Publicado 11/06/2025 12:19

A solidão e o isolamento social dos idosos podem levar ao suicídio ou à morte natural, de acordo com um psicólogo.

Iniciativa "R-Conecta" promovida pelo Hospital San Juan de Dios, em Madri.
SAN JUAN DE DIOS

MADRID 11 jun. (EUROPA PRESS) -

A solidão e o isolamento social dos idosos podem levar ao suicídio ou à morte por circunstâncias naturais, porque essa situação também favorece a perda da vontade de viver, informou o psicólogo da Fundação Instituto San José, Carlos Gil Arellano, durante a segunda reunião da iniciativa 'R-Conecta', lançada pelo Hospital San Juan de Dios, em Madri.

O psicólogo explica que as tentativas de suicídio em pessoas com 65 anos ou mais representam 30%, o que o leva a admitir que "a saúde mental dos idosos é bastante dramática"; onde a solidão, o isolamento, a depressão e a ansiedade são os principais problemas que afetam o bem-estar emocional das pessoas à medida que envelhecem. De acordo com o especialista, "há uma prevalência muito alta de transtornos depressivos", os dados mostram que a partir dos 65 anos de idade ela chega a 25%, número que aumenta entre as pessoas com mais de 85 anos.

Nesse sentido, Arellano ressalta que "a depressão não surge de uma só vez, é o resultado de múltiplos fatores", normalmente como resultado de uma confluência de solidão com luto ou perda pessoal. Ele acrescenta que "a solidão é frequentemente estigmatizada ou medicalizada", quando o que está por trás dela são problemas sociais que "precisam ser abordados". Nesse sentido, ela afirma que "não devemos patologizar o envelhecimento, mas sim envelhecer de forma positiva".

Jordi Ramon Rizo, enfermeiro especialista em saúde mental, acrescenta que, se medicalizarmos, estaremos medicando a consequência e não trabalhando na causa. O especialista ressalta que "a saúde mental está repleta de situações que são sociais e que precisam ter uma solução social" e, no entanto, estão sendo "higienizadas e medicalizadas". Dessa forma, ele denuncia o fato de que a solidão, a tristeza, coisas que costumavam ser bem contidas na comunidade, agora estão sendo medicalizadas.

Por essa razão, Rizo ressalta que "agora funcionamos como uma sociedade e temos que funcionar como uma comunidade". Assim, o especialista incentiva a sociedade a estar mais próxima daqueles que se sentem solitários. "Todos nós somos quebradores de solidão, com qualquer pequeno detalhe você quebra a solidão mais do que com qualquer droga", diz ele. Além disso, de um ponto de vista mais profissional, ele afirma que a solidão "é uma situação social, política e de saúde" e precisa ser enfrentada de forma coordenada, para que os próprios trabalhadores "não se sintam sozinhos".

Outra forma de trabalhar a solidão e o isolamento social em adultos mais velhos é "favorecer o envelhecimento positivo", explica Arellano. Isso pode ser alcançado com "microações" que cada indivíduo pode fazer, ou como sociedade, "favorecendo grupos de luto, grupos para pessoas que se sentem sozinhas, favorecendo o envelhecimento ativo, praticando esportes, participando de grupos para favorecer a melhoria cognitiva, ou com relações sociais com a família ou amigos", explica ele.

PERFIL DAS PESSOAS AFETADAS PELA SOLIDÃO

A maioria das pessoas afetadas que participam de grupos de solidão "não tem relação com o ambiente" e, "quando começam a se relacionar com outras pessoas, melhoram muito", diz Rizo. Entretanto, 80% são casados, o que mostra que nem sempre estão fisicamente sozinhos. Além disso, embora geralmente sejam pessoas com mais de 65 anos, o especialista ressalta que "estão começando a chegar pessoas a partir dos 48 anos". Por outro lado, 80% são mulheres, "porque ser mulher significa ser vulnerável à solidão", ressalta Rizo.

Nesse sentido, a presidente do Observatório Estatal da Solidão Indesejada, SoledadES, Matilde Fernández, destaca que, de acordo com os estudos do observatório, as pessoas que sentem solidão são aquelas que têm pouca estabilidade econômica; filhos de pais com poucos recursos, ou pessoas sem estudos; os estudantes universitários sentem metade da solidão das pessoas que interromperam seus estudos, que repetiram ou que foram reprovadas. Da mesma forma, pessoas com problemas de saúde, pessoas que não são heterossexuais ou espanhóis com filhos de imigrantes também têm um sentimento maior de solidão.

Em todos esses casos, "um pouco mais nas mulheres", diz Fernández. Isso se deve ao fato de que as mulheres foram criadas "para serem cuidadoras" e o papel de cuidadora "pesa muito", porque "parece haver um sentimento de culpa se não cuidarmos", o que faz com que elas se sintam mais solitárias.

DIFERENTES TIPOS DE SOLIDÃO

O diretor científico do Programa de Idosos da Fundação 'La Caixa', Javier Yanguas, enfatiza que o sentimento de solidão não deve ser generalizado e que pode se manifestar de diferentes maneiras. "Há pessoas que precisam de vínculos significativos, há outras que precisam de intimidade, há pessoas que falam de solidão por tristeza, pessoas que falam de solidão por ameaça, por abandono, por exclusão ou por vulnerabilidade", explica o especialista.

Yanguas explica que "há solidões que não são relacionais". Quando uma pessoa termina sua vida profissional e, de repente, tem muitas horas no dia, "ela pode estar cheia de amigos, família, o que for, e se sentir solitária, porque não tem um projeto de vida", ressalta.

Entretanto, diante dessas diferentes formas de solidão, "damos a todos uma única resposta e a medimos de uma única maneira". Em muitos lugares, a resposta é "a necessidade de companhia". Em outras palavras, você está sozinho, vou colocar pessoas com você", denuncia Yanguas. Nesse sentido, o especialista aponta que é necessária "uma avaliação diferente", na qual se acrescentem nuances; intervenções que sejam capazes de responder a essas diferentes formas de solidão e "personalizar mais a intervenção".

INICIATIVA "R-CONECTA

A iniciativa 'R-Conecta' tem como objetivo analisar e compartilhar experiências e, nesse caso, concentrou-se na saúde mental e no atendimento de grupos particularmente vulneráveis.

O centro hospitalar San Juan de Dios colocou à disposição dos presentes vários especialistas na área de psicologia, saúde mental, idosos e solidão indesejada.

Os participantes também puderam ouvir em primeira mão o que significa ser confrontado repentinamente com a solidão, graças ao testemunho de Carlos, cuja esposa está internada na Fundação Instituto San José há quatro anos, depois de sofrer um derrame.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado