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MADRID 31 ago. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF), Helena Bascuñana, alertou que a mochila escolar não deve se tornar um “armário portátil” e recomendou esvaziá-la todos os dias, organizá-la de acordo com o dia letivo e colocar apenas o essencial para evitar sobrecarregar as costas.
“Além disso, a carga deve ser distribuída corretamente e a mochila deve ser bem ajustada por meio das duas alças”, destacou Bascuñana por ocasião do início do novo ano letivo.
Nesse sentido, a presidente da SERMEF ressaltou que não basta comprar uma mochila ergonômica no início do ano letivo e esquecê-la até junho. “Uma mochila adequada pode acabar sendo prejudicial se for enchida com materiais que a criança não vai usar, se o conteúdo se mover dentro dela ou se for carregada pendurada em um único ombro”, explica a médica.
A médica fisioterapeuta enfatiza que “a prevenção começa antes de sair de casa”. “Preparar a mochila deve fazer parte da rotina diária: esvaziá-la, verificar as disciplinas programadas e colocar apenas o necessário. Essa revisão permite retirar objetos que se acumulam durante a semana e aumentam progressivamente a carga”, destacou.
REVISAR, DISTRIBUIR E AJUSTAR
Bascuñana lembra que, ao calcular o peso, é preciso levar em conta tudo o que é transportado, incluindo o estojo, os dispositivos eletrônicos ou a garrafa de água. “Como referência, a carga deve permanecer abaixo de 10% do peso corporal sempre que possível, enquanto 15% deve ser entendido como um limite que não deve ser ultrapassado”, acrescentou a especialista.
“Os objetos mais pesados devem ser colocados próximos às costas e ficar bem fixos. Os compartimentos ajudam a organizar o conteúdo e a distribuir a carga. Além disso, a mochila deve ser proporcional ao tamanho da criança ou do adolescente e não maior do que seu tronco”, descreve a presidente da SERMEF, que acrescenta que a mochila “também deve ter duas alças largas, acolchoadas e ajustáveis, que devem ser usadas sempre juntas”.
“A mochila deve ficar próxima ao corpo e pode incluir um cinto lombar e uma alça de peito para distribuir melhor o peso e reduzir o balanço. Carregá-la como uma bolsa de ombro ou com uma única alça obriga o corpo a compensar a carga. Uma mochila bem escolhida perde boa parte de suas vantagens se for mal utilizada”, adverte a médica.
AS RODAS NÃO SÃO UMA SOLUÇÃO UNIVERSAL
Por outro lado, a médica fisioterapeuta afirma que “além do peso, é importante avaliar a duração do trajeto e as características da escola”. Dessa forma, ela destaca que não exige o mesmo esforço carregar a mochila por alguns minutos do que percorrer um trajeto longo ou subir escadas.
“As mochilas com rodinhas podem ser práticas em trajetos planos, mas escadas, meios-fios e outros desníveis obrigam a levantá-las, muitas vezes com apenas uma mão. Isso gera uma carga assimétrica e pode causar sobrecarga nas costas, no ombro, no braço ou no pulso”, descreve ela.
Nesse contexto, a presidente da SERMEF destaca que a redução do peso não deve depender exclusivamente da criança e de sua família. “As escolas também podem contribuir por meio de uma melhor coordenação do material solicitado, do uso razoável de recursos digitais e da disponibilidade de espaços onde deixar determinados livros”, explicou.
“As famílias podem ensinar a arrumar a mochila, mas também devemos nos perguntar se tudo o que ela contém precisa ser transportado todos os dias de casa para a escola e da escola para casa. Evitar cargas desnecessárias requer a colaboração dos alunos, das famílias e das instituições de ensino”, afirma.
Por fim, a médica fisioterapeuta lembra que cuidar da saúde musculoesquelética durante o ano letivo não se limita à mochila. “A atividade física, o descanso e a redução do tempo sedentário são igualmente importantes. A OMS recomenda que crianças e adolescentes de 5 a 17 anos pratiquem, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada ou vigorosa e incorporem atividades que fortaleçam músculos e ossos pelo menos três dias por semana”, indica.
“Ir a pé para a escola sempre que possível, subir escadas, brincar e praticar esportes ajuda a desenvolver a musculatura e a combater o sedentarismo. O retorno às aulas deve servir para retomar rotinas saudáveis, não apenas para estrear o material escolar”, conclui.
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