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MADRID 29 jan. (EUROPA PRESS) - A Sociedade Espanhola da Dor (SED) solicitou que sejam acelerados os trâmites pendentes para o acesso a medicamentos à base de cannabis, com o objetivo de que cheguem o mais rápido possível aos pacientes que deles necessitam, especialmente aqueles com dor crônica refratária, ou seja, persistente e que não responde aos tratamentos convencionais.
“A dor crônica refratária coloca o paciente em uma situação extrema, e muitos deles veem com esperança a chegada de uma nova ferramenta terapêutica, como são os medicamentos canabinoides, sempre dentro de um tratamento médico regulamentado”, explicou o coordenador do Grupo de Trabalho de Canabinoides da SED, Jesús de Santiago.
Por ocasião da jornada “Medicamentos à base de cannabis: olhando para o futuro”, que se celebra esta sexta-feira, a sociedade científica expressou sua preocupação com o fato de os tratamentos nunca chegarem aos pacientes devido ao fato de que o Real Decreto que regula seu uso, apesar de ter sido publicado no Boletim Oficial do Estado (BOE) desde outubro, teve avanços limitados. “A nível profissional, não tivemos informações claras sobre prazos. Recentemente, foram incluídos os preparados padronizados de cannabis no formulário nacional, mas não sabemos a partir de que data os especialistas poderemos contar com esses tratamentos na prática clínica”, afirmou de Santiago. Por outro lado, a SED expressou seu ponto de vista sobre as especialidades que devem estar habilitadas para prescrever esse tipo de medicamento, bem como sobre sua dispensação. O Real Decreto estabelece que a prescrição deve ser feita por um especialista nas indicações descritas na regulamentação e que a dispensação será realizada na farmácia hospitalar. No entanto, a sociedade científica considera que este modelo poderá evoluir no futuro. “Atualmente, as farmácias comunitárias já dispensam opioides maiores, como oxicodona ou fentanilo. Do nosso ponto de vista, o próximo passo deveria ser a dispensação em farmácias comunitárias, com as devidas medidas de controle e acompanhamento da dispensação”, afirmou de Santiago.
No que diz respeito à prescrição, atualmente ela pode ser feita por especialistas em neurologia, anestesiologia e reabilitação, oncologia médica e radioterápica e, em geral, por qualquer médico que trabalhe em ambiente hospitalar, atenda pacientes que atendam à indicação e tenha os conhecimentos necessários para tratar essas condições.
A este respeito, a SED indicou que, a médio prazo, se deveria avançar para que o médico de cuidados primários (CP), previamente formado e com indicações baseadas em evidências e exclusão de contraindicações, pudesse prescrever tratamentos com canabinóides, tal como já faz com os opióides.
A presidente da SED, María Madariaga, apoiou a ideia de que “a Atenção Primária, especialidade médica que sustenta a assistência sanitária e a prescrição coordenada de medicamentos, tenha acesso, como outras especialidades, à formação para a indicação, prescrição e acompanhamento de formulações magistrais à base de canabinoides”. PERSPECTIVA DO PACIENTE
Por sua vez, a fundadora da Associação de Pacientes Dosemociones e do Observatório Espanhol de Cannabis Medicinal, Carola Pérez, detalhou a perspectiva dos pacientes, destacando que o Real Decreto sobre Cannabis Medicinal é “um primeiro passo”, mas insuficiente, pois deixa sem resolver aspectos como as vias de administração excluídas, o âmbito assistencial, a formação dos profissionais e o papel dos pacientes.
A porta-voz do Observatório também alertou para o amplo desconhecimento social sobre a complexidade da cannabis medicinal e apontou que existe uma visão incompleta sobre essas terapias. “Muitos novos pacientes recebem informações de fontes pouco rigorosas”, alertou, reivindicando o papel das associações como aliadas na melhoria do modelo terapêutico.
Em sua opinião, a colaboração ativa dos pacientes garantirá um acesso seguro e eficaz a esses tratamentos, cuja evidência científica é confirmada progressivamente. “A regulamentação por si só não garante o acesso. Em todos os trâmites, deve-se levar em conta a voz dos pacientes, tanto no desenvolvimento do modelo de assistência quanto nos estudos clínicos”, reivindicou.
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