MADRID 31 jul. (EUROPA PRESS) -
O Ministério da Ciência, Inovação e Universidades utilizou o supercomputador de La Palma para prever a coroa solar do eclipse total do próximo dia 12 de agosto, o primeiro dos três grandes eventos extraordinários que constituem o chamado “Trio de Eclipses”, conforme informou o Ministério.
O Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), órgão subordinado ao Ministério, desenvolveu a simulação em colaboração com o grupo de pesquisa Predictive Science Inc. (PSI, San Diego, Califórnia), que reproduz com alto nível de detalhe a estrutura da coroa solar que será visível durante toda a duração do fenômeno ao longo do trajeto de totalidade, incluindo o Observatório de Yebes (Guadalajara), que se tornará o centro oficial de acompanhamento do eclipse solar total pelo Governo da Espanha.
A coroa solar — a parte mais externa do Sol — é moldada pelos campos magnéticos da superfície solar. Para criar a simulação, a equipe científica utilizou dados medidos continuamente pelos satélites SDO da NASA e Solar Orbiter da ESA, bem como da rede internacional GONG (Global Oscillation Network Group), que conta com uma de suas principais estações no Observatório do Teide (Tenerife), administrado pelo IAC.
Como não é possível observar a totalidade do Sol simultaneamente, o modelo reconstrói a distribuição do campo magnético unindo as observações feitas faixa por faixa ao longo de uma rotação solar completa.
Com esse mapa magnético inicial, o supercomputador de La Palma resolveu as equações magnetohidrodinâmicas (MHD) altamente complexas para prever como se formarão as estruturas e os “raios” da coroa no dia do eclipse.
Os usuários e pesquisadores podem explorar a previsão em tempo real e selecionar qualquer ponto geográfico por meio do mapa interativo.
Além da previsão estética, este trabalho tem um objetivo científico: desvendar o problema do aquecimento coronal, uma das maiores incógnitas da Física Solar e Estelar.
Enquanto a superfície do Sol atinge cerca de 6.000 graus, a coroa atinge temperaturas de milhões de graus. Ao comparar as imagens reais capturadas durante o eclipse com a previsão numérica realizada antes do evento, os astrofísicos poderão avaliar a precisão de seus modelos, corrigir as hipóteses do balanço térmico e descobrir quais processos físicos dominam o aquecimento nessa parte do Sol, visível apenas da Terra durante um eclipse solar total.
Compreender a dinâmica da coroa é importante para o avanço da meteorologia espacial, uma vez que essas estruturas magnéticas influenciam diretamente as tempestades solares que afetam as redes de telecomunicações, os satélites em órbita e a tecnologia na Terra.
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