Publicado 18/08/2026 07:48

O suco de romã melhora o sono e reduz o desejo de consumir drogas em pacientes com dependência de opióides, segundo estudos

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MADRID 18 ago. (EUROPA PRESS) -

Dois ensaios clínicos publicados recentemente demonstraram que beber suco de romã melhora o sono e reduz o desejo de consumo em pacientes com dependência de opióides.

Os estudos analisaram o efeito do consumo diário de suco de romã em pessoas que recebem tratamento de manutenção com metadona ou buprenorfina.

Os resultados apontam para uma possível utilidade do suco como intervenção nutricional complementar, atuando especialmente sobre o desejo de consumo, o sono e indicadores relacionados ao equilíbrio oxidativo. Para os especialistas, essa seria a primeira intervenção nutricional como apoio a esses pacientes.

O primeiro dos estudos, publicado na revista “Substance Use & Addiction Journal”, avaliou 58 voluntários. Dentre eles, 40 receberam 250 ml diários de suco de romã durante 120 dias, 7 dias por semana, enquanto 18 compuseram o grupo de controle.

A concentração de melatonina na saliva e a qualidade do sono foram avaliadas no início e nos dias 60 e 120 por meio do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh. Ao final da intervenção, a concentração de melatonina aumentou nos pacientes tratados com metadona e nos tratados com buprenorfina em comparação com o grupo controle, enquanto a melhora na qualidade do sono foi observada nos pacientes tratados com metadona.

O segundo estudo, publicado na revista “Clinical Nutrition ESPEN”, analisou o efeito do consumo diário de 250 ml de suco de romã durante quatro meses sobre o desejo de consumir opióides e o estado dos biomarcadores redox no sangue.

Os 58 pacientes que participaram concluíram o protocolo. O estudo constatou uma redução do desejo de consumo tanto nos pacientes tratados com metadona quanto naqueles tratados com buprenorfina, com diferenças em relação ao grupo controle aos 60 e 120 dias. Além disso, foram observadas alterações compatíveis com uma melhora na capacidade antioxidante, entre elas o aumento de determinadas atividades enzimáticas e a redução de proteínas oxidadas.

“Os estudos são muito interessantes do ponto de vista científico porque concluem que os antioxidantes da romã, por um lado, melhoram a qualidade do sono e aumentam a quantidade de melatonina, o que faz com que, em última análise, tenham um desejo compulsivo menor de voltar a consumir heroína”, destacou Juan José Cervantes, médico especialista em longevidade da Clínica Santa Teresa 8, em Múrcia.

Segundo Cervantes, tomar diariamente 250 ml de suco de romã, que é rico em antioxidantes e polifenóis, sem qualquer outro tipo de tratamento farmacológico com efeitos colaterais, é uma forma simples de abordar usuários ou ex-usuários em tratamento com metadona ou buprenorfina. “Com os problemas que seu consumo acarreta, como o estresse oxidativo, o deterioramento psicossocial e a reabilitação necessária”, acrescentou.

UMA INTERVENÇÃO SIMPLES E COMPLEMENTAR À MEDICAÇÃO

Cervantes destaca que os resultados são especialmente relevantes porque o sono e o desejo compulsivo de consumir podem dificultar o processo de reabilitação.

O primeiro estudo parte da relação entre as alterações do sono e o risco de desejo compulsivo e recaída, enquanto o segundo analisa o estresse oxidativo como um dos parâmetros associados à situação desses pacientes. Em conjunto, ambos os trabalhos apontam o suco de romã como uma possível ferramenta nutricional de apoio, embora não como um tratamento para o vício.

O especialista relaciona esses resultados com o papel que o estresse oxidativo pode desempenhar no processo de recuperação. “Parece que o estresse altera a qualidade do sono e isso faz com que, no dia seguinte, a vontade de voltar a consumir aumente”, indicou Cervantes, que acrescentou que a intervenção nutricional poderia contribuir para diminuir esse desequilíbrio, algo que os estudos analisaram por meio de biomarcadores de estresse oxidativo.

Cervantes ressalta ainda que o suco não deve ser entendido como uma alternativa à terapia farmacológica. “Isso não altera de forma alguma qualquer outra intervenção com medicação”, afirma. O estudo sobre o “craving”, de fato, propõe expressamente o consumo de suco de romã como uma intervenção nutricional auxiliar e paralela ao tratamento com metadona ou buprenorfina.

“É uma intervenção muito simples em termos de administração: um copo por dia é muito fácil e benéfico para o paciente”, observou ele, ao mesmo tempo em que destacou que os efeitos observados poderiam estar relacionados ao conjunto de compostos presentes na romã, entre os quais se destaca a punicalagina.

Os estudos apresentam suas conclusões em termos de apoio à reabilitação e não de substituição do tratamento. O estudo sobre o sono conclui que a romã poderia ser considerada uma intervenção auxiliar em conjunto com a medicação em pacientes submetidos a tratamento farmacológico, enquanto o estudo sobre o “craving” aponta que as evidências obtidas são promissoras e sugere o suco como uma intervenção nutricional auxiliar em paralelo à medicação.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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