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MADRID 14 jan. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina Preventiva, Saúde Pública e Gestão Sanitária (SEMPSPGS) manifestou nesta quarta-feira a sua rejeição à proposta de criação de uma nova especialidade médica em doenças infecciosas, argumentando que “não é a resposta mais adequada aos desafios atuais e futuros neste domínio” e que “não traria valor acrescentado real ao atual modelo sanitário espanhol”.
A SEMPSPGS desenvolveu sua posição em um comunicado no qual afirma reconhecer plenamente a crescente relevância das doenças infecciosas na prática clínica, na saúde pública e na gestão sanitária, bem como a necessidade de continuar fortalecendo a capacidade do sistema para sua prevenção, diagnóstico, tratamento e controle.
No entanto, assegura que as especialidades de medicina interna, microbiologia clínica, medicina preventiva e saúde pública, juntamente com as áreas de assistência pediátrica, cuidados intensivos, hematologia e hemoterapia, cirurgia, anestesiologia e reanimação, e cuidados primários cobrem “solidamente” a assistência às doenças infecciosas em Espanha. “Este modelo demonstrou eficácia, eficiência e capacidade de resposta, tanto na prática comum como em situações de crises sanitárias recentes”, afirma. Neste sentido, adverte que a criação de uma especialidade de doenças infecciosas favoreceria a atomização e fragmentação do sistema, o que poderia acarretar perda de continuidade asistencial, aumento das consultas múltiplas e deterioração da assistência a pacientes complexos.
Paralelamente, considera que teria um impacto negativo nos recursos humanos e agravaria a escassez de profissionais em medicina interna e preventiva, uma vez que muitos profissionais atualmente formados e comprometidos com o atendimento a infecções poderiam ser deslocados ou incentivados a mudar de trajetória profissional. Além desses argumentos, a sociedade aponta para o aumento dos custos estruturais decorrentes da necessidade de novas estruturas organizacionais, novas vagas de formação e novos dispositivos de assistência. Além disso, ela ressalta que, considerando que as competências que essa especialidade contemplaria já são regulamentadas e exercidas por outras, isso geraria conflitos legais e corporativos. ALTERNATIVA A Sociedade Espanhola de Medicina Preventiva, Saúde Pública e Gestão Sanitária destaca que o futuro do atendimento às doenças infecciosas passa pelo reforço da formação, coordenação e integração, e não pela multiplicação de especialidades.
Assim, defende que a via “mais eficiente e sustentável” consiste em potenciar a capacitação específica em doenças infecciosas dentro das especialidades existentes, desenvolver áreas de capacitação específica (ACE), itinerários formativos avançados e sistemas de acreditação profissional e impulsionar modelos multidisciplinares estáveis, que integrem clínica, microbiologia, prevenção e gestão.
Juntamente com estas três propostas, acrescenta outra destinada a reforçar a formação regulamentada em Medicina Preventiva e Saúde Pública, garantindo competências avançadas em vigilância epidemiológica, controlo de infeções, resistências antimicrobianas e preparação para emergências sanitárias. “Apostamos num sistema forte, coeso e orientado para a eficiência clínica e populacional. A SEMPSPGS reitera seu compromisso com a melhoria contínua do Sistema Nacional de Saúde e com um modelo de atendimento a doenças infecciosas baseado na excelência profissional, na cooperação interdisciplinar e na responsabilidade institucional”, conclui.
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