Publicado 07/05/2026 09:22

A SEMI destaca que o “arsenal terapêutico em expansão” no tratamento do lúpus permite almejar uma “remissão sustentada”

Archivo - Arquivo - Lúpus, articulações
DOUCEFLEUR/ISTOCK - Arquivo

MADRID 7 maio (EUROPA PRESS) -

O coordenador do Grupo de Doenças Autoimunes Sistêmicas (GEAS) da Sociedade Espanhola de Medicina Interna (SEMI), o Dr. Andrés González, afirmou que “ferramentas diagnósticas mais precisas e um arsenal terapêutico em expansão” no lúpus permitem “aspirar a objetivos que antes pareciam distantes”, como “a remissão sustentada, a proteção contra danos orgânicos e o uso criterioso de corticosteroides”.

“O lúpus eritematoso sistêmico já não é a doença de décadas atrás”, declarou, ao mesmo tempo em que indicou que “a Medicina Interna, por sua formação integradora, está em uma posição privilegiada para liderar o manejo dos pacientes”, sobretudo “naqueles com comprometimento multissistêmico complexo ou com comorbidades”. O GEAS “trabalha para que todos os internistas do país possam uniformizar e melhorar a assistência a esses pacientes”, explicou.

Assim, por ocasião da comemoração, neste domingo, 10 de maio, do Dia Mundial desta doença, este órgão da referida sociedade científica indicou que a doença “deixa para trás sua fase mais devastadora graças à disponibilidade de novos tratamentos, como os medicamentos biológicos, e ferramentas diagnósticas como a Inteligência Artificial (IA), que permitem um diagnóstico mais preciso”.

No entanto, ele insistiu que “o médico internista mantém um papel fundamental no diagnóstico e tratamento dessa doença autoimune” sistêmica, que é uma das “mais relevantes” nesse âmbito. “Na Espanha, foram descritos cerca de 82.000 casos, com uma prevalência de 210 casos por cada 100.000 habitantes, número que aumentará devido, em parte, às melhorias no diagnóstico”, divulgou.

MANIFESTAÇÕES DA DOENÇA

“A doença é entre oito e nove vezes mais frequente em mulheres do que em homens e costuma se manifestar pela primeira vez na idade fértil, entre 15 e 45 anos”, continuou ele, acrescentando que “pode afetar qualquer órgão ou sistema”. “As manifestações ‘visíveis’ mais frequentes no início são as musculoesqueléticas, como artrite e artralgias, e as cutâneas, presentes em 70% a 80% dos pacientes”, afirmou.

Nesse contexto, o GEAS declarou que “a lesão cutânea mais comum é o eritema em forma de asas de borboleta, que aparece nas bochechas e na ponte nasal, além da alopecia e da fotossensibilidade”, e que “pode comprometer órgãos internos de forma potencialmente grave”. “A nefrite lúpica é uma de suas complicações mais graves, afetando 30% a 50% dos pacientes” e, “sem um tratamento precoce e adequado, pode levar à insuficiência renal”, assegurou.

Após afirmar que “outras manifestações são a inflamação das membranas que envolvem o pulmão (pleurite) e o coração (pericardite)”, bem como “alterações do sistema nervoso com mudanças cognitivas ou de humor”, ele declarou que “o atraso no diagnóstico é um dos principais desafios”, já que “pode ultrapassar um ou dois anos ou mais, porque as manifestações iniciais são inespecíficas e podem se sobrepor a múltiplas doenças”.

Aprofundando-se no uso da IA para o diagnóstico, ele afirmou que ela identifica “padrões clínicos e analíticos complexos que escapam ao olho humano”, por isso é útil para “prever o surgimento de surtos”. “Os algoritmos de aprendizado de máquina aplicados a grandes registros multicêntricos, como os que o GEAS administra por meio do registro ‘RELES’ ou ‘BELI-LES-GEAS’, permitem identificar fenótipos de início do lúpus eritematoso sistêmico e subgrupos de pacientes com prognósticos diferentes”, assegurou.

“A visão de médio prazo é integrar essas ferramentas na prática clínica diária para tornar a medicina mais personalizada, preditiva e preventiva”, retomou González, que acrescentou que estão sendo incorporadas “ferramentas como a proteômica e a IA” para “prever quem terá um surto, quem responderá melhor a um medicamento ou outro, e quem está em maior risco cardiovascular ou renal”.

TRATAMENTOS

Nesse sentido, o GEAS informou que, em seu IV Curso sobre essa patologia, foi debatida a possibilidade de utilizar adequadamente os glicocorticoides com estratégias de economia baseadas no uso otimizado de terapias, incluindo os medicamentos biológicos.

"Os biológicos aprovados recentemente, como o belimumab (anti-BAFF) e o anifrolumab (anti-interferon tipo I), conseguem controlar a doença e reduzir significativamente o uso de corticosteroides, de acordo com dados do estudo 'TULIP-LTE', que confirmam, com o anifrolumab, a manutenção de baixa atividade ou remissão com doses mínimas, e reduções de pelo menos 50% na prática clínica com o belimumab", indicou.

Quanto à nefritis lúpica, foi destacado que "a voclosporina, inibidor da calcineurina de nova geração, representa um avanço no controle da proteinúria e na proteção renal". “Como terapias emergentes, a terapia com células CAR-T anti-CD19 apresenta resultados preliminares promissores no lúpus eritematoso sistêmico refratário, com remissões profundas e prolongadas”, destacou.

“O lúpus é uma doença crônica que, com tratamento adequado e acompanhamento especializado, permite levar uma vida plena”, explicou González, que defende “transmitir uma mensagem de apoio aos pacientes e suas famílias por parte das equipes médicas comprometidas com seu atendimento e com a pesquisa ativa sobre a doença”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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