Publicado 16/04/2026 07:42

A SESPAS afirma que a coordenação reduz em 30% o número de mortes entre pacientes crônicos e solicita que a equipe de Atenção Primár

Archivo - Arquivo - Médico e paciente, consulta
SEB_RA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 16 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente cessante da Sociedade Espanhola de Saúde Pública e Administração Sanitária (SESPAS), Eduardo Satué, apresentou o “Relatório SESPAS 2026”, documento que aponta que, de acordo com uma metanálise de 105 ensaios clínicos, a coordenação sanitária reduz em até 30% a mortalidade e as readmissões em pacientes com insuficiência cardíaca e outras patologias crônicas, razão pela qual solicitou que essa coordenação seja liderada pela equipe de Atenção Primária.

Entre as “reformas fundamentais que precisam ser feitas”, é necessário “criar mecanismos que aumentem a resolutividade, para que possamos escapar do ‘hospitalocentrismo’”, indicou ele, acrescentando que, “dentro do centro de saúde, que é a referência na Atenção Primária”, encontra-se a referida equipe, “figura que existe, mas que não recebe a devida atenção”. “A base é o médico de família e a enfermeira comunitária”, afirmou.

No entanto, o autor deste relatório bienal publicado na ‘Gaceta Sanitaria’, a revista da SESPAS, destacou que “há diferentes profissionais que precisam se integrar de forma coordenada e colaborativa”. Assim, destacou “fisioterapeutas, farmacêuticos, administrativos, psicólogos e odontologistas”, com o “duplo objetivo” de “distribuir e otimizar as tarefas, melhorando sua coordenação”.

“Essa coordenação requer tempo”, continuou ele, ao mesmo tempo em que destacou que são necessários “sistemas informáticos que facilitem essa coordenação” e “formação” sobre como realizá-la, a qual deveria ser oferecida “já desde os cursos de graduação”. Além disso, ele exigiu que essa coordenação seja estabelecida “com os profissionais de saúde do setor privado e da comunidade que atuam nos bairros”.

Em sua opinião, trata-se de “uma lacuna até agora muito pouco atendida”, já que “nem sequer tem nome”, para o que propôs a denominação de “profissional de saúde comunitário autônomo (SCA)”, dos quais existem “centenas de milhares”. Entre esses profissionais, citou alguns, como “optometristas e ortopedistas”, apontando também “médicos e enfermeiros do setor privado” e excluindo “as grandes operadoras de saúde”.

“O aproveitamento dos ativos em saúde no âmbito social” também foi destacado por Satué como uma medida necessária, tendo ele explicado que “o centro da saúde está na comunidade” e “grande parte dos fatores que determinam a saúde da população está fora do sistema”. Assim, ele enfatizou atividades realizadas sob os aspectos esportivo, emocional e psicológico para “enfrentar o envelhecimento saudável” e “as mudanças climáticas”, entre outros aspectos.

AUMENTA A COMPLEXIDADE DO PACIENTE

Este autor, que indicou que a medida liderada pela equipe de Atenção Primária é “a mais viável” para sua implementação, lembrou que “a complexidade do paciente está aumentando”, diante do que ressaltou que o primeiro nível de assistência é “a base” do sistema, ao atender “cerca de 90% das consultas”. A esse respeito, afirmou que existe “maior fragilidade, envelhecimento, maior carga de comorbidades e maior polifarmácia”.

Tudo isso afetado pelos “determinantes sociais da saúde”, que repercutem em “maior desigualdade e injustiça”, já que “o código postal influencia mais do que o código genético na expectativa de vida”, prosseguiu. Isso foi compartilhado por seu sucessor no cargo, Manuel Herrera, que convidou, portanto, “a construir um Sistema Nacional de Saúde (SNS) mais eficiente, coeso e justo”.

Segundo este último, é preciso “reforçar a Atenção Primária como eixo central do sistema e melhorar a comunicação com os profissionais”. A isso deve-se somar “uma interoperabilidade real do prontuário médico”, estabelecer “equipes multidisciplinares” e “fortalecer a saúde pública dentro do sistema” para “que a coordenação deixe de depender do esforço individual”, explicou.

Atualmente, existe uma coordenação “insuficiente”, destacou, ao mesmo tempo em que afirmou que esta é uma “condição básica para que o SNS funcione corretamente”, já que “salva vidas e reduz custos”. “É um imperativo ético para garantir a equidade”, acrescentou, após o que declarou que “mais de um milhão de mortes na União Europeia (UE) teriam sido evitadas com sistemas mais coordenados”, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Herrera resumiu que as consequências de uma má coordenação são “a perda de informações clínicas, a repetição de exames e a ocorrência de danos evitáveis”, além de que “se perde a oportunidade de tratar melhor e aumentam os custos”. Por isso, ele a apresentou “como uma reforma estrutural fundamental”, já que sua implementação, por outro lado, se traduz em uma redução “da carga de doenças” e “melhores resultados em saúde”.

O ‘RELATÓRIO SESPAS 2026’ ANALISA ASPECTOS JURÍDICOS, ÉTICOS E ECONÔMICOS

Por sua vez, a coordenadora do “Relatório SESPAS 2026”, a doutora Valle Coronado, afirmou que este é composto por “14 artigos e um editorial”. Nele, reflete-se o que foi implementado em outros países nesse aspecto, em comparação com o sistema espanhol, e são analisados “aspectos jurídicos, éticos e econômicos”, divulgou ela, indicando que participaram 45 especialistas de diferentes áreas.

“A informação não parte do zero, há publicações dentro do SNS e em outros sistemas de outros países”, explicou, acrescentando que “as experiências são desiguais”. Diante disso, propôs um modelo “orientado e centrado nas pessoas”, com “equipes multidisciplinares” dirigidas a partir da Atenção Primária, “que é o eixo e o ponto onde devem convergir todos os tipos de assistência: social, sanitária e especializada”.

Além disso, explicou que “deve haver incentivos alinhados com resultados em saúde, não com o número de atividades”. O objetivo é “que haja governança ética, que a confiança seja depositada no sistema”, ressaltou, enquanto o professor da Escola Nacional de Saúde, o Dr. José Ramón Repullo, concentrou-se no aspecto econômico, apontando que a coordenação “vale a pena”.

“A coordenação é um elemento que se alinha ao interesse geral” e “melhora a eficiência dos sistemas”, o que ele exemplificou ao destacar que os custos administrativos e de contratação representam “2%” do orçamento dos sistemas de saúde integrados, enquanto atingem “9%” nos fragmentados, como nos Estados Unidos.

Para o autor do documento, a coordenação “permite aumentar a previsibilidade do comportamento de todos os agentes e diminui os custos de transação”. “Identificamos problemas de custos excessivos decorrentes da má coordenação”, insistiu, após o que afirmou que “o setor de saúde precisaria aumentar os recursos”, enquanto “o setor social está ainda mais atrasado, como demonstrou a pandemia da Covid-19 em lares de idosos”.

Por fim, a professora da Faculdade de Enfermagem da Universidade de Sevilha, Ana Magdalena Vargas, que também participou deste trabalho, destacou o “impacto” desse conceito “na qualidade da assistência e nos resultados em saúde”. Diante disso, destacou, entre outras propostas, e como “estratégia fundamental”, a “promoção do uso de guias de prática clínica”, bem como “a implementação de auditorias clínicas” e “a formação continuada”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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