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MADRID 12 jun. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Patologia Digestiva (SEPD) destacou o uso de técnicas de "biofeedback", uma ferramenta que se concentra na reeducação do paciente com o objetivo de melhorar o componente somático dos distúrbios digestivos funcionais.
A AEPD explicou que aproximadamente metade dos pacientes que procuram a consulta por causa de sintomas digestivos não tem uma doença orgânica identificável por métodos de diagnóstico convencionais. Esses casos são chamados de distúrbios digestivos funcionais ou distúrbios da interação intestino-cérebro, em que não há lesões ou inflamações visíveis, mas sim alterações no funcionamento do sistema digestivo.
De acordo com a Sociedade, o que acontece com esse tipo de distúrbio é um controle deficiente do sistema nervoso sobre o trato digestivo, incluindo nervos viscerais (involuntários) que podem ser excessivamente sensíveis ou responder de forma anormal. Mas, além disso, foi identificado um componente somático que afeta os músculos controlados voluntariamente, como o períneo, o diafragma ou a musculatura abdominal, e que também influencia sintomas frequentes como constipação, incontinência anal ou distensão abdominal.
Nesse ponto, a AEPD defendeu as técnicas de "biofeedback" para melhorar os distúrbios digestivos funcionais. Isso foi destacado durante a apresentação "Tratamento com biofeedback não instrumental em distúrbios digestivos funcionais", realizada no 84º Congresso da SEPD.
"As técnicas de biofeedback têm se mostrado eficazes no tratamento do componente somático dos distúrbios da função digestiva, incluindo a incontinência anal, que é muito comum, especialmente em mulheres que tiveram vários partos durante a vida. A incontinência está associada a uma alteração em sua qualidade de vida", disse o Dr. Fernando Azpiroz, especialista da SEPD, que acrescentou que outro exemplo é a distensão abdominal, "é característico que os pacientes acordem de manhã com um estômago normal e fiquem progressivamente distendidos ao longo do dia".
Por outro lado, também há casos em que as pessoas sofrem de prisão de ventre, que pode ser simples ou com intestino irritável, e na maioria deles esse sintoma ocorre porque os músculos do períneo não funcionam adequadamente.
"Normalmente, a manobra defecatória consiste na compressão abdominal associada ao relaxamento anal. Alguns pacientes tentam um relaxamento anal defeituoso, ou mesmo uma contração paradoxal, o que dificulta a evacuação. Nesses casos, técnicas de reeducação podem ser usadas para ajudar o paciente a resolver o defeito expulsivo", diz Azpiroz. De fato, há até mesmo tiques digestivos, como ruminação ou aerofagia, que também respondem bem às técnicas de reeducação.
"O componente somático dos distúrbios da função digestiva pode ser primário, como causa dos sintomas digestivos, ou secundário, ou seja, desencadeado por sintomas viscerais. De fato, em alguns casos, a correção do componente somático por meio de 'biofeedback' pode melhorar os sintomas viscerais", acrescentou.
De acordo com o especialista, o problema com os tratamentos de biofeedback é que "o acesso a esses tipos de técnicas de tratamento é limitado, pois são técnicas que exigem pessoal treinado e equipamentos específicos", o que faz com que muitos pacientes com esse tipo de alteração não se beneficiem desse tratamento. O objetivo da palestra foi apresentar uma nova perspectiva de 'biofeedback' não instrumental, ou seja, guiado manualmente pelo operador, que não requer equipamentos especiais e pode ser realizado no consultório médico.
"Algumas dessas técnicas (para o tratamento da incontinência anal e da distensão abdominal) já se mostraram eficazes em estudos controlados e outras (tratamento do defeito expulsivo, ruminação e aerofagia) ainda estão em desenvolvimento. O interesse dessa metodologia é a sua aplicabilidade, que possibilitará descarregar a atividade dos centros de referência e, assim, estar disponível para os pacientes refratários", diz ele.
DISTÚRBIOS DIGESTIVOS FUNCIONAIS
A Sociedade explicou que os distúrbios digestivos funcionais, também chamados de distúrbios de interação intestino-cérebro, são sintomas gastrointestinais causados por fatores de hipersensibilidade visceral e motilidade alterada, que podem estar relacionados a alterações na microbiota, na mucosa e na função imunológica, além de distúrbios no processamento do sistema nervoso central.
Exemplos comuns incluem a síndrome do intestino irritável (SII), constipação funcional, inchaço, dispepsia funcional, incontinência fecal, aerofagia e outros.
A principal característica desses distúrbios é a ausência de alterações inflamatórias ou estruturais nos órgãos digestivos. No entanto, seu impacto na qualidade de vida é considerável, causando não apenas desconforto físico, mas também sofrimento emocional, ansiedade ou até mesmo isolamento social. O diagnóstico geralmente é clínico e se baseia em grande parte no histórico clínico do paciente, em um exame físico e em possíveis exames complementares, como raios X ou endoscopia.
A AEPD ressalta que, embora as técnicas de biofeedback representem uma nova estratégia terapêutica nesse campo, o tratamento de distúrbios digestivos funcionais geralmente requer uma abordagem multifatorial. Isso pode incluir mudanças no estilo de vida, como seguir uma dieta balanceada, praticar exercícios físicos regularmente ou aprender técnicas de controle do estresse, além de tratamento farmacológico com antiespasmódicos, moduladores do sistema nervoso central ou probióticos, dependendo da sintomatologia.
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