NASA AMES/NASA/JPL–CALTECH/TIM PYLE (CALTECH).
MADRID, 15 set. (EUROPA PRESS) -
A espécie tecnológica mais próxima estaria a 33.000 anos-luz da Terra e sua civilização teria pelo menos 280.000 anos, e possivelmente milhões de anos, para existir ao mesmo tempo que nós.
De acordo com uma nova pesquisa apresentada na Reunião Conjunta EPSC-DPS2025 em Helsinque, esses números refletem a grande probabilidade de encontrar mundos semelhantes à Terra com placas tectônicas e uma atmosfera dominada por nitrogênio e oxigênio com a quantidade certa de oxigênio e dióxido de carbono.
Considerando esses fatores, a chance de sucesso do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence, Busca por Inteligência Extraterrestre) parece sombria, de acordo com o Dr. Manuel Scherf e o Professor Helmut Lammer do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Austríaca de Ciências em Graz.
"As inteligências extraterrestres (ETI) em nossa galáxia são provavelmente muito raras", disse Scherf em um comunicado.
Quanto mais dióxido de carbono um planeta tiver em sua atmosfera, mais tempo ele poderá sustentar a biosfera e a fotossíntese e evitar que a atmosfera escape para o espaço. Entretanto, trata-se de um equilíbrio delicado: o excesso de dióxido de carbono pode causar um efeito estufa descontrolado ou tornar a atmosfera tóxica demais para a vida.
A tectônica de placas regula a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera como parte do ciclo do carbono-silicato, portanto, um planeta habitável requer a tectônica de placas. Gradualmente, porém, o dióxido de carbono extraído da atmosfera fica preso nas rochas em vez de ser reciclado.
"Em algum momento, será extraído da atmosfera dióxido de carbono suficiente para que a fotossíntese pare de funcionar", diz Scherf. "Na Terra, espera-se que isso aconteça dentro de 200 milhões a cerca de 1 bilhão de anos.
A atmosfera da Terra é composta principalmente de nitrogênio (78%) e oxigênio (21%), mas também contém gases residuais, como o dióxido de carbono (0,042%). Scherf e Lammer analisaram o que aconteceria em um planeta com 10% de dióxido de carbono (esse planeta poderia evitar um efeito estufa descontrolado se estivesse mais distante do sol ou se o sol fosse mais jovem e menos brilhante) e descobriram que sua biosfera poderia ser mantida por 4,2 bilhões de anos. Como alternativa, uma atmosfera com 1% de dióxido de carbono sustentaria a biosfera por até 3,1 bilhões de anos.
Esses mundos também precisariam de não menos que 18% de oxigênio. Além de os animais maiores e mais complexos precisarem de mais oxigênio, estudos anteriores mostraram que, se os níveis de oxigênio caírem abaixo desse nível, não haverá oxigênio livre suficiente para permitir a combustão ao ar livre. Sem fogo, a fundição de metais seria inviável e uma civilização tecnológica seria impossível.
Em seguida, Scherf e Lammer compararam a vida útil da biosfera com o tempo necessário para a evolução da vida tecnológica, que na Terra é de 4,5 bilhões de anos, e a possível vida útil de uma espécie tecnológica. Isso é importante porque quanto mais tempo sua espécie sobreviver, maior a probabilidade de existir ao mesmo tempo que nós.
CIVILIZAÇÕES DE DEZ MILHÕES DE ANOS
A combinação de todos esses fatores levou Scherf e Lammer a concluírem que as espécies tecnológicas que vivem em um planeta com 10% de dióxido de carbono teriam que sobreviver pelo menos 280.000 anos para que uma outra civilização existisse na galáxia ao mesmo tempo que nós.
"Para que 10 civilizações existam ao mesmo tempo que a nossa, a meia-vida deve ser superior a 10 milhões de anos", diz Scherf. "O número de ETIs é bastante baixo e depende muito do tempo de vida de uma civilização.
Isso significa que, se detectarmos um ETI, é quase certo que ele será muito mais antigo do que a humanidade.
São esses números que também nos levam a estimar que a próxima civilização tecnológica mais próxima está a cerca de 33.000 anos-luz de distância. Nosso Sol está a cerca de 27.000 anos-luz do centro galáctico, o que significa que a civilização tecnológica mais próxima da nossa pode estar do outro lado da Via Láctea.
Esses números não são absolutos. Scherf ressalta que há outros fatores que deveriam ser incluídos, como a origem da vida, a origem da fotossíntese, a origem da vida multicelular e a frequência com que a vida inteligente desenvolve tecnologia, mas que atualmente não podem ser quantificados. Se cada um desses fatores tiver uma probabilidade alta, as ETIs podem não ser tão raras. Se cada um desses fatores tiver uma probabilidade baixa, será necessária uma perspectiva mais pessimista.
Entretanto, Scherf acredita firmemente que o SETI deve continuar a busca.
"Embora os ETIs possam ser raros, só há uma maneira de realmente descobrir: procurando por eles", diz Scherf. "Se essas buscas não encontrarem nada, nossa teoria será mais provável e, se o SETI encontrar algo, será uma das maiores descobertas científicas de todos os tempos, pois saberemos que não estamos sozinhos no universo.
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