MARIO SUCERQUIA (UNIV. GRENOBLE ALPES)
GRANADA 24 out. (EUROPA PRESS) -
O Instituto de Astrofísica de Andalucía, parte do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (IAA-CSIC), co-liderou um estudo que revela pela primeira vez planetas do tamanho da Terra orbitando ambas as estrelas de um sistema binário extremamente compacto.
Os sistemas binários - formados por duas estrelas que orbitam um centro comum - são muito comuns em nossa galáxia, de acordo com o IAA-CSIC em um comunicado à imprensa na sexta-feira. Entretanto, encontrar planetas neles é um verdadeiro desafio: a atração gravitacional de dois sóis complica tanto sua formação quanto sua estabilidade.
Por esse motivo, cada nova descoberta nesse tipo de ambiente oferece pistas importantes sobre como e onde os planetas podem se formar. Nesse contexto, o IAA-CSIC co-liderou essa descoberta de um sistema formado por duas estrelas muito pequenas e frias, do tipo M5 e M6, orbitando excepcionalmente perto uma da outra.
O mais surpreendente para os especialistas é que foram encontradas fortes evidências de planetas do tamanho da Terra transitando na frente de ambas as estrelas, um resultado sem precedentes para esses sistemas. "Até agora, em sistemas binários com planetas conhecidos, eles eram sempre encontrados em torno de uma única estrela ou, em casos muito raros, em torno de ambas, mas nesses sistemas as estrelas estavam muito distantes", explicou o pesquisador do IAA-CSIC e co-líder do estudo, Francisco J. Pozuelos.
"Um caso como o TOI-2267 nunca foi observado antes. Essa descoberta, publicada nesta sexta-feira na revista científica 'Astronomy & Astrophysics', é "especialmente relevante porque fornece novos dados sobre a formação e a estabilidade de planetas em ambientes de estrelas duplas, há muito tempo considerados hostis ao desenvolvimento de sistemas planetários complexos".
O TOI-2267 é um sistema binário compacto localizado a cerca de 190 anos-luz da Terra, composto por duas estrelas que orbitam a uma distância muito pequena uma da outra. Do ponto de vista humano, elas parecem estar separadas por uma distância equivalente a cerca de oito vezes a distância entre a Terra e o Sol.
Essa medida é chamada de "separação projetada" e representa a distância mínima aparente no céu, embora a separação real possa ser um pouco maior. Esses sistemas criam um ambiente gravitacional complexo, que não é muito favorável à formação de planetas.
No entanto, os pesquisadores identificaram três corpos semelhantes à Terra em órbitas muito curtas, uma descoberta que desafia vários modelos clássicos de formação de planetas. "Nossa descoberta bate vários recordes, pois é o par de estrelas mais compacto e mais frio conhecido com planetas, e também é o primeiro em que planetas em trânsito foram registrados em torno de ambos os componentes", explica Pozuelos.
A contribuição do Instituto de Astrofísica da Andaluzia foi decisiva para essa descoberta: graças ao seu próprio software de busca de exoplanetas, chamado Sherlock, a equipe conseguiu detectar dois dos três planetas desse sistema antes mesmo da missão TESS da NASA, acessando os dados que esta última havia tornado públicos.
Essa descoberta precoce permitiu que a equipe planejasse observações de acompanhamento com telescópios terrestres com mais de um ano de vantagem sobre outras equipes internacionais, o que foi fundamental para liderar o estudo. Entre essas observações, destacam-se as feitas com o telescópio de 1,5 metro do Observatório de Sierra Nevada, na província de Granada, gerenciado cientificamente pelo IAA-CSIC, cujos dados foram essenciais para entender em detalhes a natureza desse sistema planetário único.
A confirmação definitiva de que se tratava de planetas exigiu uma intensa campanha em vários observatórios. Entre eles, os telescópios Speculoos e Trappist, liderados pela Universidade de Liège (Bélgica), desempenharam um papel importante.
"Essa descoberta nos permite testar os limites dos modelos de formação de planetas em ambientes complexos e entender melhor a diversidade de possíveis arquiteturas planetárias em nossa galáxia", disse o membro do grupo Exotic da Universidade de Liège e principal autor do estudo, Sebastián Zúñiga-Fernández.
A descoberta levanta muitas questões sobre a formação de planetas em sistemas binários e abre caminho para outras observações, em especial com o Telescópio Espacial James Webb e a próxima geração de telescópios terrestres gigantes. Esses instrumentos permitirão medições mais precisas das massas, densidades e talvez até da composição atmosférica desses mundos distantes.
"Essa descoberta nos obriga a repensar as teorias atuais de formação planetária em sistemas binários, que até agora não permitiam que mundos semelhantes à Terra surgissem e permanecessem estáveis em sistemas tão complexos. Mais importante ainda, ela abre uma janela completamente nova para entender como os planetas se formam e evoluem em ambientes extremos", concluiu Pozuelos.
(EUROPA PRESS)
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