Publicado 17/07/2026 06:28

A SEN manifesta “luto” e “preocupação” diante da decisão do Ministério da Saúde de não financiar os novos tratamentos para o Alzheim

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JACOB WACKERHAUSEN/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 17 jul. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN), o Dr. Jesús Porta-Etessam, manifestou seu “profundo pesar” e “preocupação” diante da decisão do Ministério da Saúde de não financiar os dois novos tratamentos contra o Alzheimer que foram submetidos a discussão durante a última sessão da Comissão Interministerial de Preços de Medicamentos (CIPM).

Assim, em um comunicado assinado em conjunto com a coordenadora do Grupo de Estudo de Comportamento e Demências dessa sociedade científica, a doutora Raquel Sánchez-Valle, ele lamenta que essa medida não tenha sido aprovada pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS) em relação aos medicamentos lecanemab e donanemab. Esses medicamentos destinam-se ao tratamento dessa doença em seu estágio inicial.

Esse desfecho da referida reunião significa que está sendo “limitado o acesso à prescrição no âmbito privado”, afirmou Porta-Etessam em referência a essas terapias, lembrando que elas contam com a aprovação para comercialização na União Europeia (UE), após a avaliação de sua eficácia e segurança pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês).

“Várias outras agências regulatórias endossam esse balanço positivo e, nesse sentido, por exemplo, nos Estados Unidos, esses tratamentos estão disponíveis há cerca de três anos, com dados que comprovam a segurança e a satisfação de seu uso na prática clínica habitual”, continuou ele. Por isso, ele considera que a resolução da CIPM “tem importantes implicações clínicas, pois nega um tratamento que conta com o aval da EMA a pessoas que poderiam sofrer um atraso na evolução da doença”.

RESTRINGIR O ACESSO A ESSAS TERAPIAS À PRESCRIÇÃO PRIVADA

No entanto, ele destacou que a medida também acarreta consequências “éticas e sociais”, pois “restringir o acesso a esses tratamentos à prescrição privada introduz uma barreira econômica que viola o princípio de equidade do SNS, criando diferenças inaceitáveis de acordo com a capacidade econômica dos pacientes e de suas famílias, e rompe os princípios de universalidade e coesão”. Isso “colocará os profissionais do SNS diante de um dilema ético no que diz respeito às recomendações que devem fazer aos pacientes que poderiam se beneficiar dessas terapias”, acrescentou.

Além disso, o representante máximo da SEN citou o documento de consenso para o uso adequado desses medicamentos na prática clínica assistencial, que foi publicado recentemente por seu Grupo de Estudo de Comportamento e Demências e que inclui recomendações para sua implementação. “A incorporação ordenada desses medicamentos implicaria a melhoria dos circuitos diagnósticos e das redes de assistência especializadas, o que beneficiaria não apenas os pacientes que recebem esses medicamentos, mas todos os pacientes com suspeita ou afetados por algum tipo de deterioração cognitiva”, explicou.

“Excluir essas terapias do Sistema Nacional de Saúde (SNS) freia esse impulso e atrasa a modernização da assistência pública à doença de Alzheimer e outras demências, bem como a formação de nossos profissionais — que, fundamentalmente, são formados em centros públicos — e a pesquisa nessa área”, afirmou, ao mesmo tempo em que solicitou “veementemente” à ministra da Saúde, Mónica García, e ao seu secretário de Estado, Javier Padilla, “que reconsiderem essa resolução”, pedido que estendeu aos representantes da CIPM e das comunidades autônomas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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