Publicado 11/05/2026 09:08

A SOGUG solicita a redução do tempo entre o desenvolvimento de terapias avançadas e sua aplicação no tratamento do câncer genituriná

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MADRID 11 maio (EUROPA PRESS) -

O acesso efetivo dos pacientes espanhóis às inovações no tratamento de tumores geniturinários — que avançaram nos últimos anos com novas terapias que melhoram a sobrevida e com biomarcadores moleculares essenciais — continua sendo “limitado e tardio”, segundo o Grupo Espanhol de Oncologia Geniturinária (SOGUG), que solicitou a redução da lacuna entre as evidências disponíveis e sua incorporação à prática clínica.

Nesse sentido, o SOGUG organizou a Reunião sobre Acesso à Inovação em Tumores Geniturinários, na qual oncologistas e representantes institucionais analisaram os principais desafios assistenciais, organizacionais e estruturais que condicionam o acesso à inovação oncológica no sistema de saúde.

A médica e presidente do SOGUG, Aránzazu González del Alba, declarou que o avanço científico em tumores geniturinários tem sido “mais rápido do que a capacidade do sistema de absorvê-lo”.

Conforme explicou a doutora, a transição de poucas opções terapêuticas no passado para múltiplas linhas eficazes e combinações atualmente, com benefício na sobrevida, “deslocou o desafio do desenvolvimento científico para a incorporação precoce dessas estratégias na prática clínica”.

“Enquanto as diretrizes clínicas internacionais incorporam as opções com evidência máxima quase em tempo real, os processos de financiamento e implementação o fazem com um ou dois anos de atraso, devido principalmente ao aumento do custo e à complexidade organizacional do sistema”, acrescentou.

NOVOS TRATAMENTOS

No caso do câncer de próstata metastático, ele destacou o valor clínico dos biomarcadores moleculares, em particular as mutações em genes reparadores de DNA como BRCA1 e BRCA2, que permitem identificar os pacientes candidatos ao tratamento com inibidores de PARP (iPARP), com benefício comprovado na sobrevida.

Por sua vez, o vice-presidente da SOGUG, Sergio Vázquez Estévez, expôs que, apesar da aprovação pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em certos cenários, eles continuam sem poder utilizar os iPARP em monoterapia em seus pacientes, privando-os de um benefício claro e vendo-se obrigados a empregá-los em combinação com um ARTA em cenários que são “praticamente inexistentes”.

No que diz respeito ao câncer de bexiga, a SOGUG destacou que a combinação do anticorpo conjugado “enfortumab vedotin” com o agente imunoterapêutico “pembrolizumab” representou uma mudança de paradigma terapêutico que demonstrou um “benefício claro” na sobrevida em comparação com a quimioterapia à base de platina, tanto na doença metastática quanto no contexto perioperatório.

Por fim, no câncer renal, foi analisado o impacto das combinações de imunoterapia dupla ou de imunoterapia com agentes antiangiogênicos como tratamento de primeira linha na doença metastática, que representaram “um antes e um depois” nesse cenário. Da mesma forma, destacou-se o papel do tratamento adjuvante com pembrolizumabe em pacientes com doença localizada de risco intermediário-alto ou alto, onde se demonstrou uma melhora na sobrevida.

“O atraso no acesso a inovações oncológicas aprovadas não é apenas um problema de gestão, mas tem consequências claras nos resultados de saúde, na prática clínica diária e na equidade entre os pacientes”, continuou González del Alba.

Esses atrasos, conforme detalhou a médica, distorcem a tomada de decisões clínicas, obrigam, por vezes, ao uso de estratégias subótimas, aumentam a carga burocrática para os profissionais e geram desigualdades territoriais, que a Espanha apenas compensa “de forma parcial por meio de ensaios clínicos, não acessíveis a todos os pacientes”.

A EMA NÃO É O PRINCIPAL “GOLPE DE GARRAFA”

No entanto, a presidente da SOGUG afirmou que o principal “golpe de garrafa” para o acesso à inovação oncológica não está na EMA, mas nas etapas posteriores do processo.

A decisão nacional sobre preço e financiamento, os processos de avaliação clínica e econômica e a posterior implementação em um sistema descentralizado concentram “a maior parte dos atrasos”, o que gerou demoras adicionais mesmo após o financiamento nacional e diferenças significativas entre comunidades autônomas e centros.

Por isso, os participantes da reunião concordaram com a necessidade de avançar para um sistema mais “coordenado e previsível”, com modelos de avaliação baseados em critérios claros, transparentes e participativos.

Nesse contexto, Sergio Vázquez Estévez destacou a necessidade de “reduzir os prazos de financiamento após a aprovação pela EMA e melhorar a clareza dos processos de decisão”. Entre as possíveis melhorias, destacou a opção de permitir o uso dos tratamentos durante o período entre a aprovação europeia e a decisão definitiva de financiamento, por meio de mecanismos já existentes em algumas comunidades autônomas, e ressaltou a importância de garantir “um acesso equitativo à inovação em todo o território”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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