Publicado 21/08/2026 08:34

A SESPAS pede uma resposta coordenada e reforçada da área de saúde pública diante da crise migratória em Ceuta

Membros da Cruz Vermelha prestam atendimento a vários imigrantes na praia do Trampolín, em 20 de agosto de 2026, em Ceuta (Espanha). O Ministério da Defesa aprovou o envio de mais de uma centena de militares provenientes das Ilhas Canárias para Ceuta, a f
Marcos Moreno - Europa Press

MADRID 21 ago. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Saúde Pública e Administração Sanitária (SESPAS) considera prioritário reforçar os recursos de saúde e de saúde pública em Ceuta, bem como melhorar as condições de acomodação, proteger especialmente os menores e estabelecer um mecanismo extraordinário de coordenação entre as administrações envolvidas.

“A prioridade deve ser resolver problemas, reduzir riscos e recuperar a normalidade por meio da cooperação e de informações comprovadas. A função da saúde pública é antecipar-se, identificar os riscos, intervir sobre seus determinantes e evitar que esses riscos se transformem em danos”, destaca em um comunicado.

A SEPAS ressalta que a situação está gerando uma “pressão extraordinária” sobre os dispositivos de acolhimento e proteção, os serviços sociais, o sistema de saúde e os recursos de saúde pública de uma cidade de pequena extensão e com aproximadamente 84.500 habitantes.

Para a sociedade, o objetivo neste momento deve ser duplo: proteger a saúde e garantir condições sanitárias adequadas para todas as pessoas que permanecem em Ceuta e, simultaneamente, favorecer que a população de Ceuta recupere progressivamente sua normalidade.

“Uma situação excepcional dessas dimensões requer, temporariamente, recursos também excepcionais e uma resposta proporcional, coordenada e fundamentada em dados comprovados”, acrescenta.

A sociedade considera especialmente importante diferenciar conceitos que, nas últimas semanas, têm sido utilizados, por vezes, de forma indistinta. Assim, explicou que uma elevada demanda por atendimento médico pode sobrecarregar um sistema de saúde sem que haja necessariamente uma epidemia e, da mesma forma, podem existir condições de risco epidemiológico que aconselhem agir preventivamente antes que ocorra um surto. “Risco epidemiológico não significa epidemia”, indica.

Da mesma forma, rejeita estabelecer uma associação automática entre migração e doença. “Os migrantes, por si só, não representam um risco à saúde pública. Os riscos surgem fundamentalmente quando qualquer grupo populacional permanece em condições de aglomeração, precariedade, higiene insuficiente ou dificuldade de acesso aos serviços de saúde e ao acompanhamento epidemiológico”, detalha.

Por isso, ressalta que a resposta deve evitar tanto gerar um alarme que os dados disponíveis não justifiquem quanto minimizar condições objetivas que exigem intervenção preventiva.

Nesse sentido, a SESPAS considera positiva a implementação, desde 20 de agosto, do transferência de pessoas que permaneciam na praia de El Trampolín e em outros assentamentos precários para as instalações temporárias habilitadas em Loma Margarita e El Embolsamiento, com uma capacidade conjunta aproximada de 1.800 vagas.

A sociedade científica acredita que essas alternativas devem ser consolidadas, serem suficientes e se adaptarem à evolução das necessidades, especialmente depois que parte das pessoas transferidas voltou posteriormente para a praia. “Dispor de acomodações adequadas facilita a higiene e a salubridade, o acesso aos serviços de saúde, a continuidade dos tratamentos e, quando necessário, o acompanhamento epidemiológico”, ressalta.

Juntamente com o alojamento, a SESPAS defende a manutenção e o reforço das ações de saúde ambiental, que constituem uma ferramenta essencial de prevenção.

NÃO HÁ EVIDÊNCIAS DE UMA EPIDEMIA GENERALIZADA

Quanto à situação epidemiológica, a SESPAS destaca que, com os dados disponíveis, não há evidências de uma epidemia generalizada associada às pessoas que chegaram a Ceuta, embora as circunstâncias atuais justifiquem a manutenção de uma vigilância intensificada.

Foram relatados quadros gastrointestinais, problemas dermatológicos, escabiose e diagnósticos de tuberculose, mas as discrepâncias existentes entre diferentes fontes aconselham cautela até que se disponha de informações epidemiológicas oficiais consolidadas. “Em particular, as informações disponíveis não permitem afirmar que exista atualmente um surto de tuberculose associado ao episódio”, indica.

Para a SESPAS, a proteção dos menores constitui outra das grandes prioridades. Até 18 de agosto, haviam sido identificados oficialmente 2.168 menores que chegaram desde o início do episódio. A SESPAS considera imprescindível garantir seu alojamento seguro, alimentação, avaliação de saúde, atendimento à saúde mental e proteção contra situações de violência, exploração ou tráfico.

Também dá ênfase à saúde mental, não apenas das pessoas recém-chegadas, mas de toda a população de Ceuta e dos profissionais que participam da resposta. Assim, explica que o prolongamento por semanas de uma situação excepcional pode gerar incerteza, cansaço, estresse e sensação de insegurança. “Uma informação pública periódica, compreensível e baseada em dados comprovados, juntamente com a retomada gradual dos espaços e serviços habituais da cidade, também faz parte de uma resposta adequada à saúde pública”, destaca.

DISPOSITIVO EXTRAORDINÁRIO DE COORDENAÇÃO E RESPOSTA

Como principal proposta, a SESPAS sugere a constituição temporária de um Dispositivo Extraordinário de Coordenação e Resposta, não como uma nova estrutura burocrática nem como um órgão destinado a substituir as competências existentes, mas como um mecanismo técnico e operacional de cooperação. “Nele deveriam participar a autoridade de Saúde Pública de Ceuta, a INGESA e o Ministério da Saúde, juntamente com os órgãos e entidades necessários, de acordo com as ações a serem desenvolvidas”, ressalta.

Assim, esse dispositivo permitiria ter uma visão atualizada da situação e da distribuição da população, identificar grupos vulneráveis, compartilhar indicadores assistenciais, epidemiológicos e ambientais, reduzir os fatores de risco, garantir uma resposta sanitária integrada e oferecer à população informações públicas comuns, verificáveis e compreensíveis.

A entidade considera especialmente conveniente publicar periodicamente um relatório técnico conjunto com um número reduzido de indicadores confiáveis, evitando a atual disparidade de números e avaliações, que pode favorecer tanto o alarmismo quanto a minimização dos problemas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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