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MADRID 10 mar. (EUROPA PRESS) - Sete sociedades científicas chegaram a um consenso nacional para estabelecer, pela primeira vez, critérios unificados para o tratamento da fratura vertebral osteoporótica aguda na Espanha, harmonizando assim o diagnóstico, o tratamento precoce e o acompanhamento para reduzir a variabilidade na assistência médica. Este trabalho multidisciplinar é liderado pela Sociedade Espanhola de Coluna Vertebral (GEER) e conta com a participação de especialistas das sociedades espanholas de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF), Geriatria e Gerontologia (SEGG), Traumatologia e Ortopedia (SECOT), Endocrinologia e Nutrição (SEEN), Investigação Óssea (SEIOMM) e Radiologia (SERAM).
Publicado na revista especializada “Archives of Osteoporosis”, este documento estabelece critérios diagnósticos, terapêuticos e de acompanhamento adaptados ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) e reúne o resultado de um processo Delphi em duas rodadas. O mesmo parte de uma realidade asistencial reconhecida pelos próprios autores: na Espanha, até agora não existia um guia nacional unificado para o tratamento da fase aguda dessas fraturas.
Esta situação favorecia abordagens heterogéneas entre centros e especialidades, continuaram os especialistas, que acrescentaram que a vocação é ordenar, harmonizar e melhorar a qualidade dos cuidados num problema de saúde de grande impacto. Tanto é assim que a fratura vertebral osteoporótica é a consequência clínica de uma doença de base: a osteoporose.
Conforme exposto neste consenso, a referida patologia é caracterizada pela perda progressiva de massa óssea e qualidade do osso, que perde resistência e pode fraturar-se diante de traumas mínimos e até mesmo em atividades cotidianas. Estas são as chamadas fraturas por fragilidade, que não requerem um acidente grave para ocorrerem.
Na Espanha, a osteoporose afeta uma parte importante da população idosa e, de acordo com estimativas do Ministério da Saúde e da SEIOMM, entre 22% e 25% das mulheres com mais de 50 anos apresentam osteoporose, proporção que aumenta significativamente a partir dos 70 anos. Embora menos frequente, também afeta homens em idades avançadas.
Num contexto em que as fraturas vertebrais constituem uma das principais manifestações clínicas dessa fragilidade óssea, foi exposto que muitas não são diagnosticadas porque podem ser confundidas com dor lombar mecânica e com alterações degenerativas próprias da idade. Diante disso, lembrou-se que aproximadamente apenas um terço é sintomático e recebe atendimento clínico, apesar de estar associado a dor, incapacidade e deterioração funcional. ENVELHECIMENTO PROGRESSIVO DA POPULAÇÃO Além disso, este texto mostra que o envelhecimento progressivo da população espanhola antecipa um aumento sustentado do número absoluto de pessoas em risco de fraturas por fragilidade. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), mais de 20% da população tem mais de 65 anos e o grupo de maiores de 80 anos é o que mais cresce em termos relativos.
Por tudo isso, este consenso busca a unificação dos critérios diagnósticos na fase aguda, para o que estabeleceu que a radiografia simples dorsal e lombar deve ser o exame inicial nos casos suspeitos, reservando a ressonância magnética para situações de dor persistente ou dúvidas sobre a antiguidade da fratura.
Além disso, foi estabelecido que é necessária uma avaliação clínica minuciosa e uma abordagem multidisciplinar que permita diferenciar lesões recentes de deformidades antigas e descartar causas secundárias quando necessário, enquanto que, no âmbito terapêutico, o início precoce das medidas de assistência foi considerado um elemento-chave do prognóstico funcional.
Portanto, a abordagem é orientada para o controle adequado da dor e a recuperação funcional precoce, evitando imobilizações prolongadas que possam agravar a fragilidade do paciente idoso. Uma fratura vertebral constitui, por si só, um diagnóstico clínico de osteoporose e obriga a ativar medidas de tratamento específico e prevenção secundária desde o início.
Por outro lado, este documento evidenciou que a fratura vertebral é um dos preditores mais sólidos de novas fraturas osteoporóticas e pode duplicar o risco de fratura de quadril, além de aumentar significativamente a probabilidade de fraturas posteriores em outras regiões ósseas.
Nesse sentido, foi enfatizado que o risco de refratura nos dois anos seguintes ao primeiro evento é considerado elevado, o que reforça a necessidade de acompanhamento estruturado e individualizado. Por isso, é importante a coordenação entre especialistas hospitalares e de Atenção Primária para garantir a continuidade do atendimento, a adesão terapêutica e a reavaliação periódica do risco.
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