MADRID 6 jul. (Portaltic/EP) -
O setor espanhol de videogames registrou um faturamento de 1.464 milhões de euros e gerou mais de 10.500 empregos diretos em 2024, números que refletem uma indústria consolidada e em constante crescimento, embora com um ritmo de crescimento mais lento, o que, para os profissionais dos estúdios de desenvolvimento, torna necessário estabelecer um incentivo fiscal à produção para impulsioná-la.
A indústria espanhola de videogames registrou uma receita de 1.464 milhões de euros em 2024, um aumento de 2,7% em relação a 2023, e prevê um crescimento agregado de 3,1% até 2028, quando se estima que a receita ultrapasse 1.650 milhões.
Do total de 820 estúdios ativos de desenvolvimento de videogames na Espanha, apenas 500 estão constituídos como empresas e apresentam uma grande polarização, já que 56% deles faturam menos de 200.000 euros por ano, enquanto 1% fatura mais de 50 milhões por ano.
O setor gerou 10.508 empregos diretos em 2024, um aumento de 2,4% em relação ao ano anterior, sendo que 90% dos contratos são por tempo indeterminado.
Esses dados refletem que a indústria espanhola de videogames é um setor consolidado que já não cresce tão rapidamente — antes da pandemia, o crescimento era de dois dígitos —, mas que continua apresentando crescimento, como destacou o presidente da DEV e diretor da The Game Kitchen, Mauricio García, durante a apresentação do “Livro Branco do Desenvolvimento Espanhol de Videogames 2025”, publicado pela Associação Espanhola de Empresas Produtoras e Desenvolvedoras de Videogames e Software de Entretenimento, nesta segunda-feira na sede do ICEX Espanha Exportação e Investimentos, em Madri.
O Livro Branco destaca o papel da Catalunha como motor da indústria na Espanha, tanto em termos de estúdios — já que essa comunidade autônoma concentra 31,3% deles — quanto em faturamento, com uma participação de 54%. Em seguida vem a Comunidade de Madri, com 25,6% dos estúdios de desenvolvimento, embora o relatório também destaque uma presença significativa na Andaluzia (11,5%) e na Comunidade Valenciana (11%).
De modo geral, trata-se de estúdios consolidados, já que 72% têm mais de cinco anos de existência, e apenas 7% têm menos de dois anos de existência. E se dedicam principalmente ao desenvolvimento de propriedade intelectual própria (91%), à autopublicação (56%) e a trabalhos para terceiros (35%).
Desenvolvem principalmente jogos para computador (92%), celulares Android (48%) e celulares iOS (42%), embora o console Nintendo Switch (42%) tenha maior aceitação, à frente do PlayStation 5 (37%) e do Xbox Series X/S (30%).
O setor conta com uma presença significativa de profissionais com diploma de graduação (75%), com destaque para os perfis de programação (24%), artistas (14%) e designers (9%). Apesar disso, os estúdios relataram dificuldades para contratar determinados perfis relacionados à programação, lógica e jogos (44%), tecnologia (28%) e backend (17%).
USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Os dados sobre o uso da inteligência artificial generativa no trabalho não variaram muito em relação ao Livro Branco do ano passado. 53% dos estúdios reconhecem que já utilizam ferramentas de IA no dia a dia (contra 54% na edição anterior), e 35% não só não utilizam essa tecnologia quanto afirmam não ter interesse em utilizá-la.
Ainda há 43% das empresas que não estabeleceram uma política sobre o uso dessa tecnologia, dois pontos a menos do que as respostas coletadas no Livro Branco de 2024. 30% dos estúdios propõem o uso opcional da tecnologia, embora 16% a proíbam (essa postura aumentou dois pontos em relação à edição anterior).
A opinião sobre a IA generativa está bastante dividida entre os estúdios espanhóis, embora se observe uma ligeira tendência para a avaliação negativa do impacto dessa tecnologia (46%) em relação àqueles que a veem como algo positivo (43%).
MEDIDAS DE IMPULSO À INDÚSTRIA
80% dos estúdios de desenvolvimento na Espanha reconhecem que precisam de financiamento para seu próximo projeto. 70% estimam essa necessidade em até 300.000 euros, embora a faixa principal varie entre 50.000 e 150.000 euros.
Para conseguir isso, a maioria dos estúdios opta por utilizar recursos próprios (78%), enquanto o autofinanciamento (68%) continua sendo a alternativa na hora de financiar os projetos. Apenas 21% dos estúdios contam com uma editora para financiar seus projetos, uma porcentagem semelhante à das empresas que receberam algum tipo de auxílio público.
O Livro Branco também reúne as medidas que a DEV considera necessárias para impulsionar a indústria na Espanha, com base nas opiniões dos profissionais que dirigem os estúdios de desenvolvimento, incluindo incentivos fiscais à produção de videogames — que atualmente não existem —, subsídios para projetos e apoio à criação e consolidação de “editores” na Espanha.
A esse respeito, o secretário-geral da DEV, Antonio Fernández, destacou que se trata de auxílios condicionados às capacidades orçamentárias que, nos últimos anos, se beneficiaram de fundos europeus, mas que serão reduzidos daqui em diante.
Por isso, Fernández destacou a necessidade de estabelecer um incentivo fiscal para a produção e o financiamento de videogames como medida para ajudar a fortalecer a competitividade e o crescimento sustentável da indústria, além de consolidar e ampliar as vias de financiamento direto por meio de instrumentos públicos.
A isso se soma a necessidade de encontrar uma forma de que os recém-formados — já que se trata de um setor com formação específica — se integrem às empresas, por meio do incentivo ao emprego, à capacitação e à adaptação dos talentos.
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