Publicado 21/07/2026 05:46

A SEN alerta que os pacientes esperam, em média, 109 dias por uma consulta de neurologia

É a segunda especialidade com os maiores tempos de espera

Archivo - Arquivo - Imagens de ressonância magnética de um cérebro
UNIVERSITY OF MISSOURI - Arquivo

MADRID, 21 jul. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN) alertou que os pacientes espanhóis esperam, em média, 109 dias para conseguir uma consulta de neurologia, o que torna essa especialidade a segunda com os maiores tempos de espera do sistema de saúde espanhol, ficando atrás apenas da dermatologia, com um tempo médio de espera de 127 dias.

Para a SEN, essa espera reflete uma pressão crescente sobre uma especialidade cujo número de especialistas é considerado “insuficiente”. Assim, ela lembra que seu último estudo sobre a proporção de neurologistas na Espanha situava o déficit em cerca de 800 especialistas em relação à recomendação da Federação Europeia de Sociedades de Neurologia (EFNS), que estabelece uma proporção de cinco neurologistas para cada 100.000 habitantes.

“O envelhecimento progressivo da população e o aumento da prevalência de doenças neurológicas estão elevando a demanda por atendimento, o que torna imprescindível reforçar a capacidade do sistema de saúde para responder com equidade e qualidade. As doenças neurológicas são, em muitos casos, dependentes do tempo: cada atraso no diagnóstico representa uma oportunidade perdida para reduzir a incapacidade, preservar a autonomia dos pacientes e melhorar sua qualidade de vida”, explicou o presidente da Sociedade Espanhola de Neurologia, Jesús Porta-Etessam.

A sociedade faz esse apelo por ocasião do Dia Mundial do Cérebro, comemorado neste dia 22 de julho sob o lema “Saúde cerebral: acesso para todos”, com o qual a Federação Mundial de Neurologia (WFN) busca promover a equidade no acesso aos cuidados neurológicos, reduzir as desigualdades e tentar posicionar a saúde cerebral como uma prioridade nas políticas de saúde internacionais.

De acordo com dados da WFN, mais de 3,4 bilhões de pessoas, mais de 40% da população mundial, vivem atualmente com alguma doença neurológica, o que torna essas patologias a principal causa de incapacidade no mundo e a segunda causa de morte, com cerca de 11 milhões de óbitos por ano.

81% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda, onde o acesso a atendimento especializado é especialmente limitado: em algumas regiões da África e da Ásia, há menos de um neurologista por milhão de habitantes, e até 80% das pessoas com epilepsia nesses países não recebem tratamento, apesar da existência de medicamentos de baixo custo.

A SEN destaca que essa desigualdade não se limita aos recursos humanos ou terapêuticos, mas também ao acesso ao diagnóstico. Em áreas rurais de países de baixa e média renda, a distância média até um meio de diagnóstico pode ultrapassar 200 quilômetros, o que transforma patologias tratáveis em deficiências permanentes. Além disso, os pacientes podem enfrentar atrasos médios de até 5,4 anos entre o início dos sintomas e o diagnóstico especializado.

“Embora na Espanha o acesso aos cuidados neurológicos seja significativamente superior ao de muitas outras regiões do mundo, isso não significa que não devamos nos esforçar para reforçar a capacidade do sistema de saúde de responder com equidade e qualidade. Pois, quando falamos de doenças neurológicas, além de elas constituírem a principal causa de deficiência e a segunda causa de morte, precisamos levar em conta que seu impacto continuará aumentando nas próximas décadas devido ao envelhecimento da população, ao aumento da sobrevida dos pacientes e, portanto, ao aumento previsível de casos de AVC, demências, Parkinson, epilepsia, enxaqueca ou esclerose múltipla, entre outras”, explicou Porta-Etessam.

A PREVENÇÃO, UMA FERRAMENTA FUNDAMENTAL

No Dia Mundial do Cérebro, também se busca destacar o importante papel da prevenção. Até 90% dos acidentes vasculares cerebrais estão relacionados a fatores de risco modificáveis, como a hipertensão arterial; por isso, intervenções tão básicas quanto o controle da pressão arterial podem evitar milhões de casos de incapacidade e mortalidade.

Além disso, estima-se que cerca de 40% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou retardados por meio da ação sobre 14 fatores de risco modificáveis ao longo da vida.

Por tudo isso, a SEN faz um apelo às autoridades de saúde para que coloquem a saúde cerebral entre as prioridades das políticas públicas: reforçando as equipes de neurologia, reduzindo os atrasos no diagnóstico e no atendimento, garantindo a equidade territorial no acesso a exames diagnósticos e tratamentos inovadores e promovendo estratégias nacionais de prevenção em saúde cerebral.

“Melhorar a saúde cerebral não depende apenas dos tratamentos disponíveis, mas da capacidade dos sistemas de saúde de garantir equidade no acesso e assegurar um atendimento coordenado entre os níveis de assistência. E também, o que é muito importante, reforçar a prevenção, promovendo hábitos de vida saudáveis”, conclui Porta-Etessam.

A WFN estima que, atualmente, o custo mundial das doenças neurológicas seja de 5 trilhões de dólares por ano e que venha a aumentar. A SEN alerta que, se não forem implementadas medidas de melhoria, as doenças neurológicas exercerão uma pressão cada vez maior sobre os sistemas de saúde e as economias nacionais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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