MADRID 19 mar. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN) alertou que mais de 57% dos pacientes com cefaleia em salvas recebem inicialmente diagnósticos errôneos, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com outras patologias mais comuns, como sinusite, glaucoma ou outros tipos de cefaleia.
Assim, por ocasião da comemoração, neste sábado, 21 de março, do Dia Internacional dessa doença, a sociedade destacou que o atraso na detecção pode ultrapassar os três anos. Em alguns estudos realizados na Espanha, foram descritos atrasos de até cinco anos desde o aparecimento dos primeiros sintomas até a obtenção de um diagnóstico correto.
“A cefaleia em salvas é a cefaleia trigêmeo-autonômica mais frequente”, explicou o coordenador do Grupo de Estudo de Cefaleias dessa sociedade científica (GECSEN), o Dr. Roberto Belvís, que acrescentou que ela “se caracteriza por episódios recorrentes de dor de cabeça extremamente grave, geralmente localizada em um único lado da cabeça, sobretudo na região do olho e da testa”.
Segundo ele, “a dor surge de forma abrupta, atinge sua intensidade máxima em poucos minutos e costuma durar entre 15 minutos e três horas”. “Devido à intensidade da dor, a cefaleia em salvas tem sido descrita em numerosas ocasiões como uma das dores mais intensas que o ser humano pode sentir”, indicou ele, sendo que 50.000 pessoas sofrem dessa condição na Espanha.
Trata-se de uma patologia neurológica pouco frequente, mas extremamente incapacitante, da qual são diagnosticados cerca de 1.000 novos casos a cada ano. Ela costuma se manifestar, principalmente, entre os 20 e os 40 anos e é mais frequente em homens. Tradicionalmente, tem-se descrito uma proporção em relação às mulheres próxima a 4:1, embora estudos recentes sugiram que essa diferença esteja diminuindo e que, atualmente, possa situar-se em torno de 3:1.
As crises de dor desse tipo de cefaleia agrupam-se em períodos denominados “séries”, nos quais podem se repetir várias vezes ao dia durante semanas ou meses, seguidos por outros de remissão completa, nos quais o paciente permanece sem sintomas. Essas crises apresentam frequentemente um padrão marcante, já que muitos pacientes experimentam as crises na mesma hora do dia — geralmente à noite — e em determinadas épocas do ano.
FORMAS CRÔNICAS DA DOENÇA
De qualquer forma, a forma mais frequente é a cefaleia em salvas episódica, na qual os pacientes apresentam crises seguidas de períodos sem dor. No entanto, aproximadamente até 20% dos pacientes desenvolvem formas crônicas da doença, casos em que as crises ocorrem por mais de um ano sem remissão ou com períodos sem dor inferiores a três meses.
"A dor da cefaleia em salvas costuma ser acompanhada por outros sintomas no mesmo lado da dor, como lacrimejamento, vermelhidão ocular, congestão ou secreção nasal, queda da pálpebra ou sudorese facial", divulgou Belvís, que acrescentou que, "durante as crises, os pacientes costumam apresentar muita inquietação ou agitação e sentem a necessidade de se movimentar, o que contrasta com outras cefaleias, como a enxaqueca, nas quais o paciente geralmente prefere permanecer em repouso”.
Outro aspecto destacado pela SEN é que essa patologia gera um elevado índice de incapacidade, já que mais de 75% dos pacientes apresentam limitações significativas em sua vida cotidiana e até 45% associam depressão. Diversas pesquisas nacionais mostram que até 36% perderam o emprego devido à doença e que cerca de 32% tiveram que reduzir sua atividade profissional em pelo menos metade.
Quanto ao tratamento, Belvís expôs que “baseia-se em três pilares”, que são o tratamento de crises, o preventivo de transição e o preventivo de manutenção. No entanto, “apesar de existirem tratamentos eficazes, a cefaleia em salvas continua sendo subtratada”, sublinhou, tendo em vista que estudos realizados pela SEN constatam que mais de 50% dos pacientes não recebem o tratamento preventivo adequado e que mais de 30% não têm acesso a tratamentos sintomáticos eficazes, especialmente à terapia com oxigênio, que é uma das melhores para interromper as crises.
De fato, em pacientes com formas crônicas refratárias ao tratamento farmacológico, podem ser avaliadas estratégias cirúrgicas avançadas, como técnicas de neuromodulação realizadas em unidades credenciadas, tais como os Centros, Serviços e Unidades de Referência (CSUR). Na Espanha, estima-se que possa haver entre 500 e 1.000 pacientes com cefaleia em salvas crônica refratária, que são aqueles que apresentam maior incapacidade e requerem acompanhamento em unidades especializadas.
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