Publicado 03/03/2026 12:01

A SEORL-CCC alerta que a perda da saúde auditiva em idosos está relacionada com problemas de isolamento e solidão.

Archivo - Arquivo - Aparelho auditivo
PHOENIXNS/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 3 mar. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Sociedade Espanhola de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SEORL-CCC), Serafín Sánchez, alertou que a perda da saúde auditiva em idosos está relacionada com problemas de isolamento e solidão, pelo que tratar a audição das pessoas ao longo de “toda a sua vida” é algo fundamental.

Durante o encontro realizado no Congresso dos Deputados, onde se discutiu a perda da saúde auditiva em pessoas idosas e os problemas de isolamento e solidão que ela gera, por ocasião do Dia Mundial da Audição, comemorado em 3 de março, Sánchez alertou para a “importante” perda de visibilidade que a falta de audição gera.

A saúde auditiva constitui um desafio de saúde pública e justiça social, porque não é uma questão “secundária ou exclusivamente clínica”, salientou, lembrando que é um assunto que afeta a autonomia pessoal e a participação social. “Quando uma pessoa perde a capacidade auditiva sem diagnóstico ou sem tratamento adequado, não só ouve menos, como também participa menos, comunica com mais dificuldade e, em muitas ocasiões, isola-se”, destacou.

Além disso, Serafín Sánchez enfatizou que viver mais deve significar “fazê-lo em condições adequadas e dignas”, e isso “exige políticas públicas que acompanhem o envelhecimento com qualidade de vida, prevenção e equidade”. Por se tratar de um fenômeno que afeta uma parte crescente da população, ele defendeu seu “planejamento, investimento e coordenação”. Nesse sentido, reivindicou que as revisões, os diagnósticos precoces e os aparelhos auditivos não podem depender da “capacidade econômica” de cada paciente. Da mesma forma, sustentou que se trata de pessoas que “querem continuar conversando com suas famílias, participando de sua comunidade e exercendo plenamente todos os seus direitos” porque “ouvir é fazer parte ativa da sociedade”.

PROTOCOLOS RIGOROSOS O presidente da Sociedade Espanhola de Médicos de Atenção Primária (SEMERGEN) das Ilhas Canárias e especialista em Medicina Familiar e Comunitária, Francisco Morales, apontou a necessidade que existia há alguns anos de ter “protocolos rigorosos” na Atenção Primária para poder fazer acompanhamentos e saber como era a qualidade auditiva dessas pessoas.

Segundo Morales, com a colaboração da Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia, da Sociedade Espanhola de Otorrinolaringologia e das sociedades científicas de Atenção Primária, SEMERGEN, Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (semFyC) e a Sociedade Espanhola de Medicina Geral, criaram um protocolo com o qual os médicos de família e geriatras podem “tratar e avaliar” a perda auditiva, sendo assim capazes de padronizar “programas de assistência” à situação de cada paciente.

A nível global, 10% da população geral tem problemas auditivos e, de acordo com o INE, 900 000 pessoas têm problemas auditivos em Espanha. Além disso, o especialista em Medicina Familiar e Comunitária afirmou que 80% dos pacientes com mais de 75 anos têm perda auditiva, mas apenas um terço deles o reconhece. Além disso, desse terço, aproximadamente 66% não usa aparelhos auditivos. “A solidão auto-percebida deteriora-se em depressão e demência, e gera insônia ou perda de conexão com a sociedade”, continuou.

O presidente da Sociedade Espanhola de Geriatria (SEGG), Francisco José Tarazona, afirmou que a hipoacusia está associada a uma grande quantidade de distúrbios clínicos, como ansiedade ou depressão. Por isso, era necessário criar um documento para a detecção precoce da hipoacusia, pois “trata-se de uma doença subdiagnosticada”. Tarazona defendeu que sejam realizados exames em todos os níveis de assistência: na atenção primária, na geriatria ou em consultas externas, entre outros.

Além disso, valorizou a colaboração entre diferentes sociedades científicas para “desenvolver protocolos, colocá-los em prática e melhorar a qualidade de vida, a independência e a percepção de autonomia dos nossos idosos”. PARTICIPAÇÃO PLENA E EFETIVA NA SOCIEDADE

O presidente da Confederação Estatal de Pessoas Surdas (CNSE), Roberto Suárez, destacou que quando se fala de hipoacusia, também se fala de direitos humanos, de participação social e dignidade. “Nós nos concentramos nas barreiras que essas pessoas com perda auditiva encontram no ambiente. Não queremos normalizar as pessoas, o que queremos é garantir a participação plena e efetiva na sociedade”, precisou. Situações de dependência, dificuldades comunicativas ou econômicas dificultam “a informação e a compreensão dessas pessoas e a continuidade dos recursos de que necessitam”, independentemente da sua idade, do tipo de linguagem que utilizam ou de se utilizam ou não próteses auditivas. QUALIDADE DE VIDA

Por sua vez, a presidente da Associação Espanhola de Enfermagem em Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço (AEORL-CCC), Beatriz Tena, afirmou que os idosos têm “muita vida pela frente” e que o envelhecimento hoje em dia é “ativo”, onde “se viaja, se sai e se é independente”; por isso, “a qualidade de vida se transforma em atividade”. Tena explicou que as pessoas que perdem a audição na idade adulta costumam se cansar por terem que ficar “atentas à leitura labial” e decidem “não sair e não se relacionar”. Nesse contexto, um implante coclear representa uma “transformação” na vida dos idosos, pois permite que eles se conectem com os demais e mantenham sua autonomia.

O diretor-geral da Carteira Comum de Serviços do Sistema Nacional de Saúde e Farmácia do Ministério da Saúde, César Hernández, afirmou que a saúde auditiva, assim como a bucodental ou a mental, ficaram “um pouco fora do que foi incluído no que é a prestação habitual do sistema de saúde”.

A hipoacusia, devido à sua alta prevalência, ligada ao envelhecimento, é considerada algo normal e “não tem sido priorizada” em relação a outras alterações. Por isso, Hernández propôs a ideia de criar uma “estratégia transversal” para tratar a saúde auditiva por meio de uma transição “mais gradual”. Quanto à Direção Geral da Carteira Comum, esclareceu que os benefícios têm de ser tangíveis e equitativos em todas as comunidades autónomas. “Se tivéssemos tido orçamentos, certamente já teríamos dado o passo inicial para normalizar, equalizar essa situação nas diferentes comunidades autónomas”, declarou.

A coordenadora da Estratégia para o tratamento da cronicidade do Ministério da Saúde, Inmaculada Corrales, salientou que a hipoacusia crônica, em muitas ocasiões, aparece em pessoas com multimorbidade e gera uma situação de “saúde complexa”.

Além disso, ela apontou a relação existente entre a surdez e o deterioramento cognitivo, onde a detecção precoce é fundamental para reduzir “o risco de fragilidade e dependência da pessoa”. “É fundamental avançar em um diagnóstico precoce integrado à prática habitual, com uma atenção proativa, coordenada e centrada no idoso”, afirmou.

Segundo Corrales, a hipoacusia em idosos deve ser integrada na Estratégia de Cronicidade, para poder ser detectada e prevenir a dependência. Da mesma forma, defendeu que os pacientes tenham continuidade no atendimento, também em suas casas ou em residências para idosos. Por fim, enfatizou a importância da Rede de Escolas de Saúde, fundamental para “melhorar a comunicação e manter a autonomia” durante todo o ciclo de vida.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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