”, acrescentou.
PREVENÇÃO CENTRADA NA PESSOA
A solução da Sweanty representa um “salto”, ao passar de uma prevenção baseada apenas no ambiente — como se fazia tradicionalmente, medindo a temperatura, a umidade, a radiação ou os alertas meteorológicos — para uma prevenção centrada na pessoa e em suas necessidades.
No entanto, essa proposta não substitui as medidas preventivas essenciais (sombra, pausas, ventilação, adaptação de horários, acesso à água, treinamento, monitoramento da saúde ou revisão de equipamentos de proteção), mas as complementa com dados objetivos sobre a resposta individual ao calor e planos individualizados.
“Proteger as pessoas contra o calor exige combinar cultura preventiva, organização do trabalho, soluções individualizadas, treinamento e dados”, destacou Molins, que valorizou a utilidade da tecnologia para tornar a prevenção “mais precisa, mais rastreável” e com “maior impacto real na saúde do trabalhador”.
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