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MADRID 17 set. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SEORL-CCC) destacou a terapia miofuncional para a apneia obstrutiva do sono (AOS) como uma “linha promissora” dentro de uma “transformação mais ampla”, na qual se busca avançar em direção a um tratamento individualizado para cada paciente.
No âmbito do Dia Nacional da Apneia do Sono, comemorado na próxima segunda-feira, a SEORL-CCC fez um resumo do que se sabe sobre a terapia miofuncional, que consiste em exercícios específicos para a língua, o palato e outros músculos da boca e da garganta, com o objetivo de modificar alguns fatores que favorecem o fechamento das vias aéreas durante o sono.
“Por muito tempo, acreditou-se que treinar esses músculos durante o dia teria pouca utilidade porque, quando dormimos, seu tônus diminui”, explicou o presidente da Comissão de Roncopatia e Distúrbios do Sono da SEORL-CCC, Carlos O’Connor-Reina, que destacou que as evidências estão começando a mudar essa visão.
Pesquisas recentes indicam que os exercícios não apenas poderiam fortalecer os músculos da língua e da garganta, mas também produzir mudanças na própria língua, como reduzir seu volume ou espessura, diminuindo assim sua tendência a obstruir as vias aéreas durante o sono.
ESTUDO COM 60 ADULTOS
Justamente, um estudo publicado no “Journal of Clinical Sleep Medicine”, ao qual a SEORL-CCC fez referência, acompanhou durante três meses 60 adultos com apneia moderada ou grave, que foram divididos em três grupos: pacientes com apneia moderada que realizaram terapia miofuncional; pacientes com apneia grave tratados com terapia miofuncional e CPAP; e um grupo de controle tratado com CPAP sem terapia miofuncional.
Os resultados após três meses mostram que os pacientes com apneia moderada que realizaram terapia miofuncional apresentaram uma redução média de oito centímetros cúbicos no volume da língua e de quatro milímetros em sua espessura. Entre os pacientes com apneia grave que realizaram os exercícios juntamente com a CPAP, o volume da língua diminuiu em média 12 centímetros cúbicos. No grupo de controle tratado apenas com CPAP, não foram observadas alterações significativas.
Os pesquisadores também verificaram o que acontecia nas vias respiratórias durante o sono por meio da endoscopia do sono induzido (DISE). Entre os pacientes com apneia moderada tratados com terapia miofuncional, a ausência de colapso da língua durante esse exame passou de 15% antes do tratamento para 80% após três meses. No grupo com apneia grave tratado com terapia miofuncional e CPAP, esse índice passou de 15% para 55%, embora, nesse segundo grupo, a diferença não tenha atingido significância estatística.
“O que estamos observando é que a terapia miofuncional pode ir além do fortalecimento muscular e produzir alterações nas próprias estruturas envolvidas no colapso das vias aéreas. Isso nos ajuda a entender por que alguns exercícios realizados enquanto estamos acordados podem ter efeitos durante o sono”, explicou o Dr. Carlos O’Connor-Reina, que participou do estudo.
ELA PODE SUBSTITUIR A CPAP?
A SEORL-CCC esclareceu que ainda não há evidência científica suficiente para recomendar de maneira geral a terapia miofuncional como substituto da CPAP, por isso, os especialistas afirmaram que um paciente com diagnóstico de apneia não deve abandonar a CPAP nem qualquer outro tratamento indicado para substituí-la por exercícios realizados por conta própria.
De fato, eles apontaram que uma das hipóteses em que se está trabalhando é que talvez não exista um único tratamento adequado para todas as apneias, pois nem todas as apneias se manifestam da mesma maneira.
“A apneia obstrutiva do sono é uma doença muito heterogênea, e o desafio é identificar qual mecanismo predomina em cada pessoa e, a partir daí, selecionar o tratamento ou a combinação de tratamentos que possa oferecer melhores resultados”, destacou O’Connor-Reina.
Dessa forma, os especialistas enfatizaram que os resultados obtidos até o momento sobre os benefícios da terapia miofuncional devem ser interpretados com cautela, pois precisam ser confirmados em outras pesquisas.
Paralelamente, eles apontaram que ainda resta determinar quais são os exercícios mais eficazes, qual a intensidade e a duração necessárias, por quanto tempo seus possíveis benefícios se mantêm quando deixam de ser realizados e, especialmente, como identificar antecipadamente os pacientes com maior probabilidade de responder ao tratamento.
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