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MADRID 11 jun. (EUROPA PRESS) -
Os médicos de reabilitação são fundamentais diante do envelhecimento progressivo da população e do aumento da sobrevida após o tratamento de doenças graves, pois são responsáveis por preservar e recuperar a capacidade funcional na vida cotidiana, segundo a presidente da Sociedade Espanhola de Medicina Física e Reabilitação (SERMEF), Helena Bascuñana, que participou do 64º Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Medicina Física e Reabilitação (SERMEF).
"A Medicina Física e Reabilitação não se limita apenas a tratar uma lesão ou uma doença. Nosso trabalho consiste em ajudar as pessoas a recuperar seu projeto de vida, sua independência e sua capacidade de participar ativamente na sociedade, já que, em algumas ocasiões, elas perdem a capacidade de andar, vestir-se ou comunicar-se. Isso também tem um impacto significativo no bem-estar emocional do paciente e de seu entorno”, explicou.
Em 2055, de acordo com as projeções demográficas, 30,5% da população espanhola terá mais de 65 anos, uma realidade que aumentará a demanda por serviços de reabilitação. Especificamente, estima-se que cerca de 40% dos cidadãos recorrerão a essa especialidade em algum momento de suas vidas.
Este encontro reuniu cerca de mil especialistas para analisar os principais avanços e desafios no âmbito da reabilitação médica, impulsionar a formação de novos profissionais, melhorar a coordenação assistencial e valorizar a figura do médico reabilitador dentro da abordagem multidisciplinar dos pacientes.
Durante o congresso, a presidente da SERMEF reivindicou a figura do médico reabilitador como “o médico da função humana”, destacando seu papel fundamental na recuperação e manutenção da autonomia dos pacientes.
O médico reabilitador é o profissional especializado em restaurar, manter e melhorar a funcionalidade física das pessoas, e seu trabalho se concentra em otimizar a capacidade funcional, promover a autonomia e melhorar a qualidade de vida dos pacientes por meio de uma abordagem integral e multidisciplinar.
Para isso, coordena equipes formadas por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, neuropsicólogos, auxiliares e pessoal de enfermagem, todos orientados a “oferecer um atendimento integral e personalizado”.
COM AUTONOMIA, PARTICIPAÇÃO SOCIAL E QUALIDADE DE VIDA
“A funcionalidade é hoje o terceiro grande indicador de saúde, juntamente com a mortalidade e a morbidade. Vivemos cada vez mais anos, mas o grande desafio é fazê-lo com autonomia, participação social e qualidade de vida. É aí que nós, médicos de reabilitação, desempenhamos um papel decisivo, ajudando as pessoas a recuperar ou manter sua capacidade de se desenvolver em seu ambiente, independentemente das patologias de base que apresentem”, acrescentou.
Além de planejar e supervisionar o tratamento de reabilitação, esses especialistas acompanham o paciente e seu entorno no estabelecimento de objetivos terapêuticos individualizados, voltados para melhorar a funcionalidade, a autonomia, a participação e a qualidade de vida. Tudo isso adaptando-se às necessidades físicas, cognitivas, emocionais e sociais de cada pessoa, bem como à prevenção de complicações e situações de deficiência.
A abordagem terapêutica, que combina medidas farmacológicas e não farmacológicas, visa otimizar a recuperação funcional e promover a educação em saúde, o autocuidado e a compreensão da doença. Além disso, favorece estratégias de prevenção, adaptação e integração do paciente em seu ambiente familiar, social e profissional.
Para Helena Bascuñana, estabelecer metas compartilhadas entre profissionais, pacientes e seu entorno é "essencial para alcançar melhores resultados terapêuticos".
"Quando o paciente participa ativamente na definição dos objetivos de seu tratamento, aumenta seu envolvimento e melhora a adesão ao processo de reabilitação. Não se trata apenas de aplicar técnicas ou terapias, mas de construir, junto com o paciente, um caminho realista e motivador rumo à recuperação”, explicou ela.
A recuperação funcional requer um trabalho coordenado entre a equipe de saúde, o paciente e seu entorno, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente. Além do tratamento clínico, os profissionais de saúde também desempenham um “papel essencial no acompanhamento, na educação e no apoio emocional tanto do paciente quanto de sua família durante todo o processo de reabilitação”.
Da mesma forma, o contato com outras pessoas que passaram por experiências semelhantes pode favorecer a adaptação, o enfrentamento e o apoio mútuo diante das dificuldades decorrentes da doença ou da deficiência.
“É fundamental entender a reabilitação como um processo contínuo, centrado na pessoa e em suas necessidades reais. O apoio emocional e social é tão importante quanto o tratamento físico, porque por trás de cada lesão ou doença há pessoas que precisam recuperar a confiança, a segurança e a autonomia para retomar suas vidas”, concluiu Bascuñana.
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