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MADRID 28 maio (EUROPA PRESS) -
As sociedades espanholas de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR) e de Cardiologia (SEC) apresentaram um documento de consenso pelo qual promovem “a implantação de unidades cardiopulmonares para um atendimento mais coordenado de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e doenças cardiovasculares (DCV) coexistentes”.
Dessa forma, o relatório “Bases teóricas para o desenvolvimento de unidades clínicas cardiopulmonares em pacientes com DPOC e ECV”, elaborado em colaboração com a empresa farmacêutica AstraZeneca, busca, segundo seus autores, “definir um marco teórico” para essa implementação “como modelo inovador”.
“Atualmente, não se dispõe de um marco estruturado, nem de publicações que definam formalmente um modelo organizacional coordenado para abordá-la a partir de uma perspectiva multidisciplinar”, explicaram, ao mesmo tempo em que divulgaram que a DPOC “costuma provocar uma limitação progressiva do fluxo aéreo e é uma causa importante de morbidade, mortalidade e uso de recursos de saúde”. “Nessa patologia, sua frequente coexistência com DCV aumenta significativamente o risco de exacerbações, readmissões hospitalares e mortalidade”, declararam.
Na opinião do chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário Virgen de la Victoria de Málaga, o Dr. Juan José Gómez Doblas, o objetivo deste texto é “destacar três aspectos-chave nos quais se deve colocar um foco especial: a importância do diagnóstico precoce, a individualização dos planos de tratamento e a aplicação de intervenções baseadas em evidências clínicas”.
QUADRO DE AÇÃO COORDENADA
"Com base nisso, acreditamos na importância de estabelecer um quadro de ação coordenada para pacientes com DPOC e ECV que, por sua vez, permita otimizar os recursos de saúde disponíveis e melhorar os resultados em saúde", destacou ele, em um contexto atual em que as abordagens assistenciais "costumam ser fragmentadas, dificultando uma atenção integral para esses pacientes complexos".
Além disso, este documento expõe que ambas as doenças “mantêm uma estreita relação”, uma vez que “coexistem no caso de muitos pacientes”. “A DPOC aumenta o risco cardiovascular e, por sua vez, a ECV pode agravar as condições respiratórias”, pelo que “os pacientes com DPOC podem desenvolver ECV incidente, o que pode promover uma maior mortalidade”, afirma.
Nesse sentido, mostra que “os mecanismos que desencadeiam e perpetuam uma síndrome de exacerbação da DPOC (SAE) contribuem para um maior risco cardiovascular, que se mantém mesmo além do primeiro ano após o evento”. Portanto, “os pacientes com DPOC e, sobretudo, aqueles com exacerbações frequentes, correm um risco significativo de apresentar eventos pulmonares e cardiovasculares, também denominado risco cardiopulmonar”, afirma este relatório.
“O manejo otimizado dos pacientes que convivem com essas patologias representa uma importante oportunidade para melhorar os resultados da DPOC e, consequentemente, contribuir para reduzir a morbidade cardiovascular e a mortalidade na população”, destacou o membro da área de DPOC da SEPAR, o Dr. Javier de Miguel, que destacou que, "apesar de um dos principais objetivos atuais das organizações profissionais ser melhorar a mortalidade por DPOC, atualmente ela é a terceira causa de morte em nível mundial".
MUDANÇA ESTRUTURAL NA ASSISTÊNCIA MÉDICA
A esse respeito, ele afirmou que “reduzir significativamente a carga assistencial, muitas vezes, implica uma abordagem predominantemente reativa”, pelo que “para alcançar essa meta, é imprescindível uma mudança estrutural na assistência à saúde”. Atualmente, e conforme mostra este consenso, “ela se concentra em questões vitais, como o diagnóstico precoce, bem como em estratégias educacionais voltadas para a prevenção”.
No entanto, pneumologistas e cardiologistas propuseram ampliar essa abordagem, conforme indicou Gómez Doblas, que considera “fundamental” promover “a criação de estruturas de gestão e modelos institucionais específicos que possibilitem a assistência multidisciplinar e coordenada desses pacientes”. Por isso, ele insistiu na necessidade “de unidades cardiopulmonares, tanto especializadas quanto programas cardiopulmonares”.
Com relação a isso, o consenso aposta na “avaliação diagnóstica integral do paciente com dispneia e fadiga não específica; identificar as interações entre as doenças cardíacas e respiratórias; realizar avaliações completas da função cardiopulmonar, avaliar o estado funcional por meio de testes como o teste de marcha de seis minutos ou o teste de esforço para avaliar a capacidade aeróbica; a avaliação do risco cardiovascular e pulmonar com o cálculo por meio de 'scores' e questionários aplicáveis ou a medição da qualidade de vida por meio de testes aplicáveis de acordo com a doença".
"Na AstraZeneca, apoiamos a criação dessas unidades cardiopulmonares" como "elementos fundamentais na abordagem da DPOC e das ECV coexistentes", declarou, por sua vez, a diretora médica da Biofarma e diretora de Assuntos Regulatórios da AstraZeneca Espanha, a Dra. Yésica Hernández Brichis, que destacou que “são muitos os pacientes que convivem com ambas as patologias e, nesse sentido, é essencial uma abordagem multidisciplinar que permita um atendimento mais coordenado e que atenda às suas necessidades específicas”.
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