Publicado 25/03/2025 07:11

Sociedades científicas espanholas se unem para defender a saúde pública após a saída dos EUA e da Argentina da OMS

Archivo - Arquivo - Laboratório de Química
HRAUN/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 25 mar. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Epidemiologia (SEE), diante da saída dos Estados Unidos e da Argentina da Organização Mundial da Saúde (OMS), convocou as sociedades científicas a se coordenarem em defesa da saúde pública, promovendo alianças e estratégias que garantam uma resposta internacional sólida às futuras ameaças à saúde.

Para isso, a SEE enviou uma carta à Sociedade Espanhola de Saúde Pública e Administração Sanitária (SESPAS) e à Confederação de Sociedades Científicas da Espanha (COSCE), na qual alerta para as implicações dessas decisões e propõe um trabalho conjunto para fortalecer as instituições internacionais de saúde.

Dessa forma, solicita que as organizações mencionadas realizem reuniões para propor ações conjuntas e iniciativas coordenadas que contribuam para "a construção de uma governança de saúde mais sólida". Por enquanto, além da SESPAS, já apoiaram a iniciativa a Associação de Economia da Saúde (AES), a Associação de Enfermagem Comunitária (AEC), a Associação de Saúde Pública de Madri (AMaSaP), o COSCE, a Rede Espanhola de Atenção Primária (REAP), a Sociedade Andaluza de Saúde Pública e Administração da Saúde (SASPAS-HIPATIA) e a Sociedade Espanhola de Saúde Ambiental (SESA).

Com essa iniciativa, além de rejeitar a decisão tomada pela Administração dos Estados Unidos e pela Argentina devido às suas consequências e implicações éticas, a SEE propõe a criação de mecanismos para fortalecer a governança global da saúde por meio de instituições europeias e "assim poder enfrentar os desafios futuros".

A SEE também elaborou uma declaração de posicionamento expressando seu desacordo com as últimas ordens executivas nos Estados Unidos, que considera "afetar seriamente não apenas a saúde pública naquele país, mas também a saúde global". A sociedade científica critica a restrição à divulgação de dados sobre populações vulneráveis, que, segundo ela, "dificultará a identificação de desigualdades na saúde", bem como as demissões em massa e os cortes orçamentários em agências importantes.

Nesse documento, a ESS alerta para o impacto ambiental dessas medidas, com demissões na Agência de Proteção Ambiental (EPA) e a eliminação de regulamentações sobre poluentes, entre outras. A ESS também está preocupada com as consequências dessas decisões na prevenção do câncer, pois a saída dos EUA da OMS pode enfraquecer os esforços globais na luta contra o câncer.

Também aponta para o impacto negativo dessas políticas nos programas de vacinação, com o consequente risco para a população como um todo e especialmente para as populações vulneráveis. "As dificuldades na erradicação global da poliomielite e o recente surto de sarampo no Texas são exemplos disso", observa.

FOMENTO DE PARCERIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS

A ESS adverte que o enfraquecimento das instituições e organizações de saúde compromete a capacidade da comunidade internacional de enfrentar desafios transnacionais, como as mudanças climáticas, e também "põe em risco" a preparação e a resposta a ameaças futuras, como epidemias e pandemias.

A sociedade ressalta que essas políticas aumentam as desigualdades sociais existentes, pois o desaparecimento de determinados programas e ações "pode ter um impacto significativo sobre as populações mais vulneráveis em países de baixa renda".

Com essas ações, a SEE busca promover alianças entre sociedades científicas nacionais e internacionais no campo da saúde pública e da epidemiologia para fortalecer organizações internacionais como o Joint Research Centre (JRC) ou o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC).

Além disso, a ESS destaca o "papel fundamental" desempenhado pela OMS na promoção da saúde, na preservação da segurança global e no atendimento às populações vulneráveis. "Seu trabalho contribuiu significativamente para marcos históricos como a erradicação da varíola, a redução drástica da mortalidade infantil e a contenção de surtos epidêmicos por meio de estratégias de vacinação e vigilância epidemiológica", explicam.

Eles pedem maior financiamento para pesquisas e programas em áreas enfraquecidas pelas ações do governo dos EUA, como pesquisas sensíveis ao gênero e pesquisas sobre grupos particularmente vulneráveis. Portanto, eles insistem que a união das sociedades científicas e o apoio das instituições internacionais de saúde pública são essenciais para proteger as conquistas obtidas após muitos esforços e, assim, avançar em direção a um futuro mais saudável, mais equitativo e mais seguro para todas as pessoas.

Em resumo, eles transmitem a mensagem de que a saúde pública deve ser "uma ponte para a unidade e a ação conjunta" e que, em nenhuma circunstância, pode se tornar uma ferramenta a ser usada para fins políticos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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