Publicado 16/03/2026 11:53

O setor de medicamentos genéricos reivindica incentivos pelo seu papel "fundamental" na acessibilidade e sustentabilidade do Sistema

I Jornada sobre medicamentos genéricos na Espanha.
AESEG

O texto da Lei de Medicamentos Críticos da UE pode estar pronto até meados do ano MADRID 16 mar. (EUROPA PRESS) -

A secretária-geral da Associação Espanhola de Medicamentos Genéricos (AESEG), Elena Casaus, reivindicou incentivos em matéria de política de preços que não destruam a capacidade produtiva da indústria de genéricos, após destacar seu papel “fundamental” para garantir o acesso dos pacientes aos tratamentos e a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde (SNS).

“O medicamento genérico não está pedindo privilégios, não quer exceções nem tratamentos especiais. A única exigência é a coerência entre a política de saúde, a política de preços e a política industrial (...) Proteger o genérico é proteger o paciente, o país e o Sistema Nacional de Saúde”, afirmou nesta segunda-feira na ‘I Jornada de Medicamentos Genéricos na Espanha’.

Durante a inauguração do encontro, realizado no Ministério da Saúde, Casaus destacou a trajetória do medicamento genérico na Espanha desde o início de sua comercialização em 1997. “Vemos a consolidação de um modelo que tornou nosso Sistema Nacional de Saúde mais robusto e seu funcionamento mais previsível diante de situações de estresse”, destacou.

Segundo explicou, nestes 29 anos, o genérico demonstrou ser “um dos maiores geradores de valor” para o SNS, facilitando que mais pessoas recebam tratamentos eficazes e contribuindo para a sustentabilidade do sistema, com economias superiores a 1 bilhão de euros por ano.

Nesse contexto, ele observou que os genéricos atuam como um “verdadeiro equilibrador do sistema”, uma vez que reduzem os preços e liberam recursos que podem ser destinados ao financiamento de terapias inovadoras. “Os genéricos tornam possível que a acessibilidade, a equidade e a sustentabilidade do sistema continuem sendo uma realidade”, insistiu.

No entanto, ele alertou que o setor de genéricos está há uma década em fase de “estagnação”, como consequência do decreto real de preços de referência aprovado em 2014, que iguala os preços entre medicamentos de marca e genéricos, o que reduz o incentivo econômico para a substituição e a geração de novos empreendimentos.

Nessa linha, ele afirmou que as empresas enfrentam um aumento nos custos de fabricação devido à inflação, enquanto os preços caem, o que gera perda de viabilidade comercial, a saída de concorrentes e uma concentração de mercado cada vez maior em menos mãos, o que acaba repercutindo em problemas de abastecimento.

Além disso, ele destacou a necessidade de trabalhar na autonomia estratégica da indústria farmacêutica, um objetivo que a Europa estabeleceu na sequência da pandemia de Covid-19. Na tarefa de garantir o abastecimento de medicamentos, Casaus ressaltou que a indústria de genéricos tem um papel essencial, já que 90% dos medicamentos declarados “críticos” em nível europeu são genéricos.

LEI DE MEDICAMENTOS CRÍTICOS Com o foco em garantir o abastecimento e reduzir a dependência externa de medicamentos essenciais, a União Europeia está trabalhando na Lei de Medicamentos Críticos (Critical Medicines Act, em inglês), que o eurodeputado Nicolás González comentou estar em um momento “crucial”.

“Acredito que, em meados do ano, poderemos chegar a um acordo entre as instituições europeias”, destacou, após explicar que os principais debates nas negociações giram em torno da compra conjunta e de como garantir a distribuição equitativa para o fortalecimento das indústrias de cada país. O Grupo dos Socialistas e Democratas, do qual faz parte, exige um esforço orçamentário por parte da Europa para impulsionar projetos inovadores que não dependam do “poder financeiro” de cada país. González participou de uma mesa redonda sobre política farmacêutica e seu impacto na indústria de genéricos, na qual foi valorizado o esforço que a Espanha e a Europa estão realizando. O subdiretor-geral de Estratégia e Ecossistemas Industriais do Ministério da Indústria e Turismo, Miguel Gómez-Pavón, destacou o trabalho multidisciplinar aplicado na Estratégia da Indústria Farmacêutica 2024-2028 e insistiu em uma mudança de enfoque, passando de posições “reativas” para uma lógica “preventiva”.

Por sua vez, o presidente da Cinfa, Enrique Ordieres, instou à elaboração de reformas legislativas que se reflitam na prática diária. “Ou tornamos a realidade compatível com todas as estratégias que compartilhamos, ou então esquecemos a acessibilidade, a equidade e a sustentabilidade”, afirmou Ordieres.

O presidente da Kern Pharma, Raúl Díaz-Varela, que concordou com o diagnóstico de Ordieres, também criticou o fato de que as empresas de genéricos são as responsáveis pela geração de economia no sistema, mas depois não recebem os benefícios disso. ANTICOAGULANTES ORAL GENÉRICOS

Em uma segunda mesa redonda, foram abordadas as dificuldades que a indústria de medicamentos genéricos enfrenta para introduzir um novo genérico no mercado, apesar de seus benefícios clínicos, de equidade e econômicos, tendo sido apresentado o caso dos genéricos dos anticoagulantes orais diretos e, especificamente, do dabigatrano.

Segundo comentou a presidente da AESEG, Mar Fábregas, a introdução do dabigatrano tem sido e continua sendo “muito lenta”, apesar de sua entrada ter permitido tratar 20% a mais de pacientes, especificamente 57.000 novos pacientes em 2025.

Uma das barreiras para promover o uso de genéricos é a falta de informação dos pacientes sobre o valor clínico e social desse tipo de medicamento. Por isso, o coordenador do Grupo de Trabalho de Trombose Cardiovascular da Sociedade Espanhola de Cardiologia, Francisco Marín, instou à promoção de campanhas de divulgação e de “formação continuada” para os profissionais de saúde.

A esse respeito, o diretor-geral da Carteira Comum de Serviços do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e Farmácia, César Hernández, apelou a todo o sistema para que a transição para medicamentos genéricos seja bem-sucedida. Além disso, ele demonstrou confiança de que a Lei de Medicamentos e Produtos Sanitários será aprovada, mas, caso isso não ocorra, garantiu que serão exploradas mudanças na legislação atual. A POLÍTICA FARMACÊUTICA É UMA “POLÍTICA DE PAÍS”

O Secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, encerrou o evento, destacando em sua intervenção que o Governo tem trabalhado nos últimos anos para transformar a política farmacêutica em uma “política de país” por meio da Estratégia da Indústria Farmacêutica, na qual colaboraram cinco ministérios juntamente com a própria indústria farmacêutica.

“Acredito que seja um exemplo claro de como elevar esse âmbito de políticas e que, além disso, faz com que não defendamos cada um nossa visão a partir de nossos respectivos pontos de vista, mas que ela se integre em uma visão única para que seja essa a que se traduza tanto na política interna quanto na política em nível da União Europeia quando formos implementá-la”, comentou.

Sobre os medicamentos genéricos, ela insistiu que não se pode agir apenas no final da cadeia, no que diz respeito ao preço, mas que também é preciso incidir no desenvolvimento de capacidades ou na regulamentação. Da mesma forma, solicitou a colaboração de todo o sistema de saúde para avançar na incorporação dos genéricos no sistema. “Nem tudo pode ser resolvido simplesmente no âmbito normativo e legislativo, e há muitos elementos — desde o profissionalismo até diferentes aspectos de nossa prática cotidiana — que precisamos assumir”, reforçou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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