Publicado 26/02/2025 14:40

O sistema imunológico pode extrair nutrientes dos agentes patogênicos que ingere.

Archivo - Arquivo - Macrófagos de camundongo visualizados em uma imagem de microscópio confocal. Os núcleos são mostrados em azul e a rede de actina em laranja.
MÓNICA FERNÁNDEZ MONREAL, BORDEAUX IMAGING CENTRE

MADRID 26 fev. (EUROPA PRESS) -

Um estudo do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer (CNIO) da Espanha revelou um mecanismo "surpreendente" do sistema imunológico, pelo qual os macrófagos podem extrair nutrientes "diretamente" dos agentes patogênicos que ingerem, como bactérias ou vírus nocivos.

Os macrófagos são células do sistema imunológico capazes de ingerir detritos, como células danificadas e grandes patógenos, uma função "fundamental" para a manutenção e o funcionamento adequado dos tecidos do corpo, embora os cientistas ainda não saibam ao certo a importância da energia que eles obtêm no processo para o corpo.

"Esta é a primeira vez que essa capacidade dos macrófagos foi demonstrada (...) Nosso trabalho sugere que é importante para os macrófagos que tenham essa capacidade de fagocitose. Para o sistema imunológico em geral, ainda não podemos dizer", diz Johan Garaude, pesquisador do Inserm e principal autor do estudo, publicado na revista 'Nature' e no qual ele colaborou com o CNIO.

O pesquisador explicou que, em condições normais, os macrófagos 'comem' apenas algumas bactérias, mas que, quando há uma infecção, os macrófagos "podem 'comer' até cem bactérias sem problemas", algo que eles conseguiram comprovar in vitro.

Esse trabalho também mostra que os macrófagos extraem nutrientes "com mais eficiência" de bactérias mortas do que de bactérias vivas, depois de comparar o metabolismo dessas células em diferentes ambientes, como com bactérias vivas, com bactérias mortas e na presença de um componente da membrana bacteriana conhecido por ativar essas células.

"Os macrófagos que fagocitaram bactérias inteiras, vivas ou mortas, têm um metabolismo muito diferente daqueles que foram ativados apenas pela membrana bacteriana. Isso sugere que os macrófagos usam as bactérias como fonte de nutrientes para manter seu próprio metabolismo e também para garantir a especificidade de sua função no sistema imunológico", explica Garaude.

Além disso, eles puderam observar como os macrófagos que digeriram bactérias mortas têm "muito mais probabilidade" de sobreviver em um ambiente pobre em nutrientes, uma diferença que "pode favorecer" a sobrevivência dos macrófagos quando há uma infecção, já que nos tecidos infectados há uma escassez de nutrientes porque as bactérias, que "se reproduzem em alta velocidade", já os consumiram.

Embora a importância desse mecanismo nas infecções bacterianas ainda não tenha sido explorada, os cientistas destacaram que esses resultados "abrem novos caminhos" para combater a resistência aos antibióticos ou para abordagens inovadoras no campo das vacinas.

"A ideia seria adicionar certos metabólitos para direcionar a ação do sistema imunológico. A adição de metabólitos poderia modificar (apoiar ou desacelerar) a resposta imunológica necessária em uma vacina, seja no caso de infecções ou no caso de imunoterapia contra o câncer ou doenças inflamatórias", acrescentou Garaude.

Alejo Efeyan, chefe do Grupo de Metabolismo e Sinalização Celular do CNIO, explicou que, quando os macrófagos eliminam um patógeno, eles também "reciclam seus componentes, na forma de nutrientes e energia, que são usados pela célula imunológica".

Efeyan também disse que sua função tem sido "ajudar a entender como o mecanismo de digestão celular e a detecção de nutrientes reciclados são importantes para que esse processo de reciclagem funcione e para ajustar a resposta imunológica".

Ele também enfatizou que a compreensão de que a reciclagem varia dependendo do fato de as bactérias ingeridas estarem vivas ou mortas "é extremamente importante, porque uma infecção ativa é muito mais alarmante para o sistema imunológico do que uma infecção controlada", e que os macrófagos "produzem mensagens que atraem mais células de defesa" ao digerir uma bactéria viva.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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