Publicado 07/04/2026 12:07

O setor bancário investe e promove a IA, mas apenas 11% das instituições dispõem de sistemas realmente confiáveis

Archivo - Arquivo - Mãos segurando um cartão de crédito e usando um laptop. Mãos femininas realizando um pagamento online. Compras online. Infográfico empresarial
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MADRID 7 abr. (Portaltic/EP) -

O setor bancário é um dos que mais investe na implementação de tecnologias de inteligência artificial (IA); no entanto, a maioria das instituições não dispõe da supervisão, governança e infraestrutura necessárias para gerar verdadeira confiança na hora de utilizá-las; apenas 11% possuem sistemas de IA confiáveis.

No setor bancário, onde dados sensíveis e informações pessoais são constantemente manuseados e onde uma falha pode resultar em sanções regulatórias ou minar a confiança do consumidor, a confiança é um fator fundamental para a realização de todas as tarefas diárias.

Nesse contexto, ao utilizar tecnologias de IA, quase metade das instituições bancárias (47%) se depara com o chamado “dilema da confiança”, que se refere à subutilização da IA por não confiarem suficientemente nessa tecnologia, ou à dependência excessiva de sistemas de IA que não foram devidamente validados.

É o que revela o estudo fornecido pela empresa de dados e IA SAS, “Data and AI Impact Report: The Trust Imperative”, elaborado em colaboração com a provedora de inteligência de mercado IDC, que abrange as preocupações de diversos setores em relação à confiança no uso da IA, com 2.375 líderes de TI e de negócios entrevistados globalmente.

Especificamente, o relatório examina o grau de confiança de uma organização na IA e se a tecnologia em si é realmente confiável. Quando existe uma discrepância entre esses dois aspectos e a confiança e o uso da IA superam sua confiabilidade, “a inovação e o retorno sobre o investimento desaparecem”, como observou a SAS.

Assim, um dos pontos que o estudo destaca é que, dos quatro setores analisados, o setor bancário supera a administração pública, o setor de seguros e as ciências da vida tanto em gastos com IA quanto na adoção de práticas confiáveis de IA.

De fato, os dados revelam que um quarto dos bancos pesquisados, o equivalente a 23%, opera no nível mais alto do “Índice de IA Confiável” da IDC. No entanto, a maioria das instituições bancárias acaba ficando “muito abaixo do índice ideal” do documento, ou seja, uma combinação de alta confiança na IA com um alto nível de confiabilidade na hora de implementá-la.

Assim, o relatório afirma que apenas 11% dos bancos pesquisados possuem sistemas verdadeiramente confiáveis e confiam neles, enquanto 47% ou não confiam suficientemente em seus sistemas de IA ou dependem excessivamente deles, mesmo que ainda não tenham sido devidamente validados.

Como afirmou o vice-presidente sênior de Soluções de Risco, Fraude e Conformidade da SAS, Stu Bradley, embora o setor bancário lidere todos os setores no estudo, “a preparação fundamental da maioria dos bancos está longe de onde deveria estar”.

A esse respeito, aproximadamente nove em cada dez bancos “ainda precisam alinhar completamente a confiança com as evidências”, segundo afirmou Bradley, ao mesmo tempo em que observou que cerca de um em cada cinco “continua operando com dados em silos”.

“Fechar a lacuna entre a ambição em IA e a preparação para a IA deve ser uma prioridade de alto nível para todos os bancos”, afirmou o executivo da SAS.

AUMENTO DESIGUAL DO INVESTIMENTO

Outro ponto revelado pelo relatório é que o investimento em capacidades de IA não se equipara ao investimento nos pilares da inovação, responsáveis por garantir que se trata de uma IA confiável. Especificamente, a maioria dos bancos (60%) espera um crescimento entre 4% e 20% no investimento.

Apesar desse impulso no investimento em IA, percebe-se que persistem importantes deficiências fundamentais, como o fato de que quase um em cada cinco bancos continua operando com uma infraestrutura de dados em silos, o que acarreta ineficiência operacional e diversos riscos de segurança. Essa é a pior taxa entre os setores analisados no estudo.

O relatório também detalha que 45% dos bancos carecem de uma governança de dados eficaz e 41% de uma infraestrutura de dados centralizada ou otimizada. Somado a isso, 42% dos bancos também enfrentam escassez de habilidades especializadas em IA.

Para melhorar essas deficiências, mais da metade dos bancos planeja expandir sua arquitetura de IA e 43% afirmaram que formarão ou ampliarão as equipes dedicadas à IA. No entanto, menos de 31% planejam se concentrar em desenvolver e ajustar os modelos de IA por conta própria.

“Sem uma arquitetura de dados sólida, estruturas de governança e uma base de talentos, os bancos correm o risco de investir dinheiro em iniciativas de IA que não podem oferecer retorno sobre o investimento (ROI) ou, pior ainda, que minam a própria confiança da qual dependem”, acrescentou a diretora de pesquisa da Prática de IA e Automação da IDC, Kathy Lange.

MELHORIAS NA EXPERIÊNCIA E INOVAÇÃO OFERECEM O MAIOR RETORNO

Por outro lado, o relatório da SAS também detalha que, além das suposições habituais de que o principal valor da IA é a redução de custos, os entrevistados do setor bancário destacam que o maior retorno da IA é a melhoria da experiência do cliente e da inovação em produtos e serviços.

Concretamente, as empresas que utilizam IA para melhorar a experiência do cliente registraram o maior retorno sobre o investimento (ROI), com US$ 1,83 para cada dólar investido. Da mesma forma, aquelas focadas na redução de custos registraram um ROI mais baixo, de US$ 1,54 por dólar investido.

Seguindo essa linha, o estudo conclui que as instituições que priorizam uma IA confiável têm 60% mais chances de dobrar o retorno de suas iniciativas. Como resultado, quase um terço planeja aumentar o investimento em IA confiável para apoiar seus sistemas mais autônomos.

A esse respeito, a diretora de vendas para Serviços Financeiros da SAS na Espanha e em Portugal, Mónica Gutiérrez, detalhou que, neste momento, quase metade dos bancos está usando “IA não testada” ou hesita em aproveitar a IA “que já validaram”. Diante desse cenário, “os bancos que sairão vencedores serão aqueles que investirem em governança, explicabilidade, transparência e bases de dados sólidas antes de expandir, e não depois que algo der errado”, afirmou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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