MARKO HANNULA/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 26 jun. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR) lembra que os sachês de nicotina não são produtos inofensivos e alerta sobre seu elevado potencial de dependência, especialmente entre adolescentes e jovens.
Esses dispositivos consistem em pequenas sachês que são colocadas entre a gengiva e o lábio e que liberam nicotina de forma gradual. Embora não contenham tabaco — e, portanto, não devam ser confundidos com o snus tradicional, um produto de tabaco para uso oral cuja comercialização é proibida na União Europeia, exceto na Suécia —, eles compartilham um elemento-chave: a capacidade de gerar dependência da nicotina.
Existe a falsa percepção de que as sachês de nicotina são uma alternativa inofensiva porque não contêm tabaco ou porque não geram fumaça. No entanto, elas têm um alto potencial de dependência, podendo conter concentrações muito elevadas de nicotina e até mesmo nicotina sintética, uma substância especialmente potente. “O problema não é apenas a dependência que geram, mas o fato de que normalizam o consumo de nicotina e podem se tornar uma porta de entrada para outras formas de dependência”, explica Maribel Cristóbal, coordenadora da Área de Tabagismo da SEPAR.
Além disso, os especialistas lembram que as evidências científicas relacionaram o consumo de produtos orais com nicotina a um aumento dos problemas de saúde bucal, incluindo lesões nas mucosas, doença periodontal, retração gengival e outras alterações, como lesões na mucosa oral associadas a biomarcadores relacionados a um potencial aumento do risco de câncer bucal.
Por isso, os especialistas consideram prioritário reforçar as campanhas de prevenção e educação em saúde voltadas para a população mais jovem, bem como monitorar a promoção desses produtos em ambientes digitais e redes sociais.
“Atletas, criadores de conteúdo, figuras públicas e líderes sociais têm uma enorme capacidade de influenciar o comportamento dos mais jovens. Por isso, apelamos à responsabilidade deles para que contribuam na transmissão de mensagens alinhadas com a saúde e a prevenção de dependências, evitando normalizar ou associar esses produtos ao sucesso, ao bem-estar ou ao desempenho”, destaca Cristóbal.
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