Publicado 13/05/2025 08:59

Sociedades científicas elaboram uma pirâmide do sono com hábitos para ajudar as pessoas a dormir melhor

Apresentação da pirâmide do sono.
SEMG Y ALIANZA POR EL SUEÑO

Solicitação ao Ministério da Saúde para financiamento de antagonistas da orexina para insônia crônica

MADRID, 13 maio (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Médicos Gerais e de Família (SEMG) e a Aliança do Sono apresentaram nesta terça-feira um guia educativo em forma de pirâmide que inclui uma série de hábitos de higiene do sono destinados a enfrentar problemas relacionados, como a insônia, que afeta 43% da população na Espanha.

"Consideramos o sono como um dos pilares da saúde e do bem-estar, da mesma forma que a dieta e o exercício", disse Lorenzo Armenteros, membro do Grupo de Trabalho de Saúde Mental da SEMG e da Aliança do Sono, durante a apresentação da pirâmide, que tem o apoio do Fórum Espanhol de Pacientes (FEP), do Conselho Geral de Psicologia da Espanha (COP) e da Federação Espanhola de Sociedades de Medicina do Sono (FESMES).

Armenteros explicou que o sono "não é um processo passivo", pois é durante o sono que a memória e o aprendizado são consolidados, o sistema imunológico é fortalecido e as substâncias tóxicas são limpas do cérebro. Nesse sentido, a falta de sono aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e contribui para a obesidade, alertou.

Do ponto de vista psicológico, o secretário geral do Conselho Geral de Psicologia da Espanha (COP), José Tenorio, detalhou que dormir mal aumenta o estresse, a ansiedade, a fadiga, a irascibilidade, o risco de dependência de hipnosedativos e dificulta a concentração e a memória. Tudo isso implica uma perda de qualidade de vida.

Nesse sentido, a pirâmide do sono, semelhante à utilizada para os hábitos alimentares, pretende ser uma ferramenta para aliviar esses problemas por meio de uma organização em quatro níveis. "O dia começa quando vamos descansar, não quando acordamos. Mas, por sua vez, tudo o que acontece durante o dia influencia nosso descanso", disse Tenorio, que também é membro da Sleep Alliance.

O primeiro nível da pirâmide concentra-se nos ritmos circadianos e nos horários a serem seguidos de acordo com os padrões do ciclo sono/vigília. Nesse ponto, Tenorio ressaltou que não se trata de seguir o padrão tradicional em que o dia é dividido em três períodos de oito horas, mas de sempre manter um horário regular para sair da cama e jantar cedo para ir para a cama com a digestão feita.

O segundo nível está focado em diferentes rotinas que ajudam a desconectar ao longo do dia, como controlar o nível de exposição à luz solar e artificial e evitar líquidos antes de dormir, entre outras práticas. Em relação à última dica, o ideal seria ir para a cama sem sede, mas também evitar ir ao banheiro durante a noite.

O terceiro elo está relacionado ao ato de dormir propriamente dito, levando em conta fatores externos, como a temperatura do quarto, que deve estar entre 17 e 21 graus, a intensidade da luz e o ruído.

Por fim, o topo da pirâmide se refere ao momento de estar na cama pronto para dormir, portanto, devem ser evitados distúrbios mentais, como preocupações do dia ou discussões, bem como ficar na cama se não conseguir pegar no sono.

Para facilitar a implementação desses hábitos saudáveis, o documento inclui um conjunto de folhas de registro do sono para que todos possam definir seus próprios hábitos e metas a serem alcançados, possibilitando algum controle na aquisição de boas práticas de higiene do sono.

ABUSO DE BENZODIAZEPÍNICOS

Essa pirâmide do sono vem se somar às ferramentas existentes atualmente para reduzir os problemas de sono da população, o que, como acrescentou o presidente da Federação Espanhola das Sociedades de Medicina do Sono (FESMES), Carlos Egea, tem um impacto considerável. Sessenta por cento da população não cumpre a "janela mágica" do sono, ou seja, as sete a nove horas recomendadas, enquanto 15% sofrem de insônia crônica.

Os remédios usados pelos especialistas para a insônia crônica, que dura mais de três meses e afeta a vida diária, são a terapia cognitivo-comportamental e o tratamento farmacológico, sendo que o último gera controvérsia devido ao uso abusivo de benzodiazepínicos no país, que é um dos líderes em termos de consumo.

Lorenzo Armenteros explicou que o uso inadequado de benzodiazepínicos, sem supervisão médica e por períodos prolongados, gera dependência e causa uma deterioração no desenvolvimento cognitivo, aumentando o risco de acidentes ou quedas e promovendo insônia crônica a longo prazo.

Como alternativa, ele apontou os antagonistas da orexina, que atuam na vigília e, por terem um mecanismo diferente dos benzodiazepínicos, evitam os efeitos diurnos dos benzodiazepínicos e a dependência, sem ser um recurso que possa ser usado pelo resto da vida.

Segundo ele, esses medicamentos não são financiados pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS) "por uma questão político-econômica", uma vez que, do ponto de vista da saúde, têm eficácia comprovada. Por essa razão, ele instou o Ministério da Saúde a financiar esse tratamento.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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