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MADRID 12 ago. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores da Sociedade Americana contra o Câncer e da Escola de Saúde Pública Rollins da Universidade Emory (Estados Unidos) identificaram alterações metabólicas que poderiam estar relacionadas à associação entre a exposição à poluição do ar e o risco futuro de desenvolver câncer de pulmão.
O estudo, publicado na revista “Nature Communications”, indica que essas alterações foram detectáveis vários anos antes de os participantes receberem o diagnóstico de câncer de pulmão. As descobertas podem ajudar a definir futuras estratégias de pesquisa, detecção e prevenção da doença.
Embora a exposição à poluição atmosférica seja reconhecida como uma das principais causas ambientais do câncer de pulmão, as evidências sobre as alterações que ocorrem no organismo após a exposição à poluição atmosférica e que levam a esses efeitos adversos à saúde são escassas.
Nesse contexto, os pesquisadores analisaram mais de 1.100 metabólitos a partir de amostras de sangue de 1.357 pessoas sem câncer no momento da coleta. Dessas, 671 foram diagnosticadas com câncer de pulmão entre a coleta de sangue e 2015. A maioria dos participantes era branca (96%), ex-fumantes (59%) e havia sido exposta ao fumo passivo durante a infância (70,5%).
Dessa forma, foram identificadas alterações nos metabólitos relacionadas a uma maior exposição prolongada à poluição atmosférica. Essas alterações na química normal do organismo envolviam inflamação, estresse oxidativo, desintoxicação e metabolismo energético — processos associados a um maior risco de câncer de pulmão.
Essas alterações biológicas relacionadas à poluição do ar poderiam orientar o desenvolvimento futuro de biomarcadores sanguíneos para ajudar a identificar mais pessoas com maior risco de câncer de pulmão e reforçar as evidências das estratégias de saúde pública voltadas para a prevenção.
IMPORTÂNCIA DO ESTUDO
A Dra. Ying Wang, doutora em epidemiologia, pesquisadora-chefe de epidemiologia na Sociedade Americana do Câncer e coautora principal do estudo, destacou que a poluição do ar é considerada um carcinógeno humano e que, em estudos epidemiológicos, a associação com o câncer de pulmão costuma ser mais forte entre pessoas que nunca fumaram.
“Isso nos indica que algo significativo está ocorrendo no nível biológico, mas ainda não compreendemos os mecanismos. Estudos como este, que analisam as alterações mensuráveis no organismo anos antes de um diagnóstico, são a chave para começarmos a compreender essa questão”, explicou ela, ressaltando a relevância da pesquisa.
O professor associado de saúde ambiental na Escola de Saúde Pública Rollins e coautor principal do estudo, Donghai Liang, alertou que, embora o consumo de tabaco seja um fator de risco fundamental no desenvolvimento do câncer de pulmão, uma porcentagem significativa dos casos é diagnosticada em pessoas que nunca fumaram ou que, embora já tenham fumado alguma vez, não se enquadram nos critérios para se submeterem a exames de rastreamento.
“Compreender os fatores de risco não relacionados ao tabagismo, como a poluição do ar, é fundamental para a prevenção e a detecção precoce do câncer”, destacou.
Nesse sentido, ele ressaltou que, se novas pesquisas validarem os resultados, talvez um dia eles ajudem a identificar as pessoas com maior risco e a determinar se a exposição à poluição atmosférica deveria ser levada em consideração em futuras estratégias de prevenção e detecção.
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