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MADRID 30 ago. (EUROPA PRESS) -
O surto de ebola declarado em meados de maio na República Democrática do Congo (RDC), o mais letal de sua história recente, já causou mais de 2.862 mortes e registrou 5.945 casos confirmados em todo o país, de acordo com o último balanço divulgado neste domingo, ao final de uma semana marcada por novos surtos.
Já são 60 as áreas sanitárias de emergência identificadas pelas equipes de contenção após a inclusão, na última sexta-feira, de Biena e Manguredjipa, na província de Kivu do Norte, enquanto a taxa de letalidade continua subindo lenta, porém constantemente (atualmente é de 48,1%), de acordo com os dados coletados até 28 de agosto.
O surto tem seu epicentro na província de Ituri, base de operações de um dos grupos armados mais violentos de toda a África, as Forças Democráticas Aliadas, ramificação do Estado Islâmico no país. Seus ataques, que costumam deixar dezenas de mortos a cada semana, provocaram êxodos sucessivos que impossibilitaram o acompanhamento adequado da doença.
Muitos desses deslocados acabam na região vizinha de Kivu, que, por sua vez, é palco de outro longo conflito armado: o que opõe o Exército congolês às milícias do Movimento 23 de Março, o M23, que exerce controle sobre as capitais de suas duas províncias e iniciou seu próprio programa de resposta ao surto em relativa coordenação com as agências médicas internacionais, mas sem qualquer diálogo com o governo congolês.
A violência generalizada nas seis províncias onde o surto foi registrado atinge também os profissionais de saúde, vítimas de ataques específicos, “principalmente em comunidades mineradoras e entre grupos de jovens”, segundo a ONU: um total aproximado de 260 ataques que deixaram pelo menos oito profissionais de saúde mortos, sem contar que o ebola já matou outros 43.
Em uma medida de emergência absoluta, a República Democrática do Congo recebeu neste sábado o primeiro lote da vacina Ervebo, de eficácia duvidosa contra a cepa Bundibugyo que caracteriza o surto e para a qual, na verdade, não há vacina conhecida.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Gebreyesus, explicou que as 70.000 doses no total que a RDC espera receber nos próximos dias serão utilizadas em programas adicionais de testes. Os testes clínicos citados pela OMS concluem que “os efeitos colaterais graves da vacina são muito raros” e, pelo menos, espera-se que ela ofereça alguma proteção contra o contágio.
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