MADRID 2 out. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR) defendeu uma oxigenoterapia mais personalizada, que não se limite a garantir o suprimento necessário de oxigênio, mas que também leve em consideração a autonomia, a mobilidade e a qualidade de vida das pessoas que necessitam desse tratamento.
“O oxigênio é um tratamento médico e, como tal, deve ser corretamente indicado, adaptado às necessidades de cada paciente e reavaliado. Não se trata simplesmente de administrar mais oxigênio ou por mais horas, mas de garantir que cada pessoa receba a dose, o tempo de uso e o dispositivo de que realmente precisa”, explicou o coordenador da Área de Sono, Ventilação e UCRI da SEPAR, Pedro Landete, por ocasião do Dia Mundial do Oxigênio.
Na Espanha, estima-se que entre 400.000 e 450.000 pessoas utilizem oxigenoterapia crônica domiciliar, uma das principais terapias respiratórias administradas em casa. Cerca de um terço das terapias respiratórias domiciliares corresponde à oxigenoterapia.
Conforme indicado pela SEPAR, a necessidade de oxigênio e a resposta ao tratamento podem variar entre os pacientes e também em função da situação clínica ou da atividade que estejam realizando. Por isso, a indicação e o ajuste da oxigenoterapia devem ser realizados de forma individualizada e com acompanhamento contínuo por parte dos profissionais de saúde, incluindo as equipes de enfermagem e fisioterapia respiratória, cujo papel é fundamental na educação do paciente, no manejo do tratamento e na promoção da autonomia e da atividade física.
As evidências disponíveis mostram que os benefícios da oxigenoterapia dependem de uma seleção correta dos pacientes. Embora a oxigenoterapia crônica domiciliar tenha demonstrado benefícios em pacientes com hipoxemia crônica grave, não foi comprovado o mesmo benefício de seu uso sistemático em pacientes com dessaturação moderada. Por isso, sua indicação, vazão e tempo de uso devem ser individualizados de acordo com critérios clínicos estabelecidos.
Nesse sentido, os especialistas ressaltam que o dispositivo utilizado também é relevante. As características das diferentes fontes e sistemas de administração de oxigênio podem influenciar a mobilidade e a capacidade do paciente de realizar suas atividades cotidianas. A escolha deve levar em conta tanto as necessidades clínicas quanto o estilo de vida e as atividades habituais de cada pessoa.
Para a SEPAR, um dos desafios da oxigenoterapia domiciliar é evitar que o tratamento se torne um obstáculo para a vida cotidiana. Sempre que a situação clínica do paciente permitir, dispor de um sistema adequado deve facilitar que ele possa caminhar, praticar exercícios, sair de casa e manter uma vida social ativa.
“O objetivo não deve mais ser apenas fornecer oxigênio. Devemos garantir que cada paciente receba o oxigênio de que precisa, com o dispositivo adequado e de forma compatível com uma vida o mais ativa e autônoma possível. O oxigênio é um tratamento que pode prolongar a vida quando indicado corretamente, mas também deve nos ajudar a melhorar a qualidade de vida dos nossos pacientes”, concluiu Landete.
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