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MADRID 11 maio (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Saúde Pública e Administração Sanitária (SESPAS) exigiu a criação definitiva da Agência Estatal de Saúde Pública (AESP) como o órgão técnico necessário para “liderar” situações de “crise”, como a do hantavírus, “de forma coordenada”.
É necessário “reforçar a saúde pública de forma estrutural”, indicou a esse respeito, acrescentando que “o investimento neste setor em escala nacional continua sendo cerca de metade do da zona do euro e está em níveis inferiores aos de 2020”. “A ilusão do aumento dos gastos com saúde pública entre 2020 e 2023 deveu-se aos gastos com vacinas”, declarou.
Nesse contexto, declarou que “o investimento deve ser destinado a recursos de pessoal e instalações, começando pela AESP, que deve assumir o papel de referência técnica e de coordenação entre as administrações de saúde pública, regional, nacional e internacional”.
Tendo em conta a “intensa atenção da mídia e uma notável preocupação social”, e o fato de que “a gravidade dos fatos gerou inquietação, medo e até mesmo alarme em uma parte significativa da população”, esta sociedade científica assinalou que essas reações “não correspondem à realidade da situação, uma vez que se trata de um episódio que, embora não seja muito frequente, não pode ser qualificado de extraordinário”.
“A maioria das pessoas afetadas não se contagia pelo contato com outra pessoa e, nos poucos casos em que o contágio é atribuído a esse mecanismo, trata-se de relações estreitas e prolongadas, geralmente em espaços restritos”, divulgou, ao mesmo tempo em que explicou que “estima-se que o período de incubação varie entre uma e mais de seis semanas”.
Por isso, ele ressaltou que não é “nenhuma surpresa epidemiológica” o fato de “a comissária da KLM, que se suspeitava ter sido contaminada ao coincidir brevemente em um avião com uma passageira do ‘Hondius’ evacuada para Joanesburgo que acabou falecendo, ter dado negativo”.
Isso “provavelmente também ocorra em alguns casos de pessoas que compartilharam o referido avião com a referida, razão pela qual foram consideradas suspeitas e submetidas à quarentena, talvez por insegurança, talvez por precaução e para se protegerem de eventuais reclamações”, acrescentou.
MEDIDAS PROPORCIONAIS
A esse respeito, a SESPAS afirmou que “a adoção de medidas indiscriminadas sem uma avaliação epidemiológica adequada fomenta alarmes e temores generalizados que, muitas vezes, não proporcionam uma proteção eficaz, mas que podem causar efeitos indesejáveis”. “As ações de prevenção e controle devem ser proporcionais ao risco real, focadas nos contatos próximos e nas medidas de vigilância sanitária recomendadas pelas autoridades competentes”, concluiu.
“A resposta adequada inclui a identificação precoce de sintomas, a confirmação laboratorial, a consulta oportuna, o rastreamento de contatos e o cumprimento das orientações da equipe de saúde”, resumiu, acrescentando que “o risco zero não existe, mas sim os efeitos contraproducentes de um excesso de cautela”. Por isso, ele fez um apelo à população "para se informar por canais oficiais, evitar a divulgação de boatos ou alarmismos infundados e agir com responsabilidade".
No entanto, ele destacou que “a prevenção é essencial, mas deve basear-se nas evidências disponíveis e ser realizada da forma mais serena possível, observando equidade, justiça e proporcionalidade”. “É imperativo ponderar os benefícios esperados das medidas preventivas com os potenciais efeitos adversos — diretos e indiretos — que elas podem provocar”, afirmou.
A SESPAS destacou que as autoridades sanitárias competentes “podem obrigar — de acordo com as leis vigentes, embora sujeitas a recurso — a adotar medidas preventivas, como a quarentena das pessoas que estiveram próximas aos doentes”. Por fim, indicou que, mais do que essa medida, “parece mais pertinente, do ponto de vista sanitário, monitorar sua evolução e, se possível, determinar se as pessoas suspeitas foram realmente infectadas por meio dos exames laboratoriais pertinentes”.
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