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MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Feridas (SEHER) alertou que a falta de critérios uniformes em relação às mordidas causadas por animais pode dificultar o tratamento de feridas com risco de infecção.
Por esse motivo, a SEHER reivindica critérios de atuação que facilitem um manejo clínico padronizado. O presidente da sociedade, Daniel Chaverri, destacou que o tratamento dessas lesões exige integrar o manejo do risco infeccioso aos princípios da cirurgia reparadora.
Nesse contexto, a SEHER destaca que as lesões causadas por animais constituem um motivo frequente de atendimento nos serviços de emergência e afetam aproximadamente 2% da população espanhola, sendo a mordida de cão a mais frequente (60-90%), seguida pela de gato (5-20%) e pela causada por seres humanos (4-23%).
As lesões são classificadas em mordidas, arranhões, picadas e lesões secundárias, como fraturas ou entorses. Segundo os especialistas, cada tipo de lesão apresenta um perfil de risco infeccioso diferente, que varia de acordo com o animal envolvido e as características do ferimento.
Por exemplo, as mordidas de cães apresentam taxas de infecção de 18 a 20 por cento, enquanto as de gatos podem infeccionar em até 80 por cento dos casos e as de humanos representam um risco de transmissão das hepatites B e C.
“Embora algumas dessas lesões possam parecer pouco graves inicialmente, é fundamental uma avaliação adequada e um tratamento precoce para reduzir o risco de complicações”, destacou Encarnación Carreño, especialista em Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética e membro do comitê científico da SEHER.
A abordagem inicial baseia-se em três pilares. O primeiro deles é a notificação do incidente, que é obrigatória devido ao risco à saúde pública, incluindo a comunicação ao tribunal em caso de agressão e a notificação urgente ao Serviço de Epidemiologia se houver suspeita de raiva. Em segundo lugar, tratamento local imediato por meio de lavagem com água e sabão por 15 minutos, irrigação, remoção de corpos estranhos e avaliação de possíveis lesões profundas. Por fim, medidas preventivas contra infecções, como profilaxia antibiótica de acordo com o tipo de ferida e o paciente, além da avaliação do risco de tétano e raiva.
TRATAMENTO CIRÚRGICO
Os especialistas destacam que, sempre que possível, deve-se realizar a sutura imediata do ferimento: o fechamento primário. Ferimentos causados por mordidas podem ser fechados. “Esse conceito gera muita controvérsia, pois é comum a ideia de que eles devem ser sempre deixados abertos. Acima de tudo, o fechamento primário é indicado em feridas faciais, feridas limpas e feridas recentes com baixo risco de infecção”, esclarece a cirurgiã.
Em outros casos, recomenda-se o fechamento diferido ou deixar a ferida aberta. Opta-se pelo fechamento tardio em feridas perfurantes, mordidas nas mãos/pés/genitais, feridas infectadas ou com mais de 8 a 12 horas de evolução. A avaliação inicial correta e a decisão sobre o fechamento da ferida são elementos-chave no tratamento dessas lesões, concluem os especialistas.
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