Publicado 03/06/2026 05:16

O sindicato CCOO alerta que apenas 119 casos de câncer de origem ocupacional são reconhecidos, enquanto as estimativas apontam para

Jornada da CCOO Aragão sobre câncer de origem ocupacional, na Faculdade de Direito da Universidade de Saragoça.
EUROPA PRESS

ZARAGOZA 3 jun. (EUROPA PRESS) -

O secretário de Saúde Ocupacional do CCOO Aragão, Luis Clarimón, alertou que, no ano de 2025, foram reconhecidos apenas 119 casos de câncer de origem ocupacional, quando as estimativas indicam que entre 5% e 10% dessas doenças têm origem no trabalho, o que elevaria esse número para 16.000.

Foi o que afirmou o dirigente sindical em declarações à imprensa durante um encontro sobre câncer de origem ocupacional organizado nesta terça-feira pelo CCOO em colaboração com a Área de Direito do Trabalho da Universidade de Saragoça (Unizar) e com financiamento do Governo de Aragão, no qual foi divulgada a publicação de um livro sobre o tema.

“O câncer ocupacional é uma questão muito relevante que, em muitas ocasiões, passa despercebida”, alertou Clarimón, o que significa que “a maior parte dos cânceres ocupacionais não está sendo reconhecida, passa despercebida e, portanto, também não é prevenida nem tratada adequadamente pelas instâncias competentes”.

Assim, ele destacou que há “milhares de trabalhadores expostos a agentes cancerígenos em seus locais de trabalho em diferentes setores”, entre os quais destacou o aumento da silice devido ao seu uso na fabricação de cozinhas ou banheiros: “Esse pó é cortado, perfurado, inalado e causa graves problemas pulmonares, entre eles o câncer”.

A isso somou os tumores causados pela exposição ao amianto, aos acrilonitrilos ou ao formaldeído, de uso comum no setor da saúde em amostras de anatomia patológica, a fumaça do diesel em muitas fábricas, galpões ou mesmo em trabalhos ao ar livre, vários metais pesados com diferentes substâncias cancerígenas, como o cromo ou o cádmio, o pó nas indústrias madeireiras, bem como a exposição à radiação solar.

No que diz respeito ao diesel, ele insistiu em “como seria fácil substituir todas essas empilhadeiras — nas indústrias — por empilhadeiras elétricas”, embora tenha reconhecido que outras substituições são “mais complicadas”, como é o caso da sílica, que está presente na própria matéria-prima; por isso, nesses casos, seria necessário trabalhar no isolamento e na redução da exposição “ao mínimo tecnicamente possível”.

MAIS CONSCIÊNCIA, CONTROLE E DADOS

Diante disso, ele pediu que as empresas “tomem consciência” desse problema e adotem medidas para evitar a exposição a substâncias cancerígenas, e que as autoridades aumentem o controle para que a regulamentação seja cumprida e incrementem os recursos econômicos e humanos para colocar em prática a Agenda Nacional para a Prevenção do Câncer Ocupacional.

O principal problema é que “os dados que temos sobre o câncer são muito escassos” para desenvolver pesquisas, com algumas das substâncias perigosas — o formaldeído, a fumaça do diesel ou os acrilonitrilos — que foram incorporadas recentemente, e que a dificuldade reside no fato de que essas doenças, assim como o restante das doenças profissionais, “não são declaradas” e “são consideradas doenças comuns”, atendidas pelo sistema público, em vez de pelas seguradoras de acidentes de trabalho, como ocorre em outros países europeus, como a Alemanha ou a França.

Por sua vez, o professor de Direito do Trabalho da Unizar e coautor do livro “Câncer e Trabalho”, que foi apresentado nesta terça-feira, Miguel Olmos, explicou que a Espanha utiliza um sistema diferente na hora de contabilizar os casos de cânceres de origem ocupacional, mas afirmou que “as diferenças são esmagadoras” e demonstram que “não está funcionando”. “Entre os homens, há uma subnotificação esmagadora, mas entre as mulheres a situação já é terrível”, alertou.

Olmos considerou que isso se deve ao fato de a Espanha não ter desenvolvido suficientemente a regulamentação — o decreto real que desenvolve a Lei de Prevenção de Riscos Laborais —, apesar de ser semelhante à de outros países europeus.

Tudo isso apesar de a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhecer cerca de 134 substâncias presentes no ambiente de trabalho que causam tumores, a ponto de “aproximadamente 25% dos trabalhadores estarem expostos a algum agente cancerígeno ao longo de sua vida profissional”.

ABANDONAR SUBSTÂNCIAS COMO A SÍLICE

O principal problema, na opinião do professor universitário, é que “há muitas substâncias cancerígenas das quais não estamos dispostos a abrir mão, e isso, como sociedade, precisamos refletir”.

Ele citou como exemplo os aglomerados de quartzo instalados nas cozinhas, que “nos parecem fantásticos”, mas na produção e instalação desses materiais “de marcas que todos conhecemos”, existe o risco de exposição à sílica cristalina, que é uma dessas substâncias cancerígenas e é responsável pelo aumento da prevalência da silicose, que praticamente estava desaparecendo por estar tradicionalmente ligada à mineração de carvão.

“Podemos prescindir deles? Eu acredito que sim. Nossas cozinhas, há alguns anos, não os tinham e nada acontecia”, destacou, concluindo que “podemos, de fato, reduzir a exposição a alguns desses agentes cancerígenos”.

TRABALHADORES COM ESGOTAMENTO OU CÂNCER DE MAMA E TRABALHO NOTURNO

A outra autora do livro, Sonia Pedrosa, também professora de Direito do Trabalho e da Previdência Social na Unizar, acrescentou que também há pesquisas incipientes que relacionam a síndrome de “burnout” ou “esgotamento do trabalhador” com o câncer.

Pedrosa explicou que é necessário comprovar que a doença tem origem no trabalho, o que “às vezes é complicado”, além de que há muitos tipos de câncer que não estão reconhecidos no decreto real, o que dificulta seu reconhecimento.

Por exemplo, os casos de câncer de pulmão por exposição a substâncias como o amianto são reconhecidos. No entanto, não é reconhecida a relação entre o câncer de mama e o trabalho noturno ou o câncer de ovário, ainda em uma investigação “em fase inicial”.

“Isso é demorado porque são necessários estudos científicos para comprovar, uma confirmação real de sua origem profissional, pois são necessários estudos científicos”, expôs.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado