MADRID 1 set. (EUROPA PRESS) -
A missão Solar Orbiter dividiu o fluxo de partículas energéticas ejetadas do Sol para o espaço em dois grupos, cada um deles relacionado a um tipo diferente de explosão de nossa estrela.
O Sol é o acelerador de partículas mais energético do sistema solar. Ele ejeta elétrons em velocidades próximas à da luz e os lança no espaço, inundando o sistema solar com os chamados "elétrons energéticos solares" (SEEs).
Os pesquisadores usaram o Solar Orbiter, uma missão da ESA com a colaboração da NASA, para identificar a fonte desses elétrons energéticos e rastrear o que observamos no espaço até o que realmente está acontecendo no Sol.
Em um artigo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, eles explicam que encontraram dois tipos de EES com histórias nitidamente diferentes: um relacionado a intensas explosões solares (explosões de pequenas áreas da superfície solar) e o outro a erupções maiores de gás quente da atmosfera solar (conhecidas como ejeções de massa coronal, ou CMEs).
"Vemos uma clara distinção entre os eventos de partículas 'impulsivas', nos quais esses elétrons energéticos são lançados para longe da superfície solar em rajadas por meio de explosões solares, e os eventos 'graduais' associados a CMEs maiores, que liberam uma onda mais ampla de partículas durante períodos mais longos", disse o autor principal Alexander Warmuth, do Instituto Leibniz de Astrofísica em Potsdam (AIP), em um comunicado.
Embora os cientistas estivessem cientes da existência de dois tipos de eventos SEE, a Solar Orbiter conseguiu medir um grande número de eventos e observar muito mais perto do Sol do que outras missões, para revelar como eles se formam e deixam a superfície da nossa estrela.
"Só conseguimos identificar e entender esses dois grupos observando centenas de eventos a diferentes distâncias do Sol com vários instrumentos, algo que só o Solar Orbiter pode fazer", acrescenta Warmuth. Ao nos aproximarmos tanto da nossa estrela, conseguimos medir as partículas em um estado inicial "prístino" e, portanto, determinar com precisão quando e onde elas se originaram no Sol.
DISTÂNCIAS DIFERENTES
Os pesquisadores detectaram os eventos ESE em diferentes distâncias do Sol. Isso permitiu que eles estudassem o comportamento dos elétrons à medida que eles viajavam pelo sistema solar, respondendo a uma pergunta persistente sobre essas partículas energéticas.
Quando detectamos uma erupção ou CME, geralmente há um atraso aparente entre o que vemos no Sol e a liberação de elétrons energéticos no espaço. Em casos extremos, as partículas parecem levar horas para escapar. Por quê?
"Acontece que isso está relacionado, pelo menos em parte, à maneira como os elétrons viajam pelo espaço: pode ser um atraso na liberação, mas também na detecção", diz a coautora Laura Rodríguez-García, pesquisadora da ESA.
"Os elétrons sofrem turbulência, espalham-se em diferentes direções, etc., por isso não os detectamos imediatamente. Esses efeitos se acumulam à medida que nos afastamos do Sol.
O espaço entre o Sol e os planetas do sistema solar não é vazio. Um vento de partículas carregadas emana constantemente do Sol, levando consigo seu campo magnético. Esse vento preenche o espaço e influencia o movimento dos elétrons energéticos; em vez de poderem seguir seu próprio caminho, eles são confinados, dispersos e perturbados por esse vento e seu magnetismo.
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