Publicado 05/08/2026 05:35

Está sendo desenvolvida uma tecnologia que utiliza IA, sensores avançados e modelos digitais para otimizar as culturas

Permite avaliar o estado hídrico de cada árvore por meio de drones equipados com câmeras térmicas, bem como estabelecer diretrizes objetivas de irrigação

Oliveira
CSIC

MADRID, 5 ago. (EUROPA PRESS) -

Uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Agricultura Sustentável (IAS-CSIC) chegou ao setor agrícola com uma tecnologia capaz de transformar a forma de gerenciar culturas lenhosas, como a oliveira, a videira e as árvores frutíferas, conforme informou o CSIC.

A Asymetree, uma Empresa Baseada no Conhecimento (EBC) do CSIC, desenvolveu uma plataforma que analisa cada árvore individualmente para ajudar os agricultores a decidir de quanto água cada uma realmente precisa e quando a irrigação deve ser realizada.

A ferramenta combina sensores desenvolvidos pela própria equipe, inteligência artificial e modelos digitais para converter dados complexos em recomendações práticas.

Seu objetivo é melhorar a rentabilidade das explorações agrícolas, reduzir o consumo de água e energia e facilitar a tomada de decisões em um contexto marcado pela seca e pelo aumento dos custos de produção.

“Há anos trabalhamos em estreita colaboração com os agricultores e sempre identificamos o mesmo problema: a pesquisa oferecia soluções muito avançadas, mas faltavam ferramentas simples que permitissem aplicá-las no dia a dia das propriedades agrícolas. A spin-off surgiu justamente para transformar esse conhecimento científico em um produto útil, com suporte técnico e melhoria contínua”, explica José Antonio Jiménez Berni, cientista titular do IAS-CSIC e um dos idealizadores da Asymetree.

Por trás dessa tecnologia, há mais de 20 anos de pesquisa em teledetecção, fenotipagem vegetal (características físicas, químicas e observáveis das plantas, como altura, cor das folhas ou tamanho da raiz), e irrigação de precisão, fruto da trajetória científica de Jiménez Berni e do trabalho desenvolvido ao longo de décadas pelo grupo de Agronomia do IAS-CSIC.

Entre os marcos científicos que sustentam a plataforma, destacam-se o uso “pioneiro” de câmeras térmicas montadas em drones para detectar o estresse hídrico antes que ele se torne visível, o desenvolvimento de técnicas de fenotipagem 3D por meio de sensores LiDAR e hiperespectrais e a implantação do primeiro robô de fenotipagem de campo na Espanha.

“A próxima revolução no olival será deixar de gerenciar a propriedade como um todo para passar a gerenciar cada árvore com precisão, com base em dados objetivos e não apenas na experiência. Queremos colocar nas mãos dos agricultores ferramentas que facilitem essa transição, melhorem sua rentabilidade e os ajudem a aproveitar cada gota de água”, destaca o pesquisador.

Embora a plataforma tenha sido desenvolvida inicialmente para olivais, amendoeiras, pistacheiros, vinhedos e citros, a tecnologia pode ser adaptada a qualquer cultura irrigada. Seus responsáveis consideram que a digitalização será “uma das grandes transformações da agricultura nos próximos anos”.

DO LABORATÓRIO À PROPRIEDADE, ÁRVORE POR ÁRVORE

Tradicionalmente, a irrigação de uma propriedade é planejada considerando toda a parcela como uma unidade homogênea. No entanto, cada árvore apresenta diferenças em tamanho, crescimento, produção ou estado hídrico.

A Asymetree “rompe com esse modelo” ao permitir um gerenciamento individualizado de cada exemplar. Para isso, utiliza a tecnologia LiDAR, semelhante à empregada em veículos autônomos, capaz de gerar um modelo tridimensional do plantio e calcular o volume da copa de cada árvore, um parâmetro fundamental para estimar suas necessidades hídricas.

A essas informações somam-se sensores infravermelhos sem fio próprios (SAQIA-IR), que detectam o estresse hídrico antes mesmo que ele seja perceptível a olho nu.

“Quando uma planta começa a sentir falta de água, ela se defende fechando os poros das folhas e sua temperatura aumenta. Nós detectamos essa mudança antes que o agricultor possa percebê-la e transformamos essa informação em recomendações práticas sobre quando e quanto regar”, explica o pesquisador.

Todas essas informações são integradas à plataforma digital SAQIA, onde também são incorporados dados provenientes de estações meteorológicas, sensores de umidade do solo, medidores de vazão e outros dispositivos instalados na propriedade.

O sistema analisa todas essas informações para ajudar o agricultor a redistribuir a água disponível onde ela é mais necessária e onde ele pode obter maior rendimento.

PRODUZIR MAIS COM MENOS ÁGUA

Em um cenário de secas recorrentes e custos crescentes, o principal objetivo da Asymetree é ajudar os agricultores a gerenciar a água com precisão.

“Nosso objetivo é que o agricultor deixe de depender exclusivamente da intuição e possa tomar decisões com base em dados objetivos de sua própria propriedade. Acertar na quantidade certa de água no momento certo melhora a rentabilidade, protege a safra e reduz o consumo de recursos”, afirma Jiménez Berni.

Além de otimizar a irrigação, a plataforma permite detectar incidentes em tempo real, como válvulas que não abrem corretamente, quedas de pressão ou falhas na instalação.

Em propriedades com sistemas manuais, ela também reduz deslocamentos desnecessários para alterar setores de irrigação ou verificar avarias, facilitando o planejamento de toda a safra.

Atualmente, a Asymetree trabalha com quinze propriedades-piloto de olivais, amendoeiras e outras culturas lenhosas com diferentes níveis de automação. Essas propriedades estão permitindo validar a plataforma e incorporar melhorias com base na experiência direta dos usuários.

Os primeiros resultados mostram que a ferramenta “ajuda a detectar problemas nos programas de irrigação, otimizar o uso da água e simplificar o gerenciamento diário das propriedades”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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