Publicado 30/07/2026 08:42

O Sindicato dos Médicos de Ceuta pede a intervenção do Estado diante da falta de recursos para atender aos migrantes

O CESM apoia o pedido dos médicos de Ceuta

Imagem de migrantes cruzando a fronteira de Ceuta.
GABRIELA SARDÁ/EUROPA PRESS

MADRID, 30 jul. (EUROPA PRESS) -

O Sindicato Médico de Ceuta (SMC) solicitou a intervenção do Estado diante da falta de recursos para atender à chegada em massa de migrantes ocorrida nos últimos dias, que se soma às “graves carências estruturais” do sistema de saúde local.

É o que afirma a Confederação Espanhola de Sindicatos Médicos (CESM) em um comunicado no qual manifesta seu apoio aos profissionais de Ceuta, que afirmaram que a chegada de cerca de 2.000 pessoas em apenas uma semana e meia “sobrecarregou” os recursos de acolhimento e assistência da cidade.

Para o SMC, trata-se de um cenário de “emergência nacional” que contrasta com a postura do Ministério da Saúde, que nos últimos meses tem afirmado que Ceuta “não é uma área de difícil cobertura”, além de ter “ignorado” o pedido de declaração de zona de potencial conflito, desastre humanitário e catástrofe, que o sindicato vem fazendo desde 2021.

Nesse sentido, os profissionais da área médica afirmaram que a crise migratória enfrentada pela cidade demonstra mais uma vez que Ceuta conta com “um quadro de pessoal insuficiente, serviços sobrecarregados e uma pressão assistencial que nenhuma outra área de saúde do país suporta nessas circunstâncias”.

O sindicato lembrou que essa situação não surgiu de forma inesperada, mas é consequência de “anos de falta de planejamento e de uma política de saúde incapaz de reforçar os recursos de uma cidade submetida permanentemente a uma pressão assistencial excepcional”.

CATÁSTROFE NA ATENÇÃO À SAÚDE

O SMC alertou que Ceuta se tornou uma “autêntica zona de catástrofe na atenção à saúde” e tanto os profissionais de saúde quanto as Forças e Órgãos de Segurança do Estado e os serviços de emergência trabalham “no limite” para responder a uma situação “que há muito deixou de ser pontual para se tornar um problema permanente”.

O sindicato destacou que a situação poderia se agravar diante de uma hipotética chegada de dezenas de milhares de pessoas, o que seria “completamente insustentável” para os serviços de saúde, assistência e emergência que “já se encontram no limite de sua capacidade”.

Os médicos de Ceuta lembraram que cada uma das pessoas que chega à costa precisa de uma avaliação médica imediata, além de que muitas chegam com quadros de hipotermia, exaustão extrema, lesões traumáticas ou sintomas compatíveis com afogamento.

Paralelamente, alertou para o “colapso” do serviço de Radiodiagnóstico, que precisa realizar um grande número de exames destinados à determinação da idade dos imigrantes por meio de radiografias do pulso e ortopantomografias, “desviando recursos que deveriam ser destinados à assistência médica de rotina”.

Além disso, lamentou a morte de 26 pessoas neste início de ano que tentavam chegar a Ceuta pelo mar. Para o sindicato, trata-se de uma “tragédia que evidencia a gravidade de uma situação que transcende o âmbito migratório e tem também um enorme impacto sanitário e humanitário”.

O SMC insistiu que essa situação não é apenas uma crise migratória, mas também uma “emergência sanitária” que exige uma resposta imediata do Estado. Por isso, instou ao reforço dos recursos humanos e materiais da Área Sanitária de Ceuta, ao aumento do número de profissionais nos serviços de Emergência, Radiologia, Atenção Primária e 061, e elaborar um plano extraordinário que permita lidar com uma situação que ultrapassa “de longe” a capacidade normal da cidade.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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