Diego Radamés - Europa Press - Arquivo
Os sete sindicatos que a compõem garantem que a greve ocorrerá mesmo que não haja acordo com o Comitê
MADRID, 9 set. (EUROPA PRESS) -
A União Médica e Facultativa (UMYF), confederação de sete sindicatos médicos de recente criação, decidiu convocar uma greve médica por tempo indeterminado em todo o país em prol de um estatuto médico, previsivelmente a partir de meados de outubro, mas com data de início ainda a ser definida, pois o objetivo é acordá-la com as organizações do Comitê de Greve, onde reconheceram que existem “dificuldades de coordenação”.
“Vamos estender a mão até o último minuto”, ressaltou nesta quarta-feira, em coletiva de imprensa, o secretário-geral da Metges de Catalunya (MC), Xavier Lleonart, que esclareceu que, embora a intenção “em todos os momentos” seja chegar a um consenso sobre as paralisações por tempo indeterminado para que os profissionais da área médica percebam uma “unidade de ação”, não adiarão a convocação da greve por causa de uma “estratégia de adiamento” por parte dos demais sindicatos.
A UMYF, que além da Metges de Catalunya é formada pela Associação de Médicos e Profissionais de Nível Superior de Madri (AMYTS), O'MEGA, Sindicato Médico da Galícia (SIMEGA), Avanza Valencia, Sindicato Médico de Navarra e Sindicato dos Funcionários Médicos das Ilhas Canárias (SEMCA), todas elas integrantes da Agrupação Profissional Por um Estatuto Médico e Facultativo (APEMYF), surgiu em junho passado com o objetivo de obter um estatuto próprio para o coletivo médico ou, pelo menos, a “não discriminação” desses profissionais em relação às demais categorias.
“Criamos a UMYF para não ficarmos à mercê de convocatórias nas quais não pudéssemos influenciar, nas quais não pudéssemos participar, nas quais não pudéssemos opinar”, explicou Xavier Lleonart, após lembrar que os sindicatos que a compõem vêm trabalhando há meses nos âmbitos estadual e nacional, mas que a “teimosia” do Ministério da Saúde os levou a tentar conquistar, por meio da greve, o que não conseguem na mesa de negociações.
Lleonart destacou que “todas as datas que estão em discussão” para o início da greve médica por tempo indeterminado se situam por volta de meados de outubro, mas ressaltou que o processo para decidir a data exata continua em aberto com a Confederação Espanhola de Sindicatos Médicos (CESM).
Mesmo assim, ele esclareceu que “a UMYF surge com essa necessidade de poder convocar a greve sem qualquer tipo de limitação, restrição ou subordinação a ninguém”, razão pela qual indicam que a greve seria convocada mesmo sem um acordo.
POSIÇÃO NO COMITÊ DE GREVE
Justamente, a CESM informou nesta terça-feira que proporia, na reunião do Comitê de Greve que ocorrerá nesta quinta-feira, a realização de uma greve por tempo indeterminado, com início previsto para meados de outubro. Questionada sobre essa reunião, a secretária-geral da AMYTS, Ángela Hernández, afirmou que é “inevitável” que a data das paralisações seja acordada nessa reunião.
“Vimos pedindo essa data desde julho. Vimos pedindo reuniões desde julho. A resposta que recebemos da outra parte foi que o assunto seria discutido na primeira semana de setembro (...) Nossa intenção teria sido chegar a esta coletiva de imprensa com uma data definida. Dito isso, continuaremos trabalhando para que cheguemos a uma data coordenada”, explicou.
Quanto às “dificuldades de coordenação” no Comitê de Greve, que Hernández reconheceu, ela aprofundou o assunto, afirmando que se trata de “formas diferentes de trabalhar”. “Nós nos sentimos à vontade trabalhando de forma plural e democrática e estendemos a mão àqueles que queiram trabalhar conosco, lado a lado, nem abaixo, nem acima, nem de outra forma. Acho que dar mais detalhes caberia a uma coletiva de imprensa conjunta ou à outra parte”, destacou.
EMENDA À TOTALIDADE
Hernández destacou que suas reivindicações são dirigidas ao Governo, aos partidos da oposição, ao Ministério da Saúde e às comunidades autônomas. Como o texto do Estatuto-Quadro já foi encaminhado ao Congresso dos Deputados, ele afirmou que as mobilizações que propõem se enquadram como uma “emenda à totalidade”, com o objetivo de que o projeto de lei retorne ao ministério.
“Mas que retorne ao ministério se o ministério não for capaz de chegar a um acordo com as comunidades e não for capaz de chegar a um acordo com a totalidade dos profissionais de saúde, incluindo o eixo central da saúde, que somos nós, os médicos e os profissionais da área, pois, nesse caso, isso nasce morto”, acrescentou.
Sobre as declarações da ministra da Saúde, Mónica García, nas quais ela indicava que a possibilidade de abordar um estatuto médico dependia da aprovação do Estatuto-Quadro no Congresso, Hernández comentou que se trata de “uma pequena armadilha”, já que “há muitos atores envolvidos nessa questão”. “Acho que o que isso demonstra é que sim, era possível elaborá-lo; ou seja, é uma questão de vontade política”, afirmou.
Com relação ao possível prejuízo que uma greve por tempo indeterminado causaria aos pacientes, Lleonart afirmou que eles serão afetados, mas ressaltou que “isso já vem acontecendo há muito tempo”, o que ele atribuiu à “precariedade” em que os profissionais da área médica trabalham. Por isso, ele destacou que a greve é necessária para pôr fim a essa situação. “Para podermos vencer no futuro, temos que nos sacrificar no presente”, observou.
Mesmo assim, Ángela Hernández enviou uma mensagem de tranquilidade à população, ressaltando que “nada que seja urgente ou não possa ser adiado deixará de ser feito” durante as mobilizações previstas.
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