Publicado 29/04/2025 12:51

A SEPAR lança o primeiro registro espanhol de silicose diante do aumento "preocupante" de casos

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ALTAYB/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 29 abr. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR) lançou nesta terça-feira o Registro Espanhol de Silicose da SEPAR (RESILSE), o primeiro do gênero em nível nacional, que tem como objetivo enfrentar o "preocupante" aumento de casos dessa doença no país.

Essa ferramenta permitirá tornar visível, monitorar e deter o avanço da silicose, que é causada pela inalação de partículas de sílica cristalina e que, apesar de ser evitável, está causando um aumento "alarmante" de casos entre jovens trabalhadores de setores como a fabricação e o manuseio de aglomerados de quartzo usados em bancadas de cozinha, construção, extração de minerais como granito ou ardósia e metalurgia.

Também possibilitará a vigilância epidemiológica contínua, a identificação de fatores de risco e ambientes de trabalho perigosos, a melhoria do atendimento clínico ao trabalhador afetado, a promoção de políticas de pesquisa e prevenção, a promoção da conscientização social e institucional sobre a doença e a garantia do cumprimento das normas internacionais.

"O RESILSE nasceu da necessidade urgente de colocar números reais e um rosto humano em uma doença que nunca deveria ter retornado. Não queremos que os casos permaneçam em consultas, mas que gerem dados que ajudem a prevenir novos diagnósticos e a proteger melhor os trabalhadores expostos", explicou a coordenadora da Área de Pneumologia Ambiental e Ocupacional da SEPAR, Sandra Dorado, por ocasião do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho.

De acordo com dados do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (INSST), entre 2007 e 2024, foram notificados 5.900 laudos médicos de silicose, com um recorde de 520 casos no último ano, além de 19 laudos de câncer de pulmão relacionados à exposição ocupacional à sílica cristalina; mais da metade dos casos se concentra em homens com idade entre 30 e 49 anos, e muitos apresentam formas aceleradas da doença.

Além disso, 47,8% dos casos estão concentrados no setor de pedras, especialmente em marmorarias que trabalham com aglomerados de quartzo, cujo problema não é apenas a sílica, pois também liberam metais como alumínio ou cobalto e resinas que emitem compostos orgânicos voláteis, alguns dos quais são cancerígenos.

"Isso torna essa situação realmente preocupante, pois não há tratamento comprovadamente eficaz contra a silicose. O transplante de pulmão é a única opção em estágios avançados", disse Cristina Martínez, coordenadora do RESILSE da SEPAR.

Por todas essas razões, o Ministério da Saúde já abriu o debate sobre a necessidade de tomar medidas semelhantes às aplicadas pela Austrália, que proibiu a importação e o uso de pedras artificiais devido ao aumento dos casos de silicose entre trabalhadores jovens.

"Na Espanha, os primeiros casos apareceram em 2000 e, apesar dos esforços que foram feitos para implementar os protocolos de prevenção existentes, o relatório do Ministério e do INSST, juntamente com o aumento progressivo dos casos, mostra a necessidade de analisar a estratégia realizada até o momento e reconsiderar todas as medidas possíveis para conter o aumento da silicose em nosso país", disse Antonio León, coordenador da RESILSE na SEPAR.

Por fim, a SEPAR solicitou uma ação "urgente" envolvendo autoridades de saúde, inspeção do trabalho, empresas e serviços de prevenção para fortalecer as políticas de prevenção e controle da silicose na Espanha, bem como para implementar medidas eficazes para proteger a saúde pulmonar dos trabalhadores.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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