Publicado 15/09/2026 12:21

São identificados três perfis de pacientes com HIV associados ao surgimento de hepatite C e ISTs bacterianas

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MADRID 15 set. (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores do Grupo de Estudo sobre Aids (GeSIDA) da Associação Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (SEIMC), da Coorte da Rede de Pesquisas sobre Aids (CoRIS) e da área de Doenças Infecciosas do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBERINFEC) identificaram três perfis de pacientes com HIV associados ao surgimento de hepatite C aguda e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) bacterianas.

Conforme detalhado pela GeSIDA em um comunicado, as ISTs bacterianas e a hepatite C constituem um importante problema de saúde entre os homens com HIV que mantêm relações sexuais com outros homens, mas sua frequência varia de acordo com as práticas e o histórico de cada pessoa. Os resultados do estudo, publicado na revista “AIDS”, buscam ampliar o conhecimento para orientar o rastreamento e adaptar a prevenção às necessidades de cada paciente.

A análise, realizada no âmbito do estudo “Athens”, promovido e coordenado pela Fundação SEIMC/GeSIDA, acompanhou 529 participantes por 12 meses, com idade mediana de 41 anos. Os pesquisadores combinaram dados clínicos com questionários preenchidos pelos próprios participantes sobre práticas sexuais, uso de substâncias e saúde mental.

Além disso, foram realizados exames para hepatite C, sífilis, gonorreia e clamídia no início do estudo e aos seis e 12 meses, independentemente da presença de sintomas, além dos indicados por motivos clínicos.

Dessa forma, o estudo identificou três perfis de pacientes, com diferenças marcantes no que diz respeito aos níveis de exposição a práticas associadas ao risco de infecção, bem como em relação aos antecedentes clínicos.

O perfil de menor exposição, denominado fenótipo 1, reuniu 328 participantes, 62% da amostra. O perfil intermediário, ou fenótipo 2, incluiu 133 participantes, 25%, e caracterizou-se por um padrão de consumo de substâncias associado ao sexo, o “chemsex”, com menor associação a práticas de alta intensidade, como o uso de drogas por via injetável ou intrarretal.

O perfil de maior exposição, ou fenótipo 3, composto por 68 participantes, ou seja, 13%, apresentou maior associação com o consumo de metanfetamina, a administração de drogas por essas vias, práticas relacionadas a possíveis lesões da mucosa retal, como o “fisting”, e histórico de hepatite C.

CASOS DE HEPATITE C AGUDA

Durante o acompanhamento, foram registrados 12 episódios de hepatite C aguda. Oito deles ocorreram entre os 68 participantes do perfil de maior exposição, contra três episódios entre os 328 participantes do perfil de menor exposição.

As taxas foram de 0,94, 0,72 e 11,76 episódios por 100 pessoas por ano nos perfis de menor exposição, intermediário e de maior exposição, respectivamente. A taxa de hepatite C no perfil de maior exposição foi cerca de 12,5 vezes superior à observada no perfil de menor exposição.

Além disso, foram registrados 332 episódios de ISTs bacterianas em 212 participantes; entre eles, 114 episódios de sífilis, 121 de gonorreia e 97 de clamídia. No conjunto, as ITS bacterianas foram quase o dobro de frequentes nos perfis de exposição intermediária e elevada do que no de menor exposição.

As taxas combinadas de sífilis, gonorreia e clamídia foram de 3,29 episódios por cada 100 pessoas por ano no perfil de menor exposição, contra 60,83 e 61,76 nos perfis intermediário e de maior exposição, respectivamente.

As diferenças foram especialmente acentuadas para a gonorreia, cuja incidência aumentou de 10,68 casos por cada 100 pessoas por ano no perfil de menor exposição para 23,90 no perfil intermediário e 33,82 no de maior exposição. Assim, a taxa de gonorreia no perfil de maior exposição foi aproximadamente três vezes superior à observada no perfil de menor exposição.

COMBINA INFORMAÇÕES SOBRE DETERMINADAS PRÁTICAS E ANTECEDENTES

Os autores destacaram que a pesquisa estudou como se combinam as práticas sexuais, o uso de substâncias, a saúde mental e o histórico de infecção em cada pessoa — uma abordagem inovadora em relação a trabalhos anteriores, que se concentravam principalmente em fatores de risco individuais.

“O ponto-chave é que determinadas práticas e antecedentes costumam ocorrer em conjunto. Reconhecer essas combinações nos ajuda a compreender melhor o risco de infecção e abre a possibilidade de utilizar questionários breves durante a consulta para identificar esses perfis e personalizar a triagem e a prevenção”, explicou o primeiro autor do trabalho, Juan Berenguer, do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón.

O estudo sugere a possibilidade de avançar para um acompanhamento mais adaptado do nível de exposição de cada pessoa, utilizando algumas poucas perguntas específicas sobre práticas sexuais recentes, uso de substâncias durante as relações sexuais e vias de administração, juntamente com o histórico de hepatite C e ISTs.

Os pesquisadores destacaram que a realização de estudos adicionais permitirá validar essa avaliação breve em outros contextos e definir como aproveitá-la para melhorar o atendimento e o uso eficiente dos recursos de saúde.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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