INSTITUTO NACIONAL DE GEOFÍSICA Y VULCANOLOGÍA
MADRID, 24 jun. (EUROPA PRESS) -
As populações sicilianas têm sido geneticamente diversas há muitos séculos e permaneceram assim mesmo durante importantes mudanças de regime e transições religiosas, de acordo com um estudo da Universidade de York, no Reino Unido, publicado na revista “PLOS One”.
A Sicília medieval foi um centro nevrálgico de comércio e conflitos, além de palco de importantes transições políticas e religiosas entre os séculos V e XV d.C. Ainda não se sabe com certeza quais foram os efeitos desses acontecimentos na composição genética das populações sicilianas, nem como eles influenciaram a ascendência das populações modernas.
Neste estudo, Aurore Monnereau, da Universidade de York, e seus colaboradores analisaram o DNA de 111 indivíduos provenientes de 19 sítios arqueológicos da Sicília, que datam desde a época romana até a Baixa Idade Média. Os resultados revelam uma história demográfica complexa, contrária à narrativa simplista de substituições genéticas em grande escala a cada mudança política. Foram identificados indivíduos de ascendência norte-africana muito antes do início do período islâmico, o que sugere migrações precoces através do Mediterrâneo.
Além disso, tanto os sepultamentos islâmicos quanto os cristãos não eram geneticamente homogêneos, mas incluíam indivíduos de ascendência diversa, um padrão que se manteve constante ao longo de vários séculos. O período islâmico testemunhou as primeiras migrações de longa distância vindas da África Subsaariana e do norte da Europa, e uma demografia europeia mais moderna se estabeleceu no final da Idade Média.
Em resumo, esses resultados demonstram que a Sicília continuou sendo um importante caldeirão cultural e genético durante toda a Idade Média, estabelecendo as bases das populações sicilianas modernas. Os autores apontam que, para compreender melhor essas mudanças demográficas, serão necessários dados de sítios arqueológicos mediterrâneos adicionais e métodos complementares, como a análise de isótopos estáveis.
A doutora Aurore Monnereau acrescenta: “Os registros históricos costumam deixar de lado as experiências das pessoas comuns, narrando os principais acontecimentos da Idade Média através da perspectiva de seus autores. Nosso estudo utiliza DNA antigo para resgatar essas vozes e, ao combiná-lo com fontes escritas e arqueológicas, revela que a Sicília foi um eixo central no mundo medieval interconectado. Nosso estudo revela que a Sicília foi uma encruzilhada fundamental no mundo medieval”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático