MADRID 30 jun. (EUROPA PRESS) -
As integrantes da Sociedade Espanhola de Medicina Interna (SEMI), as doutoras Raquel Lana e Nerea Hernández-de Sosa, apresentaram um novo protocolo para melhorar a prevenção e o tratamento da osteoporose em pacientes com câncer de mama e de próstata, documento que estabelece diretrizes específicas de atuação para pacientes tratados com terapias hormonais.
Esses tratamentos “aumentam significativamente o risco de perda de massa óssea e fraturas por fragilidade”, explicaram elas durante a “XIX Reunião Anual de Osteoporose e Metabolismo Mineral”, realizada na Ordem dos Médicos de Madri (ICOMEM). Nessa ocasião, indicaram que esse consenso “representa um avanço em direção a um atendimento mais coordenado e multidisciplinar”.
Elaborado em conjunto pelos grupos de trabalho de Osteoporose e Metabolismo Mineral (GTOMM) e de Assistência Compartilhada e Medicina Consultiva (GT ACYMC), este protocolo destaca a necessidade de avaliar a saúde óssea desde o início do tratamento para prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “O aumento da sobrevida alcançado graças aos avanços terapêuticos torna cada vez mais necessário abordar as comorbidades associadas ao câncer e aos seus tratamentos, entre as quais se destaca a osteoporose”, afirmaram suas autoras.
Assim, com diretrizes adaptadas à prática clínica e alinhadas às recomendações nacionais e internacionais para a prevenção, diagnóstico e tratamento da osteoporose nesses pacientes, expõe-se, conforme declarou a também coordenadora da Unidade de Metabolismo Mineral e Ósseo do Hospital Universitário da Santa Creu i Sant Pau de Barcelona, Nerea Hernández-de Sosa, que “em mulheres com câncer de mama hormono-sensível, a perda de massa óssea pode ser de duas a quatro vezes maior do que a observada em mulheres pós-menopáusicas saudáveis, o que aumenta o risco de fraturas”.
“Entre elas, as mais frequentes são as fraturas vertebrais e radiais, embora também se incluam as do fêmur e do úmero”, continuou ela, enquanto Raquel Lana, membro da Unidade de Metabolismo Ósseo do Hospital Universitário Clínico San Carlos de Madri, explicou que “no caso do câncer de próstata, os tratamentos de privação androgênica — uma forma de terapia hormonal que reduz os níveis de testosterona — também favorecem o aparecimento da osteoporose”. “Até 40% dos pacientes recebem esse tipo de tratamento e cerca de 20% desenvolvem fraturas por fragilidade”, especificou ela.
É POSSÍVEL PREVENIR
Diante disso, ela afirmou que a osteoporose “pode e deve ser prevenida” nesses pacientes. “O primeiro passo é reconhecê-los como um grupo de alto risco, avaliar a condição de seus ossos e, uma vez que saibamos se sofrem de osteopenia ou osteoporose e em que grau, administrar-lhes o tratamento adequado de acordo com seu risco de fratura”, explicou, ao mesmo tempo em que Hernández-de Sosa sustentou que, “além da terapia hormonal, existem outros tratamentos oncológicos, como a quimioterapia, a radioterapia e os corticosteroides, que também podem contribuir para a deterioração da saúde óssea”.
No entanto, esse protocolo defende a avaliação da saúde óssea desde o início do tratamento hormonal e do risco de fratura, de forma individualizada, por meio do histórico clínico, da avaliação dos fatores de risco do paciente e da densitometria óssea (DMO), com reavaliações periódicas a cada um ou dois anos. Além disso, defende a adoção de medidas preventivas desde o início do tratamento, como uma alimentação rica em cálcio, suplementação adequada com vitamina D quando necessário e a prática regular de exercícios físicos de força, resistência, equilíbrio e aeróbicos.
Além disso, este documento indica que o acompanhamento clínico inclui a repetição da DMO anualmente ou, no máximo, a cada dois anos, além da avaliação da resposta ao tratamento. Para os pacientes que já atendem aos critérios de osteoporose, recomenda-se, por sua vez, iniciar tratamentos direcionados à osteoporose, com o objetivo de prevenir complicações e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
“Os bisfosfonatos orais constituem a primeira opção terapêutica, salvo contraindicação digestiva; nesse caso, podem ser utilizados bisfosfonatos intravenosos como segunda opção terapêutica”, esclareceu Hernández-de Sosa, que acrescentou que “a terceira opção terapêutica, atualmente, é o denosumabe, que representa outra alternativa eficaz em pacientes selecionados”. De qualquer forma, “a escolha do tratamento deve ser individualizada de acordo com a situação clínica e o risco de fratura”, acrescentou.
Por fim, Lana, que afirmou que “os pontos mais importantes do protocolo são que ele destaca uma complicação grave que afeta a qualidade de vida dos pacientes com câncer de próstata e de mama e fornece diretrizes adaptadas” e “baseadas nas diretrizes nacionais e internacionais”, concluiu destacando que esses são dois grupos nos quais é preciso “descartar a osteoporose nas fases iniciais do tratamento hormonal para prevenir em alguns casos e tratar precocemente em outros, a fim de evitar fraturas”.
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