METEOSWISS, LUCA PANZIERA
MADRID 29 ago. (EUROPA PRESS) -
Em um estudo pioneiro, pesquisadores da Universidade de Berna e da ETH Zurich mostraram como a mudança climática está intensificando as tempestades de supercélulas na Europa.
Com um aumento da temperatura global de 3 graus Celsius, espera-se que essas poderosas tempestades ocorram com mais frequência, especialmente na região alpina. Essa pesquisa utiliza um mapa digital de última geração que proporciona uma precisão sem precedentes no rastreamento dessas tempestades.
As supercélulas estão entre os fenômenos meteorológicos mais marcantes da Europa. Elas geralmente ocorrem no verão e são caracterizadas por uma corrente ascendente rotativa de ar quente e úmido que traz ventos fortes, granizo grande e chuva torrencial. O impacto é significativo e geralmente resulta em danos à propriedade, perdas agrícolas, caos nas estradas e até mesmo ameaças à segurança humana.
A pesquisa possibilitou uma simulação detalhada dessas tempestades. Seu mapa digital de tempestades de alta resolução permite uma representação precisa de cada célula de tempestade, superando as possibilidades anteriores.
REGIÃO ALPINA E EUROPA CENTRAL O estudo, publicado na Science Advances, mostra que a região alpina e partes da Europa Central e Oriental podem esperar um aumento significativo na atividade de tempestades: até 50% a mais nas encostas norte dos Alpes, com um aumento de temperatura de 3 graus Celsius em comparação com os valores pré-industriais.
Embora as tempestades de supercélulas europeias sejam rastreadas por radares meteorológicos, as diferenças nas redes de radar dos países dificultam uma análise abrangente. "Isso dificulta a detecção de tempestades transfronteiriças", explica a autora correspondente Monika Feldmann, do Mobile Natural Hazards Laboratory e do Oeschger Centre for Climate Change Research da Universidade de Berna, em um comunicado.
Pela primeira vez, um novo tipo de modelo climático simula tempestades de supercélulas com uma precisão de 2,2 quilômetros, desenvolvido como parte do projeto scClim.
A equipe executou uma simulação de 11 anos e a comparou com dados reais de tempestades de 2016 a 2021. "Nossa simulação reflete amplamente a realidade, embora capture um número ligeiramente menor de tempestades", diz Feldmann. Isso é de se esperar, pois o modelo capta apenas tempestades maiores que 2,2 quilômetros e com duração superior a uma hora, excluindo eventos menores de duração mais curta.
A simulação destaca os Alpes como um ponto de acesso para supercélulas, como aponta Feldmann. A simulação mostra cerca de 38 supercélulas por temporada na encosta norte dos Alpes e 61 na encosta sul. Com um aumento de 3 graus Celsius, essas tempestades continuarão a se concentrar na região alpina, com até 52% mais tempestades ao norte dos Alpes e 36% mais ao sul.
DIMINUIÇÃO SOBRE A PENÍNSULA IBÉRICA
Em contraste, a Península Ibérica e o sudoeste da França podem sofrer uma redução. No geral, espera-se um aumento de 11% nas supercélulas em toda a Europa. "Essas diferenças regionais ilustram os efeitos variados da mudança climática na Europa", explica Feldmann.
"A inclusão de tempestades de supercélulas nas avaliações de risco climático e nas estratégias de desastres é crucial", enfatiza Feldmann. O aumento dessas tempestades representa desafios crescentes para a sociedade, aumentando os possíveis danos à infraestrutura, à agricultura e à propriedade privada, além dos riscos para a população.
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